segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A OBRA E O ARTISTA

ENSAIO CONTEMPLATIVO

A OBRA E O ARTISTA

Momento ímpar para nosso dileto artista plástico Julio Siqueira, ver sua obra prima subir, como se fosse pro céu, e, lá de cima, um simulacro, protegendo toda Ceará-Mirim, sua gente...envolvendo o vale com seu manto azul celestial.... O menino que entrou para a história através de seu talento e da inspiração divina...Os artistas têm, felizmente, a inspiração da alma, que é uma ponte para o universo metafísico e o olho mágico a fim de criar o que não é possível ver com o olhar..Parabéns amigo, esta é a primeira de suas grandes conquistas!!


sábado, 20 de julho de 2013

ANDANÇAS


Conceição do Araguaia - Pará - 1984
No tempo que trabalhava com pesquisa de diamantes
Com ares de revolucionário

BAÚ DE MEMÓRIA


Guarda Municipal de Ceará-Mirim na década de 1960
administração Aderson Eloy de Almeida
Os guardas da esquerda para direita: 
Baião,Pernambuco, Monteiro e José.

ATIVIDADES PEDAGÓGICAS


Noção de fotografia com a turma da professora Denize Farias 
Escola Estadual Interventor Ubaldo Bezerra de Melo - Ceará-Mirim/RN

ENSAIO CONTEMPLATIVO


Luar de Ceará-Mirim no antigo Olheiro Pedro II

FOTOPOEMA


FotoPoema uma parceria com minha fotografia do Rio Ceará-Mirm e obra poética do amigo poeta Ciro José Tavares.

sexta-feira, 19 de julho de 2013


ANTIGA RUA DA AURORA

"O centro da vida da cidade, entretanto, era a Rua da Aurora, onde o café de Jorge Moura, o cinema Rialto e o Café Central se constituíam as atrações diárias de toda a gente.

A Rua da Aurora era o lugar de todas as concentrações, sobretudo as carnavalescas.

Não tendo ainda recebido o tratamento do progresso, a pavimentação não alcançara a Rua da Aurora e frondosos pés de fícus benjamim, imunes a quaisquer lacerdinhas, davam um verde colorido de esperança à festejada rua..."

(Vultos, fatos e saudades - Inácio Cavalcanti).

FOTOPOEMA


quinta-feira, 18 de julho de 2013

O GRANDE VAQUEIRO LUIZ DE AMÉRICO

Fiz esta entrevista em 29 de junho de 2009 - Infelizmente o Mestre Luiz já faleceu!

O VAQUEIRO LUIZ DE AMÉRICO - LUIZ CABRAL DE OLIVEIRA
 
                Em 29 de junho 2009, tive o prazer de conhecer o Mestre Luiz de Américo, tio do meu amigo Ionaldo Oliveira, que me apresentou ao grande vaqueiro. Homem de riso fácil, humilde e cativante... Fui conquistado pelo seu carinho! Esse dia ficará gravado para sempre.
                Em 08 de outubro de 1918 nascia em Ceará-Mirim Luiz Cabral de Oliveira, filho de João Maximiniano da Mota e Isabel Cabral de Oliveira. Dois dias após seu nascimento, sua mãe faleceu deixando nove filhos, sete homens e duas mulheres.
                Após a morte da mãe, o menino Luiz foi morar com um tio chamado Américo, irmão de Isabel, que tinha propriedade na localidade de Gravatá, no município de Ceará-Mirim. Além de criá-lo, Américo cuidou também de seus irmãos Orlando e Francisco. Em virtude de ter sido criado por esse tio o menino passou a ser conhecido por Luiz de Américo.
                Como não havia recém nascidos na região, ele foi amamentado por uma vaca muito mansa chamada Mimosa. Enquanto o animal era alimentado com capim, Luiz se deliciava em suas têtas. Tempos depois, a empregada que cuidava dele, a pedido de seu patrão, o ensinou a tirar o leite que colocava dentro de uma pequena cabaça, e misturava com farinha para se alimentar. Para seu grande amigo o ex-governador Cortêz Pereira aquele leite que bebera na infância tinha sido o “imã do gado” para Luiz de Américo.
                Cresceu nos arredores da Lagoa de Gravatá banhando-se e correndo atrás de gado, que era seu maior divertimento.
                Américo era homem de posses, além da propriedade, foi também proprietário – por arrendamento – do engenho Divisão que arrendou de Henrique Torres por um período de cinco anos. Luiz não se interessou pelas coisas do engenho porque o que ele queria mesmo era ser vaqueiro, campear o gado. Quando seu tio e pai Américo o mandava para a escola, no distrito de Capela, ele desviava o caminho e se embrenhava nas capoeiras em busca de gado para campear. Um dia seu pai descobriu a “mutreta” e deu-lhe uma boa sova, como ele mesmo descreve: “meu pai só dava duas braçadas, mais ninguém esquecia”.
                 Na era de 1920, quando tinha seis anos viu o ex-presidente da República Afonso Pena que veio para a inauguração de uma Estação Ferroviária entre Lages e Macau. Após as festividades Afonso Pena retornou e permaneceu em Ceará-Mirim onde teve uma grande festa em sua homenagem. Foi a primeira vez que Luiz assistiu uma vaquejada tão grande. O pátio foi montado em frente a igreja matriz, no centro do largo, que era limitado por duas fileiras de fícus benjamim. Ali nascia o vaqueiro que seria conhecido em todo o Rio Grande do Norte e Nordeste do Brasil.
                Quando seu pai faleceu, tinha 15 anos, então, sai da cidade e vai trabalhar em outros lugares. Ao regressar segue o conselho de Américo que um dia disse: “você comece a pensar na vida e se encoste numa pessoa que tenha nascido com posses, porque vão desaparecer seu pai, sua mãe e um grande amigo e você precisa vencer. Pensando nisso, procura trabalho com um grande fazendeiro da região conhecido como Major Vital Correia.
                Passou parte de sua vida trabalhando com o Major Vital Correia, que o considerava homem de confiança nas competições de vaquejada. Prova disso é que só quem montava o cavalo conhecido como “Patas Brancas” eram eles dois.
                No final dos anos 1940 Major Vital o mandou trabalhar em suas terras no sertão. Lá, conheceu Angelita e iniciou um romance através de olhares e conversas “relâmpagos”, pois flertavam em segredo. Desses olhares nascia uma paixão que levou Luiz a pedir a mão da donzela em casamento aos seus tutores. Não satisfeito veio à Ceará-Mirim falar com o pai da moça que era subdelegado na cidade de Pedro Avelino, para confirmar sua intenção e receber autorização deles para o matrimônio. Com o consentimento, regressou à fazenda e acertou com ela o contrato.
                O vaqueiro saiu do sertão deixando sua amada esperando por um bom tempo. Nesse período eles não se corresponderam e nem se viram, foi um afastamento de um ano. Quando resolveu que tinha chegado a hora, pediu permissão ao Major Vital para ir buscar sua amada. O Major prontamente o atendeu dando-lhe dinheiro e total apoio para a viagem. Casou-se em 1950 e permanecem juntos até os dias atuais.
                Esse grande vaqueiro representou o Estado do Rio Grande do Norte ajudando a divulgar o esporte de vaquejada em todo território nacional.
                Em 1942 o Major Vital Correia promoveu uma grande vaquejada para o General do Exercito Brasileiro Cordeiro de Farias, uma vez que o mesmo não conhecia o esporte. O evento aconteceu na fazenda Betânia e o maior destaque daquele dia foi o vaqueiro Luiz de Américo.
                Em 1953, no governo de Silvio Pedroza, foi realizada a primeira grande vaquejada em Natal, no Estádio Juvenal Lamartine. O evento foi organizado pelos esportistas Dr. Estelio Ferreira e José Ubarana. Foi uma disputa entre o Rio Grande do Norte e a Paraíba e Luiz de Américo deu o 1º lugar ao Estado do Rio Grande do Norte.
                Tem orgulho de ter sido convidado pelo então deputado Teodorico Bezerra para representar o Rio Grande do Norte, em 1955, na cidade de Santa Cruz do Inharé quando o presidente Juscelino Kubitschek visitou o estado. A festa foi muito concorrida, as pessoas vinham para conhecer o presidente. Nesse dia, o vaqueiro Dão João puxou um boi e partiu seu rabo, fato que o presidente viu e pediu o pedaço do rabo enrolando-o em jornal para levá-lo como lembrança.              
                Em seu tempo as vaquejadas eram organizadas de forma que os bois eram classificados em Gado Duro (de mais de 20 arrobas – acostumado a ser puxado); Gado Médio (de 15 a 19 arrobas – acostumado a ser puxado) e Gado mole (de 8 a 14 arrobas – que nunca tenha sido puxado) e cada rês só poderia correr uma única vez, conforme escrita no capítulo IV do Regulamento da Vaquejada “Jubileu de Ouro” realizada nos dias 28 e 29 de maio de 1955, na cidade de Natal/RN.
                Uma grande frustração aconteceu no ano de 1958 quando não terminou a competição entre os estados de Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas. Ele fazia dupla com o saudoso Roberto Varela e estavam em primeiro lugar quando, na penúltima disputa, foi acidentado e lamentavelmente não pôde continuar. Nesse dia os louros foram para os norte-rio-grandenses Estelio Ferreira e Pedro Bento.
                Esse grande mestre dedicou toda sua vida às vaquejadas, onde divulgou e deu glórias ao Estado do Rio Grande do Norte. Lamenta ter sido esquecido pelas autoridades do Estado. Foi lembrado durante o governo de Cortês Pereira, que o convidou para ser administrador do Parque 13 de Maio a principal praça esportiva de vaquejada.
                Hoje aos 90 anos o mestre vaqueiro olha para o horizonte e lembra um passado de vitórias e glórias que eram embaladas por aplausos e reconhecimentos de uma arte nascida no sertão do Seridó, onde os grandes protagonistas eram o valente peão, o cavalo e o boi.
                Considerado como PATRIMÔNIO VIVO, Seu Luiz reside, com sua eterna companheira,  em Igapó, e lamenta não ser reconhecido como um homem que passou toda sua vida trabalhando pela cultura de sua terra e levando a arte do vaqueiro a todos os recantos do Nordeste.
                Como cearamirinense que é, o mestre poderia ser homenageado em sua terra e, quem sabe, nossos representantes encontrem uma forma de gratificá-lo com uma aposentadoria reconhecendo seu valor como Patrimônio Cultural e, também, possam refletir em um projeto que beneficie todos os grandes mestres que estão no anonimato, esquecidos e que deveriam ter um salário vitalício como forma de incentivá-los a repassar seus conhecimentos às novas gerações contribuindo para o fortalecimento e preservação de nossas tradições.
                Nossos mestres estão à espera de uma política de cultura que os façam “existir” como representantes legais de nossa cultura e não simples brincantes que eventualmente aparecem fantasiados dançando ou correndo como meros “marionetes”. Vamos lutar em respeito a todos esses grandes filhos de Ceará-Mirim: Luiz de Américo, Tião Oleiro, Luiz Chico, Maria do Carmo, Birico, Belchior. Zé Rodrigues, Luiz de Julia e tantos outros que estão ofuscados pela luz da incompreensão e falta de conhecimento.

MARIA ANTONIETA VARELA


MARIA ANTONIETA PEREIRA VARELLA
Por Denise Gaspar

            Filha de Maria Madalena Antunes Pereira e Olímpio Varella Pereira, Maria Antonieta Pereira Varella nasceu em Ceará-Mirim no dia 09 de maio de 1906.
            Fez seus primeiros estudos com a professora Adele de Oliveira e depois na Escola Doméstica de Natal, tendo se destacado sempre pela sua inteligência, educação, discrição, beleza e simplicidade.
            Casou no dia 01 de maio de 1924 com Luiz Lopes Varella, primo, fidalgo de nascimento e logo usineiro de sucesso, prefeito de Ceará-Mirim, suplente do Senador Kerginaldo Cavalcanti, empresário, dono dos cinemas Nordeste e São Pedro, algumas sociedades com Luiz de Barros e outras com Jessé Pinto Freire.
            Do seu casamento com Luiz Varella nasceram 5 filhos: Marilda, Mariza, Manoel, Roberto e Ione.
1)   Marilda nasceu em 31/01/1925 e casou em 1946, na usina São Francisco em Ceará-Mirim, com o oficial de Marinha João Carlos de Freitas Raulino. Tiveram 5 filhos: Marildinha, Luiz Eduardo, Regina Laura, Carlos Eduardo e Branda Maria.
2)   Marilza faleceu com um ano e oito meses.
3)   Manoel faleceu com 8 meses.
4)   Roberto nasceu em 04 de novembro de 1928 e casou-se em Natal, no ano de 1951, com Maria Elenir Fonseca. Tiveram quatro filhos: Luiz Neto, Cinthia, Márcia e Sheila. Em  1985 uniu-se a Ana Anunciada Costa com quem viveu até o seu falecimento em 04 de outubro de 2006.
5)   Ione nasceu em 26 de janeiro de 1931 e casou em Natal em 1948, com o primo – agrônomo, depois usineiro e deputado federal Eider Freire Varela. Tiveram três filhos: Tânia, Euler e Eudes.
            Antonieta teve papel de grande destaque na vida do seu marido Luiz Lopes Varella. Quando da Intentona Comunista em 1935, Luiz Varella, usineiro, foi paradoxalmente acusado de comunista, tendo sido perseguido e forçado a viajar com toda a família, vivendo humildemente no bairro do Andaraí, costurando em sua residência para o sustento de todos, inclusive sua sogra, a fidalga Dona Etelvina de Paula Lopes Varella.
            Esta passagem enchia de orgulho o seu esposo, que costumava dizer à sua filha Marildinha: “Eu jamais seria o que sou sem Antonieta – ame-a muito e sempre”.
            Era excelente dona de casa, exímia na arte culinária e dotada de requinte ímpar nos menores detalhes. Como anfitriã, recebeu com perfeição as maiores autoridades do Estado e do País, tais como os governadores Aluizio Alves do Rio Grande do Norte, Ademar de Barros de São Paulo e o presidente da República João Café Filho que foi seu hóspede inúmeras vezes.
            Suas casas, quer na usina São Francisco em Ceará-Mirim, como em Natal, eram decoradas com  a mais requintada simplicidade, apesar das pratarias, cristais, porcelanas e quadros valiosos. Nelas, recebia não apenas autoridades e políticos, mas também os humildes, os funcionários, os moradores, familiares e todo aquele que precisasse de caridade ou do aconchego familiar. Suas casas eram abertas a todos, sem discriminação de estado social.
            Mas ela não era apenas uma excelente hostess. Eram inúmeras as qualidades dessa extraordinária mulher: Dona de uma personalidade invejável e possuidora de forte caráter, foi também uma das primeiras mulheres a dirigir automóvel no Rio Grande do Norte. Inteligente, altiva, porém, bastante sentimental e carinhosa, era excelente filha, irmã e esposa, mãe, tia, sogra, avó e bisavó. Acima de tudo, era amiga de seus amigos, e por isso muito bem relacionada em toda a sociedade.
Abel, Antonieta, Vicente e Ruy
            Amava seus irmãos: Ruy, Vicente, Abel e Darquinha, assim como todos os sobrinhos.
            Lembro-me do carinho que dedicou a minha família em 1947 quando meu pai Ruy Antunes Pereira,e minha mãe Odette, resolveram morar em Natal. Como nossa casa estava em construção, ficamos todos – meus pais, o afilhado Ruyzinho e eu – hospedados com os queridos tio Luiz e Antonieta. Época, em que tivemos a honra de privar da hospitalidade desse casal ímpar, que se tornou meus compadres, padrinhos de batismo de meu filho Sérgio Gaspar.
            Como o mesmo afeto e elegância cederam a mansão da Praça Pio X, para a recepção dos casamentos das sobrinhas Gipsy (com Dr. Antonio Montenegro) e Suely (com Dr. Emanoel Alves Afonso).
            Antonieta Varella também fazia filantropia, isolada ou em grupo, ia, por exemplo, sozinha em seu automóvel, para que ninguém soubesse, levar mantimentos aos detentos da penitenciária “João Chaves”, em Natal.
            Foi  uma das fundadoras da ACF (Associação Cristã Feminina) – entidade que recebia moças que vinham do interior para estudar em Natal. Atuou com destaque ao lado de Maria Alice Fernandes, Ivete Bezerra, Cindinha  Dumaresq e Lucia Viveiros, dentre outras. Segunda presidente, em sua gestão foi adquirida a casa onde a associação funciona até hoje – Avenida Prudente de Morais, nº. 300.
            Após perder seu marido, Luiz Varella em 15 de julho de 1976, residiu em seu apartamento no Rio de Janeiro e voltou a morar em Natal e posteriormente em Ceará-Mirim, onde faleceu em 20 de janeiro de 1990.
            Eleita por um jornal da Paraíba como “EXCELSA IMPERATRIZ DA FORMOSURA”, pode ser considerada, pelas suas atitudes e pelo seu caráter, a – “GRANDE DAMA DOS VERDES CANAVIAIS E DO RIO GRANDE DO NORTE”!

segunda-feira, 9 de julho de 2012

FOTOPOEMAS

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PARQUE BOCA DA MATA. UMA TRISTEZA!



Hoje fiquei surpreso quando observei o estado em que se encontra o pouco que resta do “Parque Municipal Boca da Mata”. Esta área foi conquistada pelo Ministério Público, uma luta do promotor Antonio Siqueira para ser uma área de preservação que foi criada em 2008. No entanto, estão derrubando a mata e contrabandeando sua fauna e flora.
Torna-se visível o roubo e o desmatamento em toda sua extensão. É certo que o parque foi apenas criado e inaugurado, entretanto, efetivamente, nunca foi feito nada que o ajudasse a se recompor da degradação e do desmatamento.
Há LEI no município que orienta seja plantada uma árvore naquele local por cada recém-nascido na cidade. Não tenho conhecimento se isso está sendo cumprido. Na verdade há uma área de quase 100 hectares aparentemente abandonada e entregue aos ESPERTOS que, na calada da noite ou mesmo durante o dia, estão se apropriando desse PATRIMÔNIO MUNICIPAL.

A Lei Orgânica do Município no Capitulo IV do Meio Ambiente, Art. 98 diz que:
“Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem como de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Publico e à coletividade o dever de defendê-lo, e de harmonizá-lo, relacionalmente, com as necessidades do desenvolvimento socioeconômico, para as presentes e futuras gerações.
No Parágrafo Único do mesmo Art.98: Para assegurar a efetividade desse direito, incube ao Poder Público:
I – Preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistema;
II – Preservar e diversificar a integridade do Patrimônio genético do Município e fiscalizar, nos limites de sua competência, as entidades dedicadas à manipulação de material genético;
III – Definir, supletivamente à União e ao Estado, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através da lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção;
IV – proteger a FAUNA e a FLORA, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade;
V – Obrigar aquele que explora os recursos minerais a recuperar o maio ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei;
VI – Exigir o reflorestamento pela respectiva empresa de área de vegetação, de onde retirem matéria prima para combustão;


Diante do exposto, é necessário que a população cobre dos candidatos, nesta eleição, o cumprimento da Lei Orgânica que é dos anos 1990 – quem sabe até fazer as alterações necessárias às novas realidades. Por que, senão, o Parque e “Área Verde” do município terminarão sucumbindo às especulações imobiliárias.
Vamos observar, NAS PROPOSTAS DE GOVERNO, o que está sendo abordado para o meio ambiente, a cultura, educação, saúde, segurança, entre outros. É hora da juventude de nossa cidade lutar por uma terra com oportunidades e melhor qualidade de vida. É responsabilidade das novas gerações mudar o sistema político que foi instalado “culturalmente” durante décadas. Um processo falido e injusto, em que os poderes de barganha e econômico imperam nas escolhas, que deveriam ser feitas democraticamente, no entanto, ainda convivemos (infelizmente) com práticas centenárias, em que o “voto de cabresto” ainda roda nas eleições. É um fato, que mudou a forma de fazê-lo, porém, a essência é a mesma.
A degradação do meio ambiente não está sendo somente no Parque Municipal, ela ocorre drasticamente na bacia do rio Ceará-Mirim, principalmente na utilização da areia do rio para a construção civil e nos dejetos jogados no leito. As lagoas de decantação do município é um processo ultrapassado. É necessário que haja saneamento em toda cidade e seja instalada uma usina de tratamento. Além disso, fazer cumprir a lei e reflorestar todas as matas ciliares da bacia hidrográfica do rio Ceará-Mirim. Há exemplo de sucesso com relação ao reflorestamento e recuperação das fontes de água de nossos olheiros. Um exemplo real de reflorestamento no manancial é a recuperação de uma nascente no Rancho Boca da Mata, cuidada por Luiz Correia.
O povo tem o poder de escolher e não é possível que em pleno século XXI onde as tecnologias e a era da informação tornam as comunicações mais rápidas e visíveis, ainda tenhamos que nos curvar às práticas arcaicas de uma gestão pública falida em que os interesses do povo estejam sendo colocado (na prática) em segundo plano, sob uma injusta administração voltada apenas e simplesmente para projetos pessoais.
O ocupante da Cadeira do Solar Antunes deve ter em mente que a cidade e sua população são prioridades e que os projetos de governo apresentados sejam direcionados para o bem estar da população, gerando empregos e qualidade de vida.
Este singelo texto não é nenhum manifesto, nem protesto, apenas, chamo a atenção de nossos conterrâneos para analisar bem quem escolherão para governar a cidade e sua gente. O voto é um instrumento pessoal e uma arma que pode ser usada contra práticas de corrupção, maracutaia, prepotência, ganância, mentira, usura...O voto, neste período de campanha eleitoral, é muito valioso, mas, esse valor não é material, é um valor moral, um valor de cidadania...CEARÁ-MIRIM TEM JEITO!!!

sábado, 2 de junho de 2012

VIVA TIÃO OLEIRO - 98 ANOS



            Em 14 de Maio de 2012, o Sr. Sebastião João da Rocha, o Tião Oleiro, que é o mestre dos “Congos de Guerra de Guanabara”, completou 98 anos de vida, desses, (90) noventa dedicados à cultura popular e (78) setenta e oito ao grupo folclórico Congo de Guerra, que foi revitalizado em maio de 1934.
            O artista popular nasceu em 14 de maio de 1914, no engenho Guanabara, em Ceará-Mirim/RN. Quando criança frequentava os terreiros dos engenhos onde brincava e, ao mesmo tempo, observava a labuta dos mais velhos. Quando podia, sua diversão era abrir cancela e pegar carona nos carros de bois, por conta disso, muitas vezes apanhou de seus pais, no entanto, entre uma surra e outra, foi aprendendo o traquejo das tarefas desenvolvidas pelos agricultores nos partidos de cana. Logo cedo, aos seis anos, ajudava o pai na lavoura, cuja tarefa era espantar os passarinhos.
            Na adolescência o menino Tião ajudava no engenho e, dessa forma, aprendeu todas as tarefas necessárias ao bom funcionamento da fábrica de mel, açúcar e rapadura.
            Chegado o período das moagens, o Senhor Joel, proprietário do engenho Grande testava os maquinários, gerando uma expectativa muito grande nos moradores da região, principalmente quando as máquinas eram colocadas em funcionamento e surgiam os primeiros sinais de fumaça na grande chaminé. Era uma alegria indescritível, todos os empregados ficavam felizes e faziam festa. Começava uma fase de bonança, onde todos teriam condições de viver bem, como ele costuma dizer, de barriga cheia.
            O mestre lembra das madrugadas quando o apito do engenho Grande quebrava o silencio do vale, era hora de iniciar as atividades e, ele, era o primeiro a chegar, pois, muito jovem, corria para tomar garapa de cana. Seus olhos brilham, parecendo sentir o cheiro e sabor do líquido açucarado.
            Certo dia, o gerente de Seu Joel, o velho Estevão, o convidou para trabalhar no engenho, sua tarefa seria alimentar a caldeira. Botar fogo na fornalha. Aos quinze anos iniciou sua vida na labuta dos engenhos, aprendendo o ofício de folgueiro, ensinado pelo velho gerente. Quando era dia de pagamento, ele ficava muito satisfeito e recebia feliz seus dez tons pelo fogo botado na fornalha.
Mestre Tião e Gibson Machado

            A vida de agricultor foi totalmente dedicada ao engenho Guanabara, tudo que aprendeu foi lá. As experiências transmitidas pelos mais velhos, pelos pais, pelos filhos, pelos amigos, cada dia era um ensinamento, por isso, diz nostálgico, “adoro aquele pedaço de barro”. O Guanabara foi seu professor e, por isso, não gosta de andar pelo vale que o viu nascer e crescer, são muitas lembranças boas e não se conforma em vê-lo acabado, abandonado, um patrimônio importante que deixaram morrer.
            Suas lembranças estão vivas e uma das coisas que mais lembra é o respeito que tinham pelo gerente do engenho. Ele era um pai para todos. Nunca foi preciso recorrer as autoridades para resolver as questões pessoais e de trabalho do engenho. A justiça era feira pelo gerente e o dono. Não eram permitidos desentendimentos entre os trabalhadores. Isso era muito bonito porque passava tranquilidade e todos viviam felizes.
            Para o mestre Tião, o engenho Guanabara foi o patrimônio mais bonito de Ceará-Mirim. Lamenta ver todos os engenhos acabados e não entende porque deixaram tantos patrimônios abandonados, principalmente porque eles sustentavam todas as famílias. Os moradores dos engenhos plantavam de tudo. O vale era muito rico, plantavam feijão, milho, batata, arroz, algodão... tinha de tudo. Esses alimentos abasteciam as cozinhas das casas e sobrava para vender na feira de Ceará-Mirim. Toda essa riqueza saia do vale. O povo plantava e comia dali. Os engenhos tinham bons sítios, tinham patrões e moradores. Infelizmente hoje não existem mais patrões, existem empregadores e, estes, não querem ver os empregados.
            A proximidade do engenho Guanabara com o Laranjeiras contribuiu para que o menino Tião tivesse uma relação amigável e fraterna com as crianças de Joca Sobral. Brincavam muito juntos. Lembra que as brincadeiras eram de meninos e meninas. Brincavam de tica tica e, principalmente, de dar balão no rio. Quando anoitecia brincavam com cantigas de rodas, cirandas, atirei o pau no gato. Os pais e as mães ficavam assistindo as brincadeiras. Ainda lembra de uma música: “Senhora dona Viúva, com quem tú quer se casar, é com o filho do rei ou é com o do generá, generá?? E respondiam: “Eu não quero esses homens que não chega para mim. Sou uma pobre viúva e coitada de mim, de mim. Ô valentin, tim, tim, Valentim, meu bem”. Com o olhar distante e pensativo, diz que essas brincadeiras da infância distante é cultura popular. É folclore.
            Foi um jovem muito curioso e obstinado, por isso, aprendeu a tocar fole sozinho. Seu irmão era tocador, mas, não queria ensiná-lo. Na sua ausência aprendia a tocar escondido. Sua primeira experiência foi em um baile. Tocava com um amigo mais experiente e, no meio da festa, o colega o abandonou e teve que terminar sozinho. Foi o início de sua vida como artista e sanfoneiro.

            Tocava em todas as comunidades, principalmente no povoado de Palmeiras onde havia muitos pastoris nos sábados. Gostava de tocar no Pastoril. As moças começavam a dançar, então, o cavaleiro oferecia, na época, por exemplo, dez contos para dançar com uma pastora escolhida. Outro concorrente oferecia doze contos para aquele parar de dançar. Assim, no final da festa, o dinheiro recolhido era dividido com o sanfoneiro. Foi um tempo que não havia maldade, desavenças, as pessoas respeitavam as outras.
            Em 1935, ele teve uma experiência muito ruim. Tinha estourado a revolução e no engenho só tinham notícias vagas, não sabiam o real perigo que aquilo representava. Seu Tião veio a Ceará-Mirim com três amigos para fazer uma visita ao seu pai que se encontrava no Lazareto, que era um leprosário. Quando falou com o pai, este o aconselhou para que não passassem no mercado, pois estava muito perigoso. A curiosidade dos jovens foi maior e eles resolveram passar pelo local. Chegando lá foram abordados por um sargento do exército revolucionário que estava acampado na antiga delegacia.
            Foram levados para a delegacia e receberam rápidas instruções de como manuseariam os rifles e para espanto de Seu Tião, o sargento entregou-lhe um bornal com 40 balas e disse-lhe que iriam atacar Touros bem cedo, mas antes ficariam de guarda na ponte de ferro sobre o rio Ceará-Mirim.
            Qualquer carro que cruzasse a ponte era para atirar, com exceção de Juca Fonseca. De madrugada, um frio de medo e de temperatura o deixava trêmulo, até que apareceu um carro e o soldado de sentinela o mandou para a ponte a fim de interceptar o veículo. A ordem era atirar nos pneus. Para sorte de seu Tião, o carro era de Juca Fonseca e ele escapou do primeiro tiroteio.
            Quando chegaram pela manhã na delegacia, ele pediu ao sargento para ir tomar um café na casa de seu tio que ficava ali perto. O sargento o fez prometer que voltaria e o deixou ir. Ao sair da delegacia ele tomou o caminho de casa de uma carreira só e quando chegou no engenho Guanabara soube que a revolução tinha terminado e que os soldados tinha sido dominados em Ceará-Mirim, embaixo de um forte tiroteio, que foi escutado por ele, quando fugia, assim escapou do segundo tiroteio.

 Apresentação do Congo de Guerra em 06/12/2011

           Quando criança, aos Oito anos, brincava no Congo de Saiote do pai João da Rocha. O Congo é um folguedo popular que faz referências às lutas medievais e embaixadas a soberana africana Jinga. Aprendeu as jornadas e músicas do brinquedo com seu pai, quando ia para o roçado. Iniciou no brinquedo como marujo no final da fila.
            Em 1934 recebeu do pai a responsabilidade de não deixar o brinquedo morrer. Assim o fez. São (78) setenta e oito anos lutando contra a ignorância, a falta de incentivo e, principalmente, pela preservação daquela tradição centenária, pois, existe desde 1900 quando foi criado pelo velho João e o ex-cativo Pedro Macenas.
            Conhecer o Mestre Tião é uma viagem à história de Ceará-Mirim. Sua simplicidade nos faz sonhar, imaginar e viajar em seus contos, nas histórias da bagaceira, sentindo o cheiro da cana, ouvindo o barulho das máquinas e o cantar das rodas do carro de boi.
            Minha relação com o artista já somam 13 anos. Nesse período temos travado muitas lutas pela valorização e reconhecimento de seu esforço para manter seu grupo folclórico vivo.
Em 2007 a Fundação Roberto Marinho, através do Canal Futura fez um documentário sobre o Mestre. As filmagens aconteceram na comunidade de Tabuão no mês de setembro. O documentário foi “A beleza do meu lugar” e foram escolhidas 16 figuras populares em todo o Brasil. O documentário do Mestre Tião Concorreu ao XIX Festival de Curtas de São Paulo.
Em função do documentário a Fundação Roberto Marinho mandou pintar um painel do Mestre Tião na galeria de sua sede no Rio de Janeiro.
Coordenadora do Canal Futura Nordeste Ana Amélia em frente ao painel de Mestre Tião - RJ

Ainda em 2007 as meninas do Projeto Vernáculo fizeram o documentário sobre o mestre e o Congo de Guerra, que concorreu no Festival de Curtas Potiguares.
Em 2009 inscrevemos o Mestre no Programa da Fundação José Augusto “Patrimônio Vivo do Rio Grande do Norte”, onde o mesmo foi selecionado, recebendo uma bolsa mensal pro resto de sua vida.
Ainda em 2009, concorreu à premiação do “Culturas Populares Mestre Dona Isabel” do Ministério da Cultura. Ele foi selecionado entre mais de 2000 candidatos em todo o Brasil. Infelizmente até hoje não recebeu a premiação. Atualmente estamos reivindicando junto ao Ministério da Cultura o pagamento do prêmio.
Valorizando a cultura popular e suas figuras importantes, os vereadores Ronaldo Venâncio e Julio Cesar fizeram duas homenagens ao mestre. O primeiro o homenageou na Câmara Municipal em seu mandato anterior e o segundo, o fez, na comunidade de Massangana juntamente com o mestre José Baracho já falecido. Ainda restam algumas esperanças com relação a preservação de nossas manifestações populares. Uma prova que a cidade tem muitos talentos, e com um pouco de sabedoria e compromisso, podem explodir para o mundo. Como diz meu amigo Pedro Simões, nosso presidente da ACLA, “CEARÁ-MIRIM TEM JEITO!!!”
Diante de toda essa linda história, temos obrigação de reverenciar esta figura tão importante para a cultura do Brasil e agradecer pelo que fez pela preservação de nossas manifestações populares, através do folguedo Congos de Guerra – como ele mesmo diz: “sou feliz e morro satisfeito por ter preservado esse brinquedo”.
            Ave, Ave, Ave, MESTRE TIÃO!!! Que sua luta nos contagie, fortalecendo ainda mais essa vontade de” fazer e fazer”... “Qualquer hora chegaremos lá!!!”

sábado, 19 de maio de 2012


COLÉGIO DE SANTA ÁGUEDA


Em 1987 o Colégio de Santa Águeda comemorou o seu Jubileu de Ouro e, naquele ano, foi prestada uma homenagem ao fundador do colégio, o ex-prefeito de Ceará-Mirim, o senhor Mirabeau da Cunha Melo.
A escola era dirigida pela Irmã Maria Regina Pacis e, a programação pelo cinquentenário foi muito bem organizada entre os dias 27/08 a 04/10/1987. Show com o cantor Silvio Brito, abertura dos XV Jogos Internos, Sessão Solene com Seresta, Celebração Eucarística e apresentação do Coral da UFRN, Festa de São Francisco e apresentação da Orquestra Sinfônica do RN.
Durante a homenagem ao ex-prefeito Mirabeau da Cunha Melo, seu filho, professor Manoel Benício de Melo Sobrinho proferiu um discurso de agradecimento onde faz uma viagem no tempo, nos informando toda história da fundação do colégio.
Nestes 75 anos de fundação da instituição de ensino, é interessante que os cearamirinenses conheçam parte dessa história através do discurso no professor Manoel Benício de Melo Sobrinho, na sessão magna promovida no dia 02 de outubro de 1987:
“Esta solenidade marca um momento histórico no calendário desta cidade de Ceará-Mirim – O Cinquentenário da Fundação do Colégio Santa’Águeda.
Os acontecimentos têm sua crônica, o registro de circunstâncias, de fatos, de ocorrências que definem a época, identificam o ambiente e os impulsos humanos que fazem germinar as ideias, os projetos e afinal as realizações.
O acontecimento que se celebra nesta noite memorável e alegre, é muito grato ao povo acolhedor desta cidade e, particularmente cheia de recordações para quem viveu e acompanhou, embora ainda criança, os primeiros passos para a conquista e implantação deste empreendimento.
       
Foto provavelmente no início da década de 1940
No centro padre Amâncio Ramalho e irmã Gabriela


Tudo aconteceu em 1937. Meu Pai, Mirabeau da Cunha Melo, exercia a honrosa missão de governar Ceará-Mirim como prefeito nomeado e depois eleito pelo sufrágio de seu povo em eleição democrática e pacífica.
Naqueles anos, a receita modesta d prefeitura, originária de uma economia sacrificada pelas dificuldades de uma agricultura canavieira sem proteção oficial, e de um comércio limitado ao círculo carente da vida interiorana, não lhe alimentava a esperança de realização dos planos desejados para desenvolvimento do município e da cidade. Mas, jamais a compreensão, a convicção e a força de superar esse cenário de limitações, o inibiu de realizar, pelo menos, alguma das prioridades mais reclamadas pelo município. E sua iniciativa, na ordem dessas prioridades, levou-o a decidir pela implantação de um Colégio para a formação pedagógica dos jovens filhos da terra.
Lançada a ideia com propósitos firmes e obstinados, encontrou de imediato, como não podia deixar de acontecer, o apoio irrestrito da população e de suas forças de liderança.
Na época, a atividade escolar em Ceará-Mirim resumia-se ao ensino primário pelo Grupo Escolar. Além deste, algumas escolas particulares se  preocupavam também com o ensino primário e a preparação para os exames de admissão ao curso secundário nos Colégios de Natal. Dois nomes me sugerem indispensáveis menções por evocarem presenças luminosas de inteligência e dedicação pedagógica na paisagem cultural da Cidade de então. Ambos professores, escritores e poetas de rara sensibilidade e que inscreveram seus nomes além do cenário local para se projetarem à admiração e à exaltação do Estado e do país. Adelle de Oliveira, educadora nata e devotada de muitas gerações e Abner de Brito, espírito lúcido e de convicções filosóficas, dominando fluentemente o Francês e o Inglês com aprofundados conhecimentos da Língua Portuguesa e do Latim. Ambos, como disse, poetas e escritores, hoje presentes na saudade e no reconhecimento de quantos como eu, que receberam desses mestres inesquecíveis as lições introdutórias da formação para o trabalho e para a vida.
Nesse ambiente provinciano, o objetivo do idealizador do futuro Colégio Santa Águeda, consistia em favorecer o estudo em grau médio e profissionalizante aos jovens da terra que não tinham recursos para acompanhar outros jovens mais afortunados que se destinavam aos Colégios de Natal.
E assim foi pensado, assim haveria de ser feito. O Colégio a ser criado, segundo a sua vontade, teria a direção e responsabilidade didática de uma Ordem Religiosa, para que a educação pretendida, de formação profissional, para o magistério, fosse embasada na formação religiosa-cristã.

Não bastava simplesmente a criação de um Colégio na sua expressão simples, mas, para os objetivos idealizados, era preciso criar um educandário que, de par com o ensino específico como Escola Normal, concorresse, sobretudo, para a formação da personalidade dos jovens futuros alunos, imprimindo-lhes as noções dos valores reais e fundamentais da vida e da sociedade.
Uma formação que além de inspirar os elementos indispensáveis ao desempenho consciente do exercício profissional, contribuísse, paralelamente, para uma compreensão objetiva e equilibrada dos deveres morais, cívicos e religiosos, indispensáveis ao senso de responsabilidade e integridade profissional.
Só assim o projeto se completaria nos fins para cumprir sua missão, coerente com a vontade e propósito do seu idealizador.
Lembro-me, ainda, na evocação dos diálogos captados, inconvenientemente, pela curiosidade infantil, e mais tarde confirmadas por meu pai, que o nosso Bispo da época, Dom Marcolino Dantas, apesar do aval entusiasmado e confiante do Cônego Celso Cicco, vigário desta cidade, não se rendera fácil a ideia de responsabilizar uma ordem religiosa para a direção do Colégio. Achara o projeto audacioso e temia, prudentemente, por um insucesso. Mas, se vacilou por algum tempo, não vacilou por muito tempo e, oportunamente, acabou por concordar, aprovar e autorizar a Ordem das Franciscanas do Bom Conselho, para assumir o desafio de implantar o Colégio e lhe dirigir os destinos.
Primeira turma do Ginásio Santa Águeda - 1938
A segunda da esquerda para a direita em segundo plano é Celina Ferreira
Em baixo a da esquerda para a direita,a 2ª é Mara Cabral e 3ª Lourdes Moura 

Os meios materiais, todavia, já estavam assegurados para o começo de vida difícil e desafiadora da missão pelas irmãs. Atitudes generosas e altamente solidárias marcaram ponto alto nesse momento. O industrial Onofre José Soares Junior, ofereceu a casa de sua residência – hoje o velho sobrado ao lado deste novo edifício. À época uma das melhores residências da Cidade, antiga morada do genro do Barão de Ceará-Mirim. O Coronel Onofre Soares renunciou, assim, a sua própria casa para fixar residência no prédio senhorial do Engenho Cruzeiro de sua propriedade. Gesto digno de registro pelo exemplo comovente de desprendimento pessoal e espírito de colaboração com a nobre causa.
Como ele, tantos outros que não devo mencionar-lhes os nomes para que a memória não cometa, involuntariamente, injustiça de omissões, ajudaram com o apoio moral e material para que esta obra de tornasse uma realidade.
Os anos decorridos ao longo dos tempos, contam o prosseguimento desta história, cujos resultados somos testemunhas presentes. O antigo embrião triunfou sob as mãos cuidadosas das irmãs Franciscanas do Bom Conselho, ontem dirigidas pela irmã Maria Gabriela, de saudosa memória e hoje pela irmã Maria Regina Pacis e suas dedicadas colaboradoras. A missão de conduzir esta obra no longo espalho de meio século não é menos meritória do que o gesto de sua criação.
Um dos grandes benfeitores do Ginásio Santa Águeda
Major Onofre Jose Soares Junior

Celebramos nessa homenagem de Jubileu de Ouro, mais do que tudo, a continuidade produtiva, os louros alcançados, a capacidade de multiplicar benefícios, de crescer, de consolidar através dos anos o que, na verdade, foi feito para triunfar sobre as vicissitudes, para perenizar seus frutos.
O povo de Ceará-Mirim deve às administrações do passado e do presente deste Colégio, um pleito inestimável de gratidão pelo muito que deram no sentido do desenvolvimento de sua cultura, no despertar das inteligências jovens e na preparação das gerações para as tarefas temporais e espirituais inspiradas na mensagem evangélica.
São passados 50 anos e é com profunda emoção que relembro o registro de meu nome e de minha irmã Maria Lucia no rol dos primeiros alunos do Colégio recém-criado. A presença de um varão, entre as alunas, fora uma deferência especial, uma exceção sem precedentes na rigidez da tradição que condenava a matrícula masculina nos colégios de freiras. Durante cinco meses, fui preparado em regime de reclusão e proibido de participar do recreio com as colegas, para os exames de admissão ao ginásio a serem prestados em Natal.
Jubileu de Ouro do Colégio Santa Águeda - 1987


Ao concluir estes registros nesta magna reunião que intermeia as festividades do Jubileu de Ouro, a família de Mirabeau Melo, aqui representada por alguns de seus filhos, agradece as manifestações de reconhecimento e aplauso à sua memória, ao mesmo tempo que testemunha e saúda nas irmãs – administradoras e docentes deste Colégio , representadas por essa extraordinária educadora irmã Regina Pacis, a energia, a determinação e sabedoria com que é e sempre será, o nosso vitorioso Colégio Santa Águeda.




sexta-feira, 18 de maio de 2012

FOTOPOEMA NOSSO LAR


Não consegui resistir ao encanto do poema da amiga Mariza Roque (mãe da também amiga Edvane Roque) e o transformei em um FotoPoema com minha singela fotografia...