domingo, 29 de maio de 2011

Apresentação das: Banda de Música Tenente Djalma Ribeiro, Escola de Música Márcia Pires e Coral Araraú.

Realização da Fundação Nilo Pereira em parceria com os maestro Kleber Jonatan e Marcos Machado.

O evento aconteceu na Praça Barão de Ceará-Mirim em dezembro de 2007.

Esperem o vídeo abrir porque vale a pena!

http://www.youtube.com/watch?v=wTas_dG9_K0&feature=mfu_in_order&list=UL

domingo, 22 de maio de 2011

RENDEIRAS DE JACUMÃ


Eu entregando a revista Preá sobre Ceará-Mirim em que saiu reportagem sobre as rendeiras.

RENDEIRAS DE JACUMÃ - tradição das praias de Ceará-Mirim. Arte transmitida de geração a geração. As rendas produzidas em Muriu e jacumã, no passado, sustentavam as famílias das artesãs. Elas voltaram à atividade em 2003 e, atualmente, as mais velhas, se encantaram, restam apenas sete artesãs produzindo renda. É uma preocupação porque não há incentivo para atrair as mais jovens no sentido de aprender as técnicas.
É emocionante o depoimento de Marta quando diz que ama aquele ofício e fica muito triste porque tem certeza que a renda se acabará em nossas praias uma vez que elas não poderão repassar sua sabedoria às novas gerações. Marta além de confeccionar a renda, cria todos os desenhos... É uma artesã completa. É importante o poder público olhar com carinho para as rendeiras de Jacumã. Vamos pensar em incentivos para a Associação e, assim, elas possam ensinar as jovens da comunidade.
Por que não associar as rendeiras de Jacumã à produção artística do saudoso Mestre Etevaldo? As rendeiras de cerâmica do Mestre correram o mundo. Ele foi premiado com suas rendeiras em todas as feiras de artesanato que participou. Vamos fazer o marketing cultural do município com as rendeiras, assim, como o galo de São Gonçalo, o Cristo Redentor no RJ, O Laçador Gaúcho no RS.
Temos o privilégio de ter várias manifestações populares para escolher como marca de nossa cultura: Cabocolinhos (patrimônio vivo do RN). Mestre Tião (patrimônio vivo do RN), as rendeiras, a obra de Mestre Santana, entre outras. Porém, na minha humilde opinião, as rendeiras de mestre Etevaldo seria a principal delas. Os filhos do mestre, Edvonaldo e Edvaldo, continuam a produção das rendeiras herdadas pelo pai.
No restaurante Naf Naf há uma loja de artesanato e os produtos expostos são oriundos de outros estados do Nordeste. Por que não há obras de nosso Santana e dos meninos de Mestre Etevaldo lá??? Ambos, Santana e Etevaldo estão entre os mais importantes do Estado do RN. Santana inclusive representará Ceará-Mirim e o RN em São Paulo no mês de julho. Fica o questionamento para reflexão.
Quem se interessar em conhecer a Associação das Rendeiras de Jacumã, ela está instalada na Praia de Jacumã. A comercialização das rendas é feita no Restaurante Naf Naf do empresário Jessé que gentilmente cedeu um espaço para onde as rendeiras vendem e confeccionam para os turistas que lá frequentam diariamente. Valeu Jessé, são atitudes como esta que precisamos seguir para fortalecer e preservar nossas tradições culturais.
video

quarta-feira, 4 de maio de 2011

AUTOESTIMA

Minha primeira leitura hoje pela manhã foi a crônica de meu amigo Pedro Simões: AUTOESTIMA. Refleti bastante a respeito do que o mestre escreveu e, por coincidência, estava super indignado com algumas situações que acontecem em nossa província baquipeana:
Por exemplo:
1. Os servidores se dirigem ao Banco do Brasil ou Caixa Econômica e não conseguem retirar o salário porque não há dinheiro nos caixas eletrônicos. Esse final de semana o Banco do Brasil não tinham abastecido os caixas. Muitos clientes reclamavam à saída do Banco. Felizmente (ou não) nós somos pessoas “muito conformadas” e pacatos cidadãos.
2. Em pleno século XXI, regredimos ao início do século XX quando foi inaugurada a Agência dos Correios em Ceará-Mirim. Para receber correspondências temos que nos dirigir a um anexo (muito apertado e quente) do correio e enfrentar enorme fila, para receber as correspondências. Isso acontecia no incío da implantação dos Correios em Ceará-Mirim. Como ficam os pagamentos que vêm pelo Correio e chegam com atrasos? Nós que temos que pagar as multas. Há poucos carteiros para uma população “urbana” de mais ou menos 40 mil habitantes!
3. Não precisa citar os outros absurdos que acontecem pelo país, principalmente, entre àqueles que deveriam dar exemplos de cidadania, como os políticos e gestores.
4. Até quando suportaremos essa malvada larva???
Apesar de tudo isso concordo com Pedro. Devemos amar as cores da Bandeira, ter orgulho de ser Cearamirinense, Potiguar, Nordestino e Brasileiro.

Pedro Simões


AUTOESTIMA – Deveríamos ampliar a nossa justificável meta de auto-valorização. Que ela não se restrinja apenas à nossa individualidade, mas alcance também os valores que compõem a nossa identidade, à nossa personalidade, que nos fazem ser o que somos. Exemplo: temos o hábito de apequenar, senão ridicularizar aquilo que nos cerca – nos...sa cidade, nossa região, e em última escala, o nosso país. O que é fruto da nossa cultura, natalense, potiguar ou nordestina, é desprezível, salvo se reverberar do eixo do sul maravilha ou do exterior.
Lambo os beiços com o hábito dos americanos de se sentirem apenas o máximo por sua nacionalidade. Usar as cores nacionais e a própria bandeira e de gabarem a sua superioridade. Do seu civismo em relação à defesa nacional e à adoção do “american way of life”, sem se preocupar se é ou não politicamente correta a sua opção: ela é americana? Então é boa e me convém.
Fico pensando que tenho dois orgulhos bem próximos de mim: Ceará-Mirim e Natal. A cidadezinha salpicada de verde, azul e amarelo que guarda num relicário a minha infância e juventude. E a capital do meu estado, com as mais belas praias do mundo, um povo cosmopolita e hospitaleiro que nunca perdeu o ar provinciano, marca que deve ser computada como vantagem, já que os “metropolitanos” se tornaram impessoais e robóticos. Um amigo de São Paulo que se mudou para cá me dizia que a vantagem dos potiguares sobre os paulistas, além das evidentes opções de qualidade de vida, era o modo com que nós “familiarizavamos” as personalidades públicas. Que aqui, à moda norte-rio-grandense, ele aprendeu a tratar com pessoas e não com instituições.
À época dizia que falava com “Gueire” (Garibaldi) e não com o governador, por exemplo. Aqui, comprava fiado na mercearia da esquina e recebia em sua casa os passarinhos, os vizinhos e amizades adquiridas instantaneamente. Na sua cidade, morou dez anos num apartamento e nunca se relacionou com o vizinho, a quem apenas cumprimentava no elevador.
Há uma coisa que lugar algum pode superar o nosso: o acervo de memórias e os testemunhos existenciais da nossa vida. E outra coisa: as provas e referências da nossa identidade.
Tenho muito orgulho de ser brasileiro, jamais pensei em ter outra nacionalidade. Cresço com o país – e como já cresci! – e tenho certeza de que os meus netos herdarão uma pátria notável, poderosa e magnânima, comprometida com a justiça social. Orgulho-me de ter dupla cidadania: cearamirinense e natalense, embora mon coeur balance pour Ceará-Mirim. E, finalmente, tenho um orgulho superlativo por ter sido nordestinado. Não recebo essa destinação como fatalidade, mas como benção, pois desde criança me assumi um lutador, aquele que viabiliza a própria sobrevivência tirando leite de pedras.
Tenho autoestima cívica também, não apenas pessoal. Por isso, não me sinto diminuído quando meus filhos e netos, entre zombeteiros e carinhosos, me tratam de “careca”, “gordo” ou “velho”. Porque, além de me saber bem conformado nos padrões individuais de medianos para superiores, sou cearamirinense, norte-rio-grandense, nordestino e brasileiro – nesta ordem. Uma glória.

ADEUS, BELO ANJO!!!

Maria da Conceição - 97 anos de cultura popular - Belo Anjo do Pastoril


Hoje o dia amanheceu triste, o ar ficou pesado, as nuvens enegrecidas e carregadas, simbolizavam luto pelo encantamento da amiga Maria da Conceição de Brito (97 anos), avó de Neto do grupo Renovação, Ela era o Belo Anjo do Pastoril. São nossos patrimônios culturais que estão cumprindo sua meta entre nós, pobres e incompreensíveis mortais.
Em agosto de 2010 escrevi no blog a respeito de Dona Maria. E, na oportunidade, solicitava as autoridades públicas a atenção para a valorização de nossas figuras populares. Personalidades que representam a memória de nossa cidade, suas tradições, suas histórias e estórias. Era necessário um olhar responsável para que pudéssemos revitalizar e valorizar as manifestações tradicionais que ainda resistiam à extinção.
Infelizmente, até o momento, nada foi feito, para que realizassem ações que ajudassem aos grupos populares e, aos atores culturais do município. Estamos prestes a sediar uma Copa do Mundo e ninguém ouve falar nada a respeito. Como vamos receber turistas que, certamente, virão conhecer a cidade com seus casarios imperiais e seus engenhos aristocráticos?
Meus sentimentos à família de Dona Maria da Conceição, em nome de todos, que como ela, lutam pela preservação e valorização de nossas tradições populares e, oremos, para que de onde ela estiver, possa nos proteger ajudando àqueles responsáveis pelas políticas públicas locais para que eles sejam, sensíveis e aprendam a valorizar e amar esta Ceará-Mirim tão castigada e esquecida.

Segue o texto que publiquei no blog em agosto/2010:



Gibson Machado e Maria da Conceição - O Belo Anjo

Sempre que falamos sobre cultura, sua preservação, sua valorização, o assunto se torna repetitivo, e, algumas vezes, inibe certas discussões em torno do tema.
Tenho falado frequentemente a respeito do cuidado que precisamos ter para manter preservadas as tradições de nossa gente e, de certa forma, proteger os patrimônios, sejam material ou imaterial, não importa, é preciso fazer alguma coisa, porque os mestres estão morrendo e não têm como passar seus conhecimentos para as futuras gerações.
O trabalho que faço na tentativa de, pelo menos, registrar as manifestações populares e as memórias dos anciões, guardiões de nossa história, é muito fragilizado, pois é impossível realizar as pesquisas e fazer os devidos registros, uma vez que o custo é alto e o tempo não é suficiente.
É necessário que o poder público tome alguma atitude nesse sentido, enquanto ainda restam, alguns mestres de nossa cultura popular, vivos e em condições de repassar seus conhecimentos.
Eu sei que há muitas dificuldades para a administração, mas, provavelmente, se todos os poderes públicos se unissem, seria possível encontrar soluções para esta grave situação.
Segunda-feira, 02 de agosto, a matriarca da família Brito, Dona Maria da Conceição de Brito, 96 anos, deu o maior susto nos familiares quando teve uma indisposição. Na idade que ela está qualquer problema de saúde, é muito preocupante. Dona Maria é avó de Neto, coordenador do grupo Renovação, e sempre esteve envolvida com a cultura popular do município, Ultimamente, era a personagem “Belo Anjo” do Pastoril, cuja mestra era Dona Maria do Carmo, que por sinal, mudou-se da cidade porque não encontrava apoio para continuar brincando com suas pastoras.
A última apresentação de Dona Maria da Conceição – O Belo Anjo do Pastoril - foi em 2007 quando nos apresentamos no Centro Esportivo e Cultural durante o encontro do Projeto Vida Nova, criado por mim e voltado para a terceira idade. Penso que aquela foi sua última apresentação no grupo e felizmente filmamos e fotografamos todos os eventos.

Pastoril - apresentação no Vida Nova

É por isso que são necessárias ações de governo que revitalizem, preservem e protejam esses mestres da cultura popular, pois, são evidentes suas fragilidades e, enquanto é tempo, precisamos fazê-los repassar seus conhecimentos às novas e futuras gerações, uma vez que já estamos lutando contra o avançado estágio de vida dos mestres, a exemplo de Dona Maria da Conceição, Zé Baracho, Luiz de Julia, Cícero Américo (palhaço do pastoril) e tantos outros anônimos que precisam ser descobertos e protegidos do esquecimento.



Cícero Américo - Palhaço do Pastoril

Tenho Saudade do Pastoril de Dona Maria do Carmo. Estivemos juntos em várias apresentações aqui em Ceará-Mirim e em outras cidades do estado. Parece que estou vendo sua emoção quando a levei para gravar as músicas do brinquedo no estúdio. Ela estava muito feliz porque sabia que todo seu esforço estava gravado e ela poderia morrer tranquila, pois, pelo menos, o registro das músicas estava garantido.


Mestra Maria do Carmo e Gibson Machado

Infelizmente o Pastoril conduzido pela família Américo está desativado e restam algumas pastoras que resistem e estão tentando manter a dança folclórica com as músicas gravadas por mim em estúdio. Espero que o grupo coordenado pelo professor Renato Brandão tenha êxito para manter-se em atividade e estarei sempre disposto a contribuir para que nossas pastoras e brincantes se mantenham vivos.

domingo, 1 de maio de 2011

DOMINGO ENSOLARADO

Panorâmica da antiga Pracinha Barão de Ceará-Mirim.


No centro a inesquecível sorveteria de José Bonifácio - demolida pelo ex-prefeito Edgar Varella


O amigo Pedro Simões continua seus ensinamentos... são importantes situações que nos faz refletir a respeito do amor à nossa terra. Suas crônicas despertam um sentimento de pertença que, na maioria das vezes, hibernam e, de repente, são eclodidos em busca de um horizonte "perdido".

Sua crônica "Domingueiras" me fez voltar ao passado e escrever algumas lembranças da infância.

Fonte da crônica:



Crônica de Pedro:

QUE FAZER DESSE SOL DOMINGUEIRO VERANEADO?

DOMINGUEIRAS (01.05.11)
Já acordo no domingo procurando o meu cavalo branco (não o uísque, mas o animal) selado e arreado no terreiro de casa, pra me danar pelos ocos do mundo. Quando estou bem desperto descubro que estou em plena selva de concreto e asfalto, mesmo que algumas árvores dos cant...eiros da rua me remetam para o quintal do casarão de Ceará-Mirim. Fazer o que?
Vou para o meu “aquário”, um mirante que me expõe as ruas próximas e as dunas distantes, e encho os olhos de paisagens e de sonhos.
Um cachorro deposita os seus restos de lixo na calçada, e me lembro que quando criança nós entrelaçávamos os dedos indicadores e num repente, os excrementos do animal não fluíam mais, ficavam como que congelados entre o orifício e o espaço. Até que alguma senhora bondosa, numa zanga bem humorada nos fazia descruzar os dedos. E “plaft”, o sólido era atraído pela gravidade e se espatifava no chão.
A caminho do escritório, um sol veraneado e domingueiro me anima a tirar os óculos para captar de modo natural, sem anteparos, o mundo que me rodeia. É quando descubro um casal(?) de Galos de Campina. São velhos conhecidos. Quase sempre os encontro, no mesmo horário – entre 6 e 6.30 – bicando ciscos no chão.
Por isso tomei a decisão de sair todas as manhãs com a máquina fotográfica e nunca consegui flagrá-los, pois eles fogem tão logo me aproxime. Hoje tomei mais cuidado e fui me esgueirando pelo muro, sorrateiro, caviloso, dissimulado, e consegui chegar a uma distância que julguei suficiente para produzir uma obra de arte.
O sol no meu visor confundiu as imagens. E a minha visão, já cansada de 67 anos de “voyeurismo” existencial, sem os óculos, e com o olho direito aguardando o momento da cirurgia da catarata, completou o registro das dificuldades. Disparei o botão pedindo a Deus um milagre.
(Quando cheguei ao escritório e fui conferir as imagens, descobri que três das fotos esqueceram os pássaros e das três restantes, apenas uma distinguia as duas aves um exercício de adivinha. Estou decido a tratá-las no Photoshop para não admitir a derrota.)
A chave do cadeado escapuliu-me da mão e se projetou entre as grades do portão, caindo entre hibiscos do jardim da entrada. O portão impediu-me de recuperá-las. Pular o muro, nem pensar, com a cerca elétrica em funcionamento. Liguei para casa pedindo a duplicata e alguns minutos depois pude afinal entrar no meu refúgio.
Meu escritório é um caso à parte. É uma pequena construção térrea, composta por três peças: sala de estar/espera, sala de trabalho e banheiro. São apenas 40m² de área construída. Uma verdadeira caixa de Pandorra. Onde deveria ser a sala de espera, é também serventia de livros acondicionados em caixas de papelão e alguns equipamentos da antiga loja de artigos personalizados de minha mulher.
A sala de trabalho comporta a minha mesa de vidro em forma de “L”; três impressoras, um notebook e um computador de três módulos; duas poltronas azuis enormes; uma escrivaninha das antigas, integrante de um conjunto que inclui um divã em madeira e vime; uma mesa de reuniões com quatro cadeiras de vime; frigobar, som, estantes, estantes e estantes, livros, livros e livros.
Uma pequena pinacoteca com reproduções de Portinari (cangaceiros, instrumentistas e meninos caçadores e vendedores de pássaros); imagens de casarões e ruínas de Ceará-Mirim; e diplomas, títulos, medalhas. Um São Francisco de Assis Marinho e muitos gaveteiros.
É aqui que componho as minhas escrituras, reúno os amigos e atendo eventuais clientes.
Sentado diante do computador teclo essa crônica com o pensamento distante, embaralhando o que escrevo. Como estará Ceará-Mirim nesse dia de sol? Onde estaria no Ceará-Mirim o menino descalço, sem camisa, de calças curtas, mundo pequeno, curiosidade enorme, esperanças muitas, sonhos ilimitados?
Não sou lamurioso, nem vivo ancorado no passado. Sou homem contemporâneo, ajustado, tolerante, sem preconceitos. Mas que os domingos de sol veraneados são sumidouros de memórias, isso são...
Vou aguardar mais algum tempo para saborear um velho (Old) e honesto Parr e assuntar com os amigos e a família à beira da piscínica, os muitos ufanos da terra Brasílica, beijada pelo sol e pela brisa que balança a palha dos coqueiros e assanha os cabelos das morenas.
Que cada um reencontre o seu Ceará-Mirim.
Bom domingo.


Não me contive e, felizmente, pude escrever alguns retalhos da lembrança na tentativa de encontrar o meu Ceará-Mirim:

Amigo Pedro,
Menino em Ceará-Mirim, no meu tempo, bem próximo do seu, anos 1970, de pés descalços, estaria, nesse domingo, provavelmente em vários lugares imaginários e reais naquele tempo.
Normalmente, pelas 8 horas, a “fileira” de meninos fazia um cordão barulhento a caminho da residência de Antônio Potengi e Dona Ambrosina, nosso inesquecível Sítio do Pica-pau Amarelo. Nos finais de semana estaríamos jogando bola no campinho de Manoelzinho (do cartório) e seu irmão Carlos Gusmão. Certamente não existiam ali figuras mitológicas encantadas, mas, havia personagens inesquecíveis, atores de constantes batalhas futebolísticas interrompidas pelos xingamentos às mães e trocas de bofetes.
Quando não tinha futebol, como Pedrinho, Emília e Narizinho, brincávamos sobre as árvores ou correndo pelo sítio, e, muitas vezes, ficávamos sobre o “embuzeiro do sertão” pensando nas imaginárias namoradas do Instituto Imaculada Conceição.
Quem sabe, estaríamos, uma “reca” de meninos, brincando de “mãos para o alto” ou guerra de baladeiras cuja munição eram carrapateriras, no sítio da maternidade ou no Seu Antonio Ferreira, chefe da Estação Ferroviária.
Domingo ensolarado, é um dia perfeito para descer ao rio dos homens, rio do balão, brincadeiras de tica-tica no rio, pegar piabas em garrafas cheia de farinha, ou então, aproveitar o sol e sair matando “cobra rainha” com baladeira... Capturar muçuns nas locas do rio e, depois, arriscar um “roubo de cana” nos “partidos” da usina São Francisco, correndo o risco de ser pego pelos vigias.
Muitas são as atividades “traquinas” de nossa meninice, quando o domingo era dia chuvoso, aí sim, a programação era especial, se deitar nas enxurradas que desciam a ladeira do Patu e tirar as enquizilas nas águas que desciam das fortes “bicas” da casa de Seu Ozéias Araújo, famoso enfermeiro de nossa Ceará-Mirim ou então, banhar-se no olheiro, observando o vai-e-vem dos carros pipas que vendiam água na cidade.

Rua São José - hoje Manoel Varela - ao longe, a direita - a mangueira centenária de Dona Celina


Mas, falando de seu casarão na rua São José, (casa de Dr. Pedro Simões – era assim que a chamávamos – no tempo que morou por lá um rapaz chamado Aguiar) morei em frente, pelos idos de 1972, e, quando não havia ninguém na casa, pulávamos o muro, e nos deliciava com os suculentos Cajás, e muitas outras frutas que existiam no quintal. O pé de Cajá, para mim, era o mapa do Rio Grande do Norte, muito frondoso. Não lembro se cortaram a árvore, mas, parece que ainda sobrevive a nossa meninice, como a Mangueira Rosa de Dona Celina...firme e poderosa contando nossa história.
São apenas lembranças... Nossas peraltices infanto-juvenis passaram, mas a memória permanece viva pronta para viagens sentimentais e românticas.


É isso... um bom domingo ensolarado e chuvoso!