terça-feira, 13 de junho de 2017

UM NOVO OLHAR PARA A HISTÓRIA DA INGLESA EMMA BARROCA

Recentemente tive a felicidade de conhecer a escritora e psicóloga Ana Claudia Trigueiro. Ela garimpava informações sobre o velho engenho Verde Nasce e Emma Barroca. Estava escrevendo um livro sobre a memória de sua avó que viveu naquele engenho. Fiquei muito feliz porque sua pesquisa contribuirá para esclarecer alguns fatos históricos ocorridos no vale do Ceará-Mirim pelo olhar de quem conviveu por alguns anos entre os corredores da casa grande e do velho engenho verde nasce. Abaixo segue  o texto que recebi da amiga Ana Claudia sobre sua pesquisa e a publicação do livro. Ansioso pelo lançamento!!!

AO AMIGO GIBSON

Olá Gibson,
É com muita alegria que te escrevo para informar que finalmente terminei de escrever o livro “Maria e o Mistério do Verde Nasce! Gostaria de te agradecer pelas informações disponibilizadas através deste maravilhoso blog!
Escrever sobre a infância de vovó foi uma tarefa árdua, porém muito prazerosa! Organizar a memória de uma senhora de oitenta e sete anos me custou muitas noites em claro. Criar histórias que servissem de arremate à trama, me  exigiu muita imaginação. Voltar à década de 30 de uma “menina de engenho” no vale do Ceará-Mirim me cobrou muita pesquisa. Sendo eu uma estrangeira nestas paragens, a tarefa foi ainda mais desafiadora!
Por que o fiz?
Tudo começou em 2006 em uma visita evocativa, ao vale do Ceará-Mirim. Era a primeira vez em quase oitenta anos que vovó Maria retornava ao engenho onde passou parte da infância. Lembro que foi muito emocionante! Não só para ela, mas para todos nós, que passamos a conhecer uma parte muito significativa da sua vida.
Vovó morou no Verde Nasce até os 14 anos, quando os avós, (ele era uma espécie de capataz, ela, cozinheira) faleceram e ela veio morar com a mãe em Natal. Em sua narrativa, vovó Maria demonstrou um amor muito grande pelo engenho e também curiosidade sobre quem foi Emma, a “pobrezinha” sepultada no alto da colina.
Visitar o Verde Nasce foi uma experiência singular! Senti-me encantada, assim como vovó e os que viveram ali. A paisagem do vale é uma paleta de cores vibrantes para os olhos de uma cosmopolita como eu, um tanto quanto aborrecida com o cinza da selva de pedra.
O mausoléu de Emma me causou grande admiração! É enternecedor ver o detalhe do posicionamento do túmulo, virado para o nascer do sol. (Verifiquei que não está voltado para o pôr do sol como afirmaram muitos). O poente está no sentido contrário ao vale, por trás do jazigo.
Sou muito curiosa, mas acho que Emma desperta interesse em todos os que veem seu túmulo. Ao conhecê-lo fui tomada por uma compaixão e uma curiosidade talvez maiores do que seria natural sentir, por uma pessoa que viveu mais de cem anos antes de mim: quem foi a pobre inglesa que morreu tão cedo, deixando esposo e filha órfãos do seu amor? Como ela era física e emocionalmente? Que ideias e valores a influenciaram? De que maneira se comportava, o que defendia ou repudiava?
Passei a procurar pelos vestígios da existência de Emma na internet e para a minha surpresa, alguns meses depois, consegui puxar o fio da meada da sua história, através de um site de genealogia. A maior dificuldade deveu-se à procura pelo falso sobrenome Thompson, erroneamente publicado em vários blogs e sites sobre a inglesa.
Consegui fazer contato com um tetraneto de Emma, o André Lucas que mora em Recife e é advogado formado na mesma faculdade do pentavô, o juiz Victor José de Castro Barroca. Tivemos algumas ótimas conversas pelo Facebook, porque ele também tinha muita curiosidade em saber sobre a ancestral ilustre.
Emma viveu em uma pequena cidade perto de Liverpool e foi lá que conheceu Marcelo Barroca. A igreja onde se casaram é belíssima e remonta ao século V. Os personagens viveram toda a ebulição da Revolução Industrial! James, irmão da inglesa, que era engenheiro e comerciante de ferros foi o responsável pelo desenho e fabricação da cerca de ferro que até hoje, encanta aos que visitam o Verde-Nasce. Pretendo surpreender os leitores com alguns detalhes da biografia de Emma que permaneceram um mistério por mais de 100 anos e deliciá-los com a narrativa de uma época fascinante!
Como vou tratar de muitas lembranças de vovó, o livro tem um tom regionalista muito forte: trata das nossas comidas, do nosso jeito de falar e até mesmo das nomenclaturas populares de mazelas como: “antójo”, “farnizim” e “espinhela caída”. Alguns clássicos contados de maneira peculiar por uma exímia contadora de histórias, (minha tataravó Cosma), trazem expressões que só os norteriograndenses conseguirão compreender, sem recorrer às notas de rodapé.
Escrever este livro me trouxe muitas experiências gratificantes: Através dele conheci um pouco melhor a adorável cidade de Ceará-Mirim. Um amigo sugeriu que eu passasse dois meses por lá, em uma casa de campo, escrevendo. Quem me dera! Pude somente ir algumas vezes, constatar que ela é tão encantadora, quanto o Verde Nasce.
Visitei-a com frequência através de dois blogs que contam sua história: este e o do Francisco Ferreira, o famoso “barão do Ceará-Mirim”. Meus agradecimentos pelas informações disponibilizadas por esses queridos heróis da memória cearamirinense.
Os ótimos livros “Oiteiro”, de Magdalena Antunes, “Imagens do Ceará-Mirim” e “A Rosa Verde”, de Nilo Pereira e “Villar & Companhia: apontamentos da história familiar”, de Alcides Francisco de Queiroz foram fontes de informação preciosas. Excelentes leituras que tive o privilégio de desfrutar, enquanto escrevia.
Os irmãos Herbert e Nadja Dantas, me receberam muito bem no engenho Verde Nasce e ajudaram com preciosas informações sobre o maquinário a vapor e o processo de produção de açúcar. Essa família é digna do mais sincero reconhecimento! A casa da moenda e todo o maquinário que é símbolo da Revolução industrial e do 2º ciclo da produção de açúcar no nordeste, estão muito bem conservados, com recursos próprios da família.
Os Dantas têm uma grande importância para a cidade e o vale do Ceará-Mirim. Penso que a divulgação de sua história de muito trabalho e amor pela terra é de suma importância para o município e se não recebeu a devida atenção nesta obra foi apenas por uma escolha afetiva da autora. Ao conversar com eles percebi que ainda há muito mais a se escrever sobre os que habitaram o Verde Nasce. Muito obrigada também ao solícito caseiro, Damião. Sempre gentil e cordial com os visitantes do engenho.
A Nadja que é a atual proprietária do terreno onde o túmulo fica localizado está trabalhando incansavelmente na sua restauração. Não é um trabalho fácil, nem barato; tendo em vista a sábia decisão dela de tentar manter a originalidade de uma construção que remonta ao século XIX. Ela buscou o apoio do IPHAN e os arquitetos da instituição já estiveram lá e se comprometeram a ajudá-la. A perspectiva é que em poucos meses o túmulo esteja pronto e aberto à visitação.
Compreender o passado é muito importante para a construção do futuro. É trabalhoso como fabricar açúcar, mas pode ser divertido como montar a cavalo e andar de locomotiva. Pode também ser gostoso como comer sequilho, beber caldo de cana e ter uma rapadura derretendo na boca. A motocicleta, o trem bala, os refrigerantes e a goma de mascar são produtos da nossa época, mas inspirações de uma outra, que precisamos conhecer!
O livro está em fase de correção ortográfica e ilustração, mas o lançamento ocorrerá no Verde Nasce daqui há alguns meses. Todos os leitores do blog estão convidados assim como você e sua família, é claro.
Abração,

Ana Cláudia Trigueiro de Lucena

terça-feira, 23 de agosto de 2016

OFICINA DE FOTOGRAFIA

Oficina de fotografia realizada pela disciplina de Arte na Escola Estadual Interventor Ubaldo Bezerra de Melo - ação pelo Dia do Estudante - Professor Gibson Machado.








domingo, 21 de agosto de 2016

OITENTA E UMA VÊNIAS PARA MESTRE LUIZ CHICO


OITENTA E UMA VÊNIAS PARA MESTRE LUIZ CHICO

“Nas horas de Deus amém. É pade, filho, ‘Sprito Santo. São as primeira cantiga, que nesse auitório eu canto.
Sai o Só e sai a Lua, sai as Istrela também, saiu essas Primavera, nas horas de Deus amém...”

Em 20 de agosto de 1935 nascia Luiz Chico na comunidade de Matas, distrito de Ceará-Mirim.

Muito pequeno andava entre as ribeiras do Rio Ceará-Mirim e os terreiros dos engenhos de açúcar, que povoavam todo o vale, acompanhando os folguedos de Boi de Reis, Pastoril, Lapinha e Congo. Era um divertimento ver e ouvir as loas de Birico e Mateus, as vênias do Boi, principalmente, na morte e repartição do animal, quando o Birico, Mateus e a Catirina, faziam a divisão: “o figo do boi, simamué, esse é de nois dois, simamué...e o coração, é pra mané João...e a passarinha, pra dona Guidinha...

Assim, quando engrossou o pescoço, entrou para brincar de daminha no rabo do cordão...evoluiu e chegou a brincar de Mateus.
A história do Boi-de-reis em Ceará-Mirim, provavelmente, se inicia com o desenvolvimento da economia canavieira, pois, há relatos de grupos existentes nos velhos engenhos primitivos.

O folguedo existente no distrito de Matas é remanescente de antigos grupos que existiam na ribeira do rio Ceará-Mirim entre as comunidades de Capela, Matas e Mineiros. Ele surgiu no início dos anos 1950 com a chegada de um taipuense que fazia a figura do Mateus e montou o grupo cujo primeiro Mestre chamava-se Zé de Rosa.

A partir de 17 de maio de 1957, com a saída do Mateus, o senhor Luis Chico assume o grupo e, também, a figura do Mateus, passando a liderar seus marujos até os dias atuais. Durante esses 59 anos o folguedo tem enfrentado as mais variadas dificuldades, desde a morte dos velhos marujos até a desvalorização do brinquedo pela sociedade e, principalmente, pelo poder público que não viabiliza oportunidades para a sua preservação.

Apesar de todas as dificuldades o Mestre Luís Chico tem sido um verdadeiro Herói na condução de uma tradição tão importante para a história e cultura de nosso município.
O Boi-de-reis é formado por personagens humanos, animais e seres fantásticos. Os humanos são o Mateus, O Birico, Nanã, os Galantes e as Damas. Atualmente os animais são a Burrinha e o Boi e representando os seres fantásticos, o Jaraguá.

Atualmente o folguedo tem sofrido muitas transformações, principalmente no que diz respeito às figuras, pois já não existe tempo suficiente para suas apresentações.  As encenações que havia durante o evento, também, foram abolidas, pois a duração fica em torno de vinte a trinta minutos, o que impossibilita desenvolvê-las plenamente, principalmente a moagem do engenho e a matança e ressurreição do boi.

A representação do boi, atualmente, limita-se a danças e cantigas, como as cantigas de abertura, compreendendo saudações e louvações aos “donos da casa”, ao Messias, pelo seu nascimento e aos Santos Reis; loas declamadas pelo mestre e pelo trio de cômico, Mateus, Birico e Nanã; apresentação das figuras da Burrinha,  Jaraguá e o Boi e as cantigas de despedidas.

Os enfeitados do boi são o mestre, as Damas e os Galantes. Eles se apresentam festivamente vestidos, cantam velhas cantigas religiosas, louvações e saudações, além de tradicionais baianos. O Mestre é o responsável pela brincadeira, é a pessoa que contrata as apresentações e convoca os componentes do grupo para os ensaios.
Os Galantes, em número de quatro, vestem-se de maneira idêntica ao Mestre. Durante a representação, dispõe-se em duas alas ou cordões e realizam evoluções, cruzamentos, meias-luas, etc. As Damas, em número de duas, são meninos de dez a doze anos, travestidos de mulher.
A figura principal do folguedo é o Boi. É o último que se apresenta. Depois que ele sai de cena, cantam-se as despedidas.

Minha história com o Mestre vem desde 2000 quando o encontrei pela primeira vez. Foi mais um pai, irmão ou filho que ganhei. O amor que tem pela sua arte me cativou e, desde então, mantivemos uma relação fraternal sincera e, com ele, aprendi a amar o simples, o popular, as tradições de raiz, a valorizar a sabedoria do povo, seus causos, suas crenças, suas histórias de vida. Aprendi que ser grande, é ser natural, simples, porém, verdadeiro!

Sempre que posso, passo um dia de prosa com o mestre, ouvindo e gravando suas histórias, suas músicas, as loas, os versos...esses dias são alimentos para minha alma e, apesar da indiferença e discriminação pelo popular, nos sentimos importantes porque, nos finalmentes, nós, os populares, somos especiais, não importa o quanto os outros pensem!!

Um dia a história será testemunha de que valeu a pena lutar pela preservação, valorização, fortalecimento e reconhecimento das tradições populares e, nossos mestres, Tião Oleiro, Luiz Chico, Manoel Gomes, José Rodrigues, José Baracho, Maria do Carmo, Severino Roberto, Belchior, as rendeiras de Jacumã, e tantos outros, serão os verdadeiros heróis dessa luta!!

Como diz o velho Tapuio:

“Não chores, meu filho, não chores, que a vida é luta renhida: Viver é lutar. A vida é combate, que os fracos abate, que os fortes, os bravos só pode exaltar.
...Um dia vivemos! O homem que é forte não teme da morte; Só teme fugir; No arco que entesa tem certa uma presa, quer seja tapuia, Condor ou tapir.
...As armas ensaia, penetra na vida: Pesada ou querida, viver é lutar. Se o duro combate os fracos abate, aos fortes, aos bravos, só pode exaltar.”


VIVA MESTRE LUIZ CHICO!!!

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

AULA DE CAMPO PELO PROEMI

Visita ao Sitio Histórico de Ceará-Mirim com alunos do Ensino Médio da Escola Estadual Professor Edgar Barbosa pelo Proemi - desenvolvendo o projeto "Ceará-Mirim conhecer para preservar"
 Matriz de Nossa Senhora da Conceição

 Antigo Museu Nilo Pereira

 Antigo Museu Nilo Pereira

 Engenho Verde Nasce

Antigo Engenho São Leopoldo 

Casa Grande do Engenho São Leopoldo 

Casa grande do Engenho São Leopoldo 

Engenho Mucuripe
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ATIVIDADES PEDAGÓGICAS

BOI DE REIS DE MATAS

Em 12 de Dezembro de 2015 fui à comunidade de Matas durante os festejos de Santa Luzia para apresentar o Mestre Luis Chico e seu Boi de Reis para alunos do IF Ceará-Mirim. Os estudantes faziam pesquisa sobre a cultura popular de Ceará-Mirim e o Boi de Reis foi um dos folguedos pesquisados.


Nesta noite tive a satisfação de conduzir o boi encantado. Um dos brincantes não veio e faltou quem entrasse embaixo e dançasse. Aproveitei a oportunidade e conduzi o boi pro terreiro. Foi uma noite fantástica e inesquecível.

 Entrevista com o mestre Luis Chico











Entrevista com a professora Célia



domingo, 7 de agosto de 2016

Recebendo os livros Ceará-Mirim exemplo nacional Vol. I e II escrito por Julio Gomes de Senna em 1972 e oferecidos pelos filhos do autor José Fernandes Sena (foto) e Nely Fernandes.

SOBRE A CAMPANHA ELEITORAL...

Atualmente é comum publicações nas redes sociais sobre as convenções que aconteceram no município. Muitos são os candidatos a representarem o povo nos próximos quatro anos. Cada um candidato, seja a vereador, vereadora ou prefeito, cada um deles, precisa, pelo menos teoricamente, conhecer um pouco da história da cidade.
Uma boa sugestão é que leiam Julio Senna, leiam Ceará-Mirim exemplo nacional Vol I e II. Pelo menos, o volume I. Apesar do livro ter sido escrito em 1972, orienta como o representante do povo deve proceder quando assumir o cargo para o qual foi eleito.
Vejam o escreve Julio Senna:
“O município não é uma simples célula administrativa, mas um órgão de sindicância, controle e orientação dos problemas locais.
E também não é uma unidade exclusivamente arrecadadora, porque constitui um sistema econômico, cujas linhas de ação contornam o corporativismo e findam no desenvolvimento da riqueza particular dos seus habitantes.
O município deixa de ser um usurpador das energias do campo, para ser o guia da vida rural, permitindo o ressurgimento do camponês no tríplice aspecto da saúde, da assistência moral e do sentimento cívico.
O município deixa de ser um arrumador de pedras pelas ruas da cidade, para se tornar o propulsor das industrias locais, estabelecendo-as nos pontos geográficos aconselháveis, sem visar interesse de ordem puramente suntuária e avenideira.
O grande mal do município tem sido este: descobrir onde está situada a indústria, a cultura, a criação, para vibrar-lhes o golpe de morte do imediato gravame do imposto, da taxa, da sobretaxa...
A massa de produtores dos núcleos afastados só conhecem da prefeitura municipal, o cobrador de impostos.
(...) A orientação de um prefeito municipal não deve residir na coleta forçada de rendas inexplicáveis, mas na observação e no estímulo às fontes naturais de sua produção.
Não é cobrando imposto, exclusivamente, que se aumenta a renda municipal. O crescimento da receita tem lugar com o aumento da produção agropecuária e fabril.
(...) O prefeito moderno tem de sair de sua cadeira para verificar a produção dos campos, a saúde de seu povo, a alimentação de sua gente e a utilidade do solo de que dispõe o município.
(...) Nenhuma criança poderá estudar, sem beber um pouco de leite. Nenhum homem poderá resistir ao trabalho numa sociedade desprovida de vitaminas.

(...) Como órgão executivo, tem sido o município vítima das mais tremendas decepções, pois que os seus principais agentes funcionais, eleitos ou nomeados, não têm sido, senão, os políticos malversados em administração, que gastam as suas verbas, quando muito, em obras mortas de alvenaria ciclópica talvez, mas alheias ao desenvolvimento de sua indústria, única fonte capaz de produzir dinheiro para multiplicar a sua receita.”

sábado, 6 de agosto de 2016

SOBRE A ORIGEM DO NOME CEARÁ-MIRIM


Sobre a origem do nome CEARÁ-MIRIM.

Muitas pessoas perguntam a origem do nome Ceará-Mirim e, também, questionam sobre o nascimento do índio Poti, o Dom Antonio Philippe Camarão em terras do baquipe. Pois bem, não sei dizer o que é certo, no entanto, Nestor Lima, no Município do Rio Grande do Norte: Ceará-Mirim e Currais Novos, 1937 faz a seguinte referência:

“O nome SEARÁ relativo ao rio e à várzea, que é hoje o afamado centro açucareiro, já era conhecido em 1602, ou melhor, 1604, quando Jerônimo de Albuquerque concedeu terras a Affonso Alvares (Auto de repartição das terras do Rio Grande, (Ver. Inst. Hist. Vol. VIII, pag. 30).
Somente 3 ou 5 anos mais tarde, (1607) é que foi fundada a aldeia do Ceará, por iniciativa dos jesuítas Francisco Pinto e Luiz Figueira, sob a proteção do chefe potiguar Amany (Algodão), segundo o des. Luiz Fernandes, (cit. Ver. Pag. 101), e Barão de Studart (Datas e Fatos para  Hist. Do Ceará, 1º vol. Pag. 6). O nome da aldeia resultou do lugar e do rio que os fundadores deixaram aqui. Mas, o Ceará do norte cresceu e tornou-se capitania e província. Quando se tratou de mudar, para o povoado “Boca da Mata”, a sede do município de Extremoz, deu-se à nova vila o nome de Ceará-Mirim, para distingui-la do Ceará-Grande, como as vezes chamavam o território além de Tibau.

Mas, o que não tem é que o primitivo nome Seará ou Ceará, pertencia ao rio e a várzea, que os agentes de El Rey, em 1614, consideravam “muy formoso rio dagua doce, que alaga a dita várzea” e que daria “muy formosos canaviais”. (Ver. Inst. Cit. Vol. Pag.9). Ainda existe o lugar Ceará, que fica perto do Tabuão, aonde, diz a tradição ter sido a taba dos potyguares e nascido o chefe imortal, Poty ou Potyguassú, posteriormente, D. Antonio Philippe Camarão.”

terça-feira, 19 de maio de 2015

JULIO GOMES DE SENNA - 118 ANOS

Dr. José Fernandes Senna, sua esposa Aline e o filho Ricardo Senna
Abertura do Memorial Julio Gomes de Senna
Esc, Mun. Julio Gomes de Senna - Ceará-Mirim/RN

Julio Gomes de Senna nasceu em Ceará-Mirim a 20 de maio de 1897, era filho de Galdino Gomes de Senna e Maria Gomes de Senna e casado com Maria Salomé Fernandes de Senna. Do casamento teve três filhos, Nilton Fernandes Senna (felecido), Jose Fernandes Senna e Nedy Fernandes Senna (falecida). Faleceu no Rio de Janeiro aos 10 de junho de 1972.
Concluiu o curso secundário no Atheneu Norte Riograndense, em Natal, formou-se em 1933, como Engenheiro Topógrafo e Rural, na Escola Superior de Medicina Veterinária e Agronomia de Belo Horizonte/MG e, como Engenheiro Agrônomo pela Escola Agrícola da Bahia, Salvador, em 1935. No Rio de Janeiro fez o Curso Normal de Técnico em Assuntos Postais-Telegráficos, na Escola de Aperfeiçoamento dos Correios e Telégrafos, em 1940. Recebeu títulos do Curso de Agrônomo Regional pelo Ministério de Agricultura e do Curso de Ecologia Agrícola do Professor Girolamo Azzi, da Escola Nacional de Agronomia. Foi também diretor, em 1938, do Campo Experimental “Octavio Lamartine”, em Jundiaí – Macaíba – RN, do Ministério da Agricultura.
No DCT, exerceu ainda, entre outras chefias, a de chefe de tráfego postal da Diretoria Regional do Distrito Federal (GB-Rio); de Inspetor Geral do DCT e de Presidente de várias Comissões de Inquéritos Administrativos.
Em 1942 foi comissionado chefe da Seção do Pessoal da Diretoria Regional dos Correios do Estado de Goiás, sendo em 1944, requisitado por Dr. Pedro Ludovico, Interventor Federal, ao Sr. Presidente da República, para chefiar a Seção de Engenharia e produção, do Município de Anápolis, Estado de Goiás.
A experiência com pesquisas científicas se deu a partir da defesa da tese de graduação “O algodão e as secas do Nordeste”, em 1935 quando colava grau de Engenheiro-Agrônomo na Escola Agrícola da Bahia.
Em 1939 foi convidado pelo então prefeito de Ceará-Mirim Pedro Heráclito Pinheiro, para fazer o levantamento geográfico do município, ainda não existente, em obediência aos dispositivos do Decreto 311, de 2 de março de 1938 e, naquela ocasião completou suas anotações anteriores, já enriquecidas de dados colhidos em 1915, quando, como diarista da “Comissão de Estudos do Vale do Ceará-Mirim”, do Governo Federal e sob a direção do engenheiro Abreu e Lima, foram encarregados de fazer a medição e o alargamento do leito do Rio Água Azul, no trecho Usina São Francisco – Bacia do Pirpiri, além de outros trabalhos.
Em 1956 apresentou no II Congresso Brasileiro de Engenharia e Indústria, realizado no Rio de Janeiro sob os auspícios do Clube de Engenharia uma tese sobre a cultura do trigo, baseada nas condições ecológicas do Goiás. Intitulada “A Farinha de Trigo poderá ser fabricada no Centro Geográfico da Nação Brasileira”, que foi aprovada, conforme consta em seus “Anais”.
As anotações registradas por Dr. Julio Senna durante o período em que prestou serviços no vale do rio Ceará-Mirim resultaram na publicação dos livros Ceará-Mirim exemplo nacional volumes I e II, que trata de um estudo detalhado sobre o município.
Os livros foram publicados pela família após o falecimento do autor. O lançamento do Ceará-Mirim Exemplo Nacional volume I foi em 28 de janeiro de 1975 na Livraria Universitária e apresentado pelo ilustre cearamirinense Dr. Edgar Barbosa, onde fala da importância do trabalho realizado pelo Dr. Julio Senna:
            “Devotamento a uma causa e fidelidade à memória do esposo e pai desaparecido, enaltecem a apresentação desse livro de Julio Gomes de Senna perante a nobreza intelectual do Rio Grande do Norte. A Academia de Letras e a Livraria Universitária patrocinam a divulgação da obra do nosso conterrâneo do Ceará-Mirim, que tanto desejou que o seu heróico esforço sobrevivesse para chegar às mãos da juventude. Porque, sendo uma Geografia, uma História, uma Sociologia, e, antes de tudo, um dos mais sérios trabalhos de reflexão e pesquisa, o livro de Julio Senna, cheio do sentimento da terra de que ninguém se desprende sem perder a alma, é também um apelo aos jovens para que estudem os nossos problemas.
            Em nossa limitada bibliografia sobre os temas abordados em “Ceará-Mirim, Exemplo Nacional”, poucos estudos se revestem da autenticidade, da paixão científica, do método expositivo dessa obra que somente uma adulta evolução universitária saberá premiar. Através de conceitos tão autorizados quanto lisonjeiros, conterrâneos como Nilo Pereira, Miguel Seabra Fagundes, Manoel Rodrigues de Melo, Raimundo Nonato da Silva e Francisco Rodrigues Alves, julgaram esse livro, que mereceu laurel distinto do Conselho Nacional de Geografia. Podemos afirmar, portanto, que “Ceará-Mirim Exemplo Nacional”, se distingue de outros ensaios e monografias do gênero em dimensões de um quadro de toda a vida nordestina, especificamente da zona do agreste e das áreas classificadas como “vales úmidos” do Nordeste Oriental.
            A crítica certamente dirá que o Autor se propôs a realizar uma prospecção geo-socio-econômica na qual, ainda uma vez, transparecem seu fecundo bairrismo e seu conhecimento, adquirido palmo a palmo, das realidades do município brasileiro. Ousamos acrescentar que Julio Gomes Senna fez algo mais do que um estudo a terra e do homem. Deixou-nos um método, uma classificação de realidades e problemas que, por vezes, passam despercebidos aos simples contempladores da paisagem.
            Guardadas as proporções com o espírito e a cultura vigentes na época, “Ceará-Mirim, exemplo nacional”, se aproxima do livro com o qual, em 1902, Euclides da Cunha atraiu a inteligência brasileira para a compreensão do meio físico e o estudo das profundezas da nossa índole. No se leve isso em conta de exaltação de conterrâneo entusiasta.  Se Euclides, vislumbrando o sertão agressivo de canudos, encontrou oásis nas ribanceiras do “Vaza-Barris”, Julio Senna fez do rio Ceará-Mirim o seu motivo de epopéia. Do leito de regatos perdidos no mapa, tem surgido a História de povos ilustres. E o rio Ceará-Mirim já venceu, nas meditações de Nilo Pereira, recordando um seu modesto afluente, o “Água Azul”, o fidalgo rio Sena, banhado por dois mil anos de grandeza.
            No lançamento do livro na cidade de Ceará-Mirim em 04 de fevereiro de 1975, o então prefeito Ruy Pereira Junior fez a apresentação exaltando o nome do ilustre escritor dizendo que aquele momento era imortalizado como marco de veneração ao insigne filho que projetou tão alto o nome da terra dos verdes canaviais, cantada no seu aureolado livro “Ceará-Mirim Exemplo Nacional” em cujas páginas não faltam as descrições racionalmente apresentadas num escalonamento perfeito das matérias, com esquemas analíticos os mais profundos desde o estudo físico da terra aos fenômenos meteorológicos, à Flora, à Fauna, ao Homem, à Saúde, à História, à Administração e até à Política, num manancial de dados, análise, citações que perplexarão embevecidos os estudiosos da nossa terra.
            Nilo Pereira em suas Notas Avulsas, publicada no Jornal de Commercio em Recife – 16/02/1975, fala sobre a importância do estudo de Julio Senna:
            “Volto ao Ceará-Mirim para a apresentação do livro de Julio Senna, primeiro volume. O título é muito sugestivo – “Ceará-Mirim, exemplo nacional”. O tema denuncia um líder municipalista, O Prefácio é de Edgar Barbosa. E a lição que se recolhe é a da terra – suas riquezas, seus privilégios, sua ecologia, aves, animais, águas.   
            Antes de falar sobre o homem, Senna explica a terra. O mesmo que Euclides da Cunha n’Os Sertões. Ninguém compreenderia Canudos, Antonio Conselheiro, os jagunços, o fanatismo bárbaro sem a rudeza do meio. Vi Canudos. Debrucei-me sobre aquele reduto solitário. Ali vagava ainda a sombra do Conselheiro. As batalhas ressoavam entre montes sinistros.
            No Ceará-Mirim a terra explica o homem, que chamei um doce “caniço pensante”. Julio Senna mostra – como já o havia feito Gilberto Osório de Andrade – que a perenidade do vale vem toda dos olheiros. O rio Ceará-Mirim não é o Nilo: - quando se retira, depois das suas enchentes, que deslumbraram os meus olhos de menino, não deixa o limo fecundante. Trata-se dum soberano destronado, desnilificado. Júlio Senna abre toda uma série de estudos sobre a terra, Seu trabalho é de inteira idoneidade científica. Sugeri que fosse o seu livro adotado nas Escolas de nível médio e universitário. Interessa não apenas ao Ceará-Mirim, mas a todo o Rio Grande do Norte.
Minha relação com a família de Julio Gomes de Senna iniciou em 2007 quando conheci seu filho o engenheiro José Fernandes Senna. Desde as primeiras leituras do Ceará-Mirim Exemplo Nacional que me identifiquei com  o trabalho do autor, provavelmente, pela minha experiência com temas sobre geologia, hidrografia, mineralogia, geografia, do tempo da pesquisa com diamantes e tão bem tratados no livro. Essas observações chamaram a atenção do Dr. José Fernandes que, também, se identificou comigo surgindo uma grande amizade.
Esse contato sincero se intensificou com o tempo e a família de Julio Senna foi confiando todo seu acervo particular para que catalogasse e estudasse, e, quem sabe, fizesse uma publicação futura.
Em 2010 instalamos na Escola Municipal Dr. Julio Senna um pequeno nicho de vidro onde ficariam permanentemente expostos alguns equipamentos do acervo do patrono.
No ano de 2012 Dr. Jose Fernandes planejou adquirir um imóvel para que instalássemos o “Memorial Julio Gomes de Senna”. Sugeri que fosse instalado na escola. Naquele ano, após conversa com o prefeito, a família de Dr Julio Senna contratou o arquiteto Cicero Marques para fazer o projeto do tão sonhado memorial, pois, tínhamos uma promessa que poderia ser construído com a reeleição do então prefeito.
Enquanto aguardávamos os acontecimentos, Dr José Fernandes construiu um pequeno espaço na escola para instalar o Memorial Julio Gomes de Senna como homenagem pelos relevantes serviços prestados por seu pai à sua terra natal e expor os equipamentos e artefatos, coletados e usados, pelo patrono da escola ao longo de sua vida.
O memorial que foi projetado não saiu do papel, no entanto, ficou o sonho registrado, e quem sabe um dia, possa ser construído beneficiando toda comunidade escolar e a população de Ceará-Mirim.


Deixamos um Memorial modesto instalado na escola e esperamos que a comunidade escolar e as gestões, atual e as que virão, zelem e preservem tudo que ali foi exposto em respeito ao esforço da família e, principalmente, à memoria do grande cientista cearamirinense Julio Gomes de Senna.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

CEARÁ-MIRIM MAIS UMA VEZ NO MISSÃO PEDAGÓGICA NO PARLAMENTO
 Comissão de Cultura - Congresso Nacional - Brasilia/DF

O Missão Pedagógica no Parlamento é um programa criado pela Câmara dos Deputados com o objetivo de oferecer aos educadores formação em educação para democracia. Esse foi o quarto programa destinado a professores realizado pelo Legislativo no âmbito federal.
O programa busca a construção de uma rede nacional de professores sensibilizados para a importância da inserção da educação para a democracia nas práticas pedagógicas das escolas.
Os professores participam de uma intensa semana de formação em Brasília, e também contam com módulos a distância, nos quais aprendem e socializam saberes e práticas para fazer da escola um espaço privilegiado para a vivência de experiências e valores democráticos e para o fortalecimento da cidadania. Além disso, conhecem de perto a Câmara dos Deputados.
A cada edição, são selecionados 54 professores da rede pública de ensino de todo o Brasil - dois de cada estado e do Distrito Federal. As despesas para participação no encontro em Brasília são custeadas pela Câmara dos Deputados.
Em 2012 para participar do processo seletivo, o professor deveria atuar nos Ensinos Fundamental e/ou Médio e apresentar o relato de uma experiência pedagógica na qual abordasse os temas de democracia, cidadania, política e/ou poder legislativo com seus alunos.
Naquele ano tive a grande satisfação de ter sido selecionado para o Missão Pedagógica no Parlamento pela primeira vez. Foi com grande alegria que recebi o comunicado informando da minha seleção para participar do programa juntamente com mais 53 professores de todo o país. Cada Estado foi representado por dois professores. No RN, fomos Eu e a professora Maria Aparecida que atua na cidade de Jaçanã.
Para participar do Missão Pedagógica, fiz a inscrição com o projeto “O papel reciclado e sua reutilização sustentável” que foi desenvolvido na Escola Estadual Professor Otto de Brito Guerra. Este projeto só foi realizado devido a parceria com o Ministério Público, que viabilizou todos os equipamentos necessários e da equipe gestora da escola que acreditou no nosso trabalho.
Foi uma experiência indescritível e, também, inesquecível! O encontro foi importante para a nossa formação como professor. A troca de experiências com os outros colegas foi de um valor incalculável, sem destacar, ainda, as aulas dialogadas sobre educação para a democracia.
Apresentando nosso projeto em 2012 - Congresso Nacional
De galante de Boi de Reis - homenagem aos 76 anos de Mestre Luis Chico - do Boi de Reis de Matas
Na ocasião apresentei o projeto fazendo uma homenagem a cultura popular de nossa terra, representei minha cidade e meu Estado vestido de galante de Boi de Reis, uma homenagem ao grande folclorista potiguar Luiz da Câmara Cascudo, e principalmente, uma saudação especial ao mestre Luiz Chico, do Boi de Reis do distrito de Matas, que completara 76 anos no dia 21 de agosto daquele ano.
Neste ano de 2014, voltamos ao Missão Pedagógica no Parlamento, apesar de ser regra do MPP que quem já participou de alguma edição, não deva participar mais, de modo a gerar oportunidades para outros professores. No entanto, para esta quarta edição, a organização do intercâmbio resolveu abrir vagas para quatro professores que já tivessem participado de uma das três últimas edições. Uma vez interessado, o ex-participante deveria se inscrever com um projeto que tivesse desenvolvido em sua escola depois de ter participado das formações no MPP.
Informado desta oportunidade fizemos a inscrição com o projeto realizado na Escola Estadual Monsenhor Celso Cicco cujo tema é “Ceará-Mirim conhecer para preservar e concorremos com mais de 70 projetos inscritos por professores de todas as regiões do Brasil. Nosso projeto tem por objetivo conhecer características fundamentais do patrimônio cultural de Ceará-Mirim nas dimensões material e imaterial como meio de construir progressivamente a noção de identidade, cidadania e democracia fortalecendo o sentimento de pertencimento e valorização dos bens históricos e culturais do município.

Nesta edição do Missão Pedagógica no Parlamento o Rio Grande do Norte foi representado por quatro professores, dois deles selecionados pelo processo normal, o professor Italo de Parnamirim e a professora Rosângela da cidade de Jaçanã  e os outros dois, selecionados através de projetos apresentados em outras edições, o professor Oton Mario, da cidade de Jaçanã e o professor Gibson Machado da cidade de Ceará-Mirim. Pela primeira vez quatro professores do RN representados no Missão Pedagógica no Parlamento. Destacando a cidade  de Jaçanã representada nos anos de 2011, 2012 e 2014 nas edições do MPP. Parabéns pelo compromisso com a educação.
A troca de experiências com os novos professores em Brasília foi muito importante pela oportunidade de conhecermos outras culturas e, também, novas vivências pedagógicas.
O conhecimento que adquirimos em um encontro como o MPP é de valor inestimável e de uma importância ímpar para o crescimento profissional de cada um.
Na oportunidade participamos de uma simulação na Comissão Parlamentar onde foram discutidos assuntos relacionados ao projeto de Lei 1.139-D de 2007 e projetos apensados, destinados a propor mudanças à Lei Rouanet, promovendo uma distribuição mais justa dos recursos entre as regiões do Brasil e possibilitando a construção de um Fundo Nacional de Cultura mais forte.
No ultimo dia do encontro tivemos a oportunidade de apresentar, para todos os professores que participaram do MPP-2014, nossa experiência pedagógica realizada em Ceará-Mirim, na Escola Estadual Monsenhor Celso Cicco, que tem como parceiro institucional a Câmara de Vereadores, através do vereador e presidente daquela casa legislativa, Renato Martins.
Apresentando nosso projeto em 2014 - Congresso Nacional

Durante a apresentação de nosso projeto fiz questão de vestir a indumentária do Mestre Severino Roberto do grupo folclórico “Cabocolinhos de Ceará-Mirim” como forma de divulgar a cultura de minha cidade e do Estado do RN. Penso que não poderia deixar de dividir nosso trabalho com todos aqueles que lutam pela valorização e preservação das tradições populares da terra de Poti e, a força do mestre Birico, estava simbolizada no capacete e na roupa que estava usando, desta forma, fortaleceu e enriqueceu muito mais nossa exposição, mostrando para todo o Brasil que Ceará-Mirim tem jeito!!

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

CENTENÁRIO DO MESTRE TIÃO OLEIRO

100 ANOS DE CULTURA POPULAR
MESTRE TIÃO OLEIRO – SEBASTIÃO JOÃO DA ROCHA
Por Gibson Machado - Professor de Arte e Pesquisador


         A vida de Sebastião João da Rocha – Tião Oleiro - se confunde com a história de Ceará-mirim. Nasceu em 14 de maio de 1914, no engenho Grande, propriedade de Antônio Sobral e Dona Bela. Sua infância foi nos terreiros dos engenhos e nas grotas do rio Ceará-Mirim onde brincava de galinha Gorda, Tica e de escorregar nas ribanceiras lisas do rio, porém, foi na bagaceira do Engenho Grande que viveu parte de sua vida.

Muito pequeno observava a labuta dos mais velhos nos eitos dos engenhos. Assim, foi adquirindo experiências e, em pouco tempo, estava trabalhando na porteira da bagaceira e espalhando a bandeira da cana. Foi seu primeiro trabalho e, por esse serviço, recebia três tons!

Costuma dizer que o Engenho Grande foi seu maior professor. Foi seu Mestre! E lá exerceu todas as funções, começando na bagaceira até o último posto, o de foguista, onde trabalhou enquanto o “velho engenho grande” estava de fogo aceso!

Durante o período em que trabalhou nos engenhos, aprendeu a tocar acordeon, comprou uma sanfoninha de oito baixos, e, nas horas de lazer e folga, animava, como músico, os bailes de pastoris, boi de reis e pagodes no vale do Ceará-Mirim, profissão que exerceu depois que deixou de trabalhar nos engenhos.

A grande contribuição do Mestre Tião para a cultura de Ceará-Mirim e do Brasil foi conseguir, durante 90 anos, preservar as tradições populares do Congo de Guerra, grupo folclórico, criado por seu pai João da Rocha, no final do século XIX.

A congada é um auto popular que faz referências às lutas medievais entre cristãos e mouros, e, também, às embaixadas, da rainha Jinga, soberana africana, que viveu na África no século XVI. Portanto, uma manifestação popular, que traz em suas raízes a pluralidade cultural transmitida por várias gerações.

O mestre é uma enciclopédia viva e, apesar da senilidade, está generosamente à disposição para dividir o que sabe com aqueles que têm interesse e necessidade de conhecer as raízes da existência.

Pela sua contribuição à cultura do Ceará-Mirim, em 2004, o mestre Tião e seu Congo de Guerra, foram ovacionados quando apresentamos um grupo de trabalho no Fórum Social Nordestino, na Universidade Federal de Pernambuco, na cidade de Recife.

No ano de 2005, o Canal Futura, através da Fundação Roberto Marinho, criou o programa “A beleza do meu Lugar” baseado na luta de Seu Tião em prol da cultura popular. Neste programa foram documentados 16 mestres brasileiros. Três do Rio Grande do Norte, entre eles, o nosso Tião Oleiro. Este programa vai ao ar, diariamente, pelo Canal Futura, em todas as redes associadas da Rede Globo de Televisão. Por este documentário, a Fundação Roberto Marinho mandou pintar um mural no corredor de sua sede no Rio de Janeiro com a imagem de Seu Tião. Este documentário concorreu ao 19º Premio de Curtas de São Paulo naquele ano.

Ainda em 2005 a equipe do Projeto Vernáculo documentou a história de Mestre Tião e o Congo de Guerra. Este documentário concorreu ao 9º Premio de Curtas Potiguares.

Neste mesmo ano, o então Presidente da Câmara de Vereadores, Ronaldo Rodrigues fez homenagem ao Mestre pelos serviços prestados à cultura do município.
No ano de 2009 ele foi reconhecido como Patrimônio Vivo do Rio Grande do Norte pela Fundação José Augusto, através do projeto RPV de autoria do deputado Fernando Mineiro.
Ainda em 2009, o então presidente da Câmara de Vereadores Julio Cesar, atendendo uma solicitação nossa, homenageou os mestres Tião Oleiro e Zé Baracho, durante a Câmara Itinerante na comunidade de Massangana.

No ano de 2011, os professores do IFRN Pablo Capistrano e Suély Souza, fizeram o documentário “Seu Tião e a História do Congo de Guerra” para o Projeto de Cultura Potiguar exibido naquela instituição.

Neste ano de 2014, a Academia Cearamirinense de Letras e Artes, homenageou o mestre Tião pelos serviços prestados à cultura do município.

Dia 22 do mês corrente, foi homenageado, nacionalmente, pela Teia Nacional da Adversidade 2014, evento realizado em Natal com todos os pontos de cultura do pais.
          
         Em maio de 2014, fizemos solicitamos ao vereador Renato Martins que elaborasse um Projeto de Lei criando o 14 de maio como Dia Municipal da Cultura. O projeto apresentado pelo vereador Renato Martins foi aprovado por unanimidade e em 09 de julho de 2014 foi sancionada a Lei que cria o “14 de maio” como Dia Municipal da Cultura em homenagem ao nascimento do Mestre Tião Oleiro.


          Este ano de 2014 o Ministério da Cultura apreciou o mérito de 206 propostas, que dentre as indicações foram acatadas 30, para apreciação do Conselho da Ordem e posterior publicação por meio de Decreto. Em 05 de novembro de 2014 o Ministério da Cultura e a presidência da República entregará a Ordem do Mérito Cultural ao mestre Tião Oleiro pelos serviços prestados a cultura do país.  A Ordem do Mérito Cultural, instituída pelo art. 34 da Lei n.º 8.313, de 23 de dezembro de 1991, e regulamentada pelo Decreto n.º 1.711, de 22 de novembro de 1995, tem por finalidade premiar personalidades nacionais e estrangeiras que se distinguiram por suas relevantes contribuições prestadas à Cultura.

A cada edição do prêmio o Ministério da Cultura almeja, também, homenagear personalidades da cultura nacional, entre outros grandes nomes, o Ministério homenageou, em edições anteriores, a vida e obra de Heitor Villa-Lobos, Luiz Gonzaga, Oscar Niemeyer e Tomie Ohtake.