quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

OFICINA PAPEL RECICLADO

Professores e alunos

Dia 17 de novembro fui convidado para realizar oficina de papel reciclado na Escola Municipal Dr. Julio Senna. Para a execução da oficina convidei a arte-terapêuta Noelma Thiago a fim de colaborar durante o processo. A oficina estava relacionada à culminância do projeto de meio ambiente trabalhado com os alunos, cujo encerramento se deu, através de uma feira de conhecimentos.
A escola estava muito movimentada com várias oficinas de matemática, reaproveitamento alimentar, papel reciclado, entre outras.
A oficina teve uma inscrição de uns vinte alunos que participaram efetivamente das atividades. Iniciamos fazendo uma breve explanação a respeito da origem do papel e a importância de sua reutilização como forma de preservar o meio ambiente. Em seguida fizemos uma pequena amostra do que pode ser feito com o papel produzido, dando novas utilidades através de envelopes, capa de cd, sacolas, pastas de arquivo, etc.
A equipe da Escola Municipal Dr. Julio Gomes Senna está de parabéns por desenvolver atividades educativas tão importantes na construção de novos conhecimentos, além de oportunizar outros professores de colaborarem e divulgar suas atividades.

Alunos picotando o papel

Professor Gibson - orientando os alunos

Demonstrando como colocar e retirar a peneira com polpa de papel
Alunos retirando o papel

Professora Noelma demonstrabdo como fazer um molde de envelope

terça-feira, 7 de dezembro de 2010


Recebi essa crônica natalina do amigo Osmuz Simonetti. Resolvi dividí-la com nossos leitores. Boa Reflexão!!!
Monólogo do Natal

Aldemar Paiva


Eu não gosto de você, Papai Noel!
Também não gosto desse seu papel de vender ilusões à burguesia.
Se os garotos humildes da cidade soubessem do seu ódio à humildade, jogavam pedra nessa fantasia.
Você talvez nem se recorde mais.
Cresci depressa, me tornei rapaz, sem esquecer, no entanto, o que passou.
Fiz-lhe um bilhete, pedindo um presente e a noite inteira eu esperei, contente.
Chegou o sol e você não chegou.
Dias depois, meu pobre pai, cansado, trouxe um trenzinho feio, empoeirado, que me entregou com certa excitação.
Fechou os olhos e balbuciou: “É pra você, Papai Noel mandou”.
E se esquivou, contendo a emoção.
Alegre e inocente nesse caso, eu pensei que meu bilhete com atraso, chegara às suas mãos, no fim do mês.
Limpei o trem, dei corda, ele partiu dando muitas voltas.
Meu pai me sorriu e me abraçou pela última vez.
O resto eu só pude compreender quando cresci e comecei a ver todas as coisas com realidade.
Meu pai chegou um dia e disse, a seco: “Onde é que está aquele seu brinquedo?
Eu vou trocar por outro, na cidade”.
Dei-lhe o trenzinho, quase a soluçar e, como quem não quer abandonar um mimo que nos deu, quem nos quer bem, disse medroso: “O senhor vai trocar ele?
Eu não quero outro brinquedo, eu quero aquele.
E por favor, não vá levar meu trem”.
Meu pai calou-se e pelo rosto veio descendo um pranto que, eu ainda creio,
Tanto e tão santo, só Jesus chorou!
Bateu a porta com muito ruído, mamãe gritou; ele não deu ouvidos. Saiu correndo e nunca mais voltou.
Você, Papai Noel, me transformou num homem que a infância arruinou. Sem pai e sem brinquedos.
Afinal, dos seus presentes, não há um que sobre para a riqueza do menino pobre que sonha o ano inteiro com o Natal.
Meu pobre pai doente, mal vestido, para não me ver assim desiludido, comprou por qualquer preço uma ilusão e, num gesto nobre, humano e decisivo, foi longe pra trazer-me um lenitivo, roubando o trem do filho do patrão.
Pensei que viajara, no entanto, depois de grande, minha mãe, em prantos, contou-me que fora preso.
E como réu, ninguém a absolvê-lo se atrevia.
Foi definhando, até que Deus, um dia, entrou na cela e o libertou pro céu.

sábado, 4 de dezembro de 2010

ACESSOS NO MÊS DE NOVEMBRO 2010

Agradeço a todos que visitaram o blog no mês de novembro e solicito que comentem e se identifiquem para sabermos quem são nossos fieis leitores.

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Espanha 2

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Itália 2

OH, CISNE SE FOSSES FÊNIX

Amigo Júnior, tomei a liberdade de copiar o poema para que pudesse compartilhar a minha indignação e tristeza em relação ao velho solar. O fiz ilustrando com fotografias feitas por mim em recente visita à ruína do Musei Nilo Pereira.
OH, CISNE SE FOSSES FÊNIX

Cisne branco que como rosa és verde
Que de tão verde, tinges o vale.
Que como homem és rio, Nilo.
Que como casa és abandono.

Teu semblante é pálido e melancólico
Teu cenário, tão escuro;
Porque tudo é desordem no escuro da ausência sobre tudo de cores vivas.
Teu tema é silencioso, abandono.
Teus brancos galgos, onde estão?
Acaso te abandonaram teus fies guardiões?
E teus deuses alvejantes? Não os vejo mas acimados em teu platibanda!
Morada dos Deuses,acaso o Olimpo revoltara-se contra vós, e todos abandonaram-te.

E as grades que te protegiam?
Acaso dá corpo aquele maciço descomunal de ferragens retorcidas?
Tuas folhas de janelas, teus almofadados de portas, tuas vidraças estilhaçadas,
Agora tudo se amontoa em um volume colossal.

Não és, mas uma construção; estas repartida, fundida, fragmentada.
Aqui um cômodo, ali outro e acolá um corredor, que já não liga teus cômodos;
Triste sina de lugar que não foi bastante amado.
Parece suplicar, reivindica por devolver-lhes de longe os gestos esquecidos.

Acoberta o quadro o avanço vegetal,
O canavial cumpre seu papel em prol daqueles que o semearam,
Assume a função de cortina vulgar de decência,
Disfarçando a nudez dolorosa de vossa ruína.


Se cerro os olhos e ao passado incorporo,
Encontro-vos em minhas lembranças de visão infantil,
Tão nobre, tão senhorial.
Se desperto, não torno mais a ver-te, estranha morada.

Oh casa se te respeitassem!
Oh rosa se te regassem!
Oh cisne se fosses fênix!

ANTÔNIO AUGUSTO JÚNIOR

ENCONTRO DAS FAMÍLIAS SOBRAL E CORREIA

Eu (agregado dos Sobral) entre os brasões Correia e Sobral
ENCONTRO SOBRAL/CORREIA
Ceará-Mirim/RN – 2010

Em 14 de novembro de 2010 as famílias SOBRAL e CORREIA realizaram o primeiro encontro na cidade de Ceará-Mirim-RN. O evento aconteceu no Centro Esportivo e Cultural, clube tradicional, que foi construído com a ajuda dessas famílias que sempre estiveram presentes na instituição.
A abertura do encontro foi feita por Paulinho Sobral que deu boas vindas a todos os presentes, uma vez que havia mais ou menos umas 250 pessoas, entre Sobral e Correia. O encontro foi uma ideia de Antonio Sobral Correia que viu a necessidade de confraternizar e aproximar as famílias. A sugestão foi discutida e definiu-se a comissão organizadora que foi composta por Carlos Sobral, Luciano Sobral e Paulo Sobral.
Comissão organizadora: Luciano Sobral, Paulinho Sobral e Carlos Sobral.

Foi convidado o novo pároco de Ceará-Mirim, Padre Bianor, para fazer uma oração a fim de que o encontro fosse realizado com muita amizade, paz, fraternidade e, em suas palavras, ele falou da importância do encontro, pois, normalmente as famílias juntam-se em momentos de tristeza quando sepultam seus entes queridos. É necessário que haja esse tipo de confraternização porque é uma maneira dos jovens interagirem com os mais velhos e, assim, haver uma troca de conhecimentos, principalmente quando frisou que se os jovens pudessem compreender as experiências dos mais velhos e os mais velhos compreendessem a dinâmica e criatividade dos mais novos o mundo seria diferente e as famílias, certamente, preservariam suas tradições.
Os irmãos Itapuam e Arary Sobral
Os irmãõ Ieda e Arary Sobral - Ieda recitava poesia
Os filhos de Oscar Sobral, Arary e Itapuan, naturais de Mauriti, no Ceará, falaram sobre a importância de estarem presentes naquele momento tão sonhado. Arary estava muito feliz porque era um sonho conhecer as raízes de sua família, o berço onde nasceu seu pai e, emocionado, disse que morreria feliz. Sua irmã fez uma homenagem a todos os filhos de Ceará-Mirim presentes com um poema – muito bonito – de um norte-riograndense. Itapuan falou um pouco de sua família e da importância de Dr. Oscar Sobral no desenvolvimento sócio-econômico de Mauriti no Ceará. Oscar era farmacêutico, formado pela Universidade da Bahia, no entanto, fazia o papel de médico, dentista, parteiro, boticário, de tudo ele fazia e, dessa forma, foi responsável pelo nascimento de toda uma geração de mauritienses.
Gustavo Sobral – filho de Paulinho Sobral apresentou um pequeno histórico sobre a origem dos Sobral em Ceará-Mirim e distribuiu uma plaquete com o histórico dos Sobral.

Major Pedro de Oliveira Correia e família

A família Correa estava representada por Luiza Correa que falou do patriarca da família, João Evangelista, e de seu descendente Major Oliveira, Pedro de Oliveira Correia, importante pecuarista e senhor de engenho do vale do Ceará-Mirim, homem de fibra, político honesto, probo, que, segundo Luiza, tirava dinheiro do seu bolso para aplicar na prefeitura, exemplo que deveria ser seguido pelos atuais prefeitos. O major foi o primeiro prefeito de Ceará-Mirim, na década de 1930. Seu descendente de maior atuação em Ceará-Mirim foi Vital Correira. Pecuarista, trabalhador, honesto e viril, caracterizando politicamente pela extrema fidelidade partidária, herdada de seus antepassados. Fiel defensor da sociedade de sua terra e não suportava ouvir qualquer agressão de palavras a ela sem que uma atitude máscula não fosse de chofre contraposta. Deu grande impulso à vida social da cidade, pela invariável alegria que trazia e pela costumeira colaboração que emprestava às solicitações de caráter comunitário. Luiza Correa - recitando "Minha Terra" de seu pai Wilson Dantas

Finalizando, Luiza Correa declamou o poema “Minha Terra” escrito por seu Pai Wilson Correa Dantas. O poema é uma viagem no tempo e o sentimento de amor pela terra aflora em cada verso, em cada estrofe, uma verdadeira declaração de amor
Falar das famílias Sobral e Correia lembra João Xavier Pereira Sobral e Pedro de Oliveira Correia, patriarcas que muito contribuíram para o desenvolvimento sócio-econômico do município.
A família Sobral surge em Ceará-Mirim a partir da chegada do português Francisco Xavier de Souza Sobral pelos idos dos anos 1800. Ele casou-se com Ana Joaquina Pereira Sobral. Dos filhos de Francisco Sobral, apenas Joca deixou descendência.
João Xavier Pereira Sobral – o Joca Sobral era proprietário do engenho Espírito Santo (Laranjeiras) antigo Engenho Grande. Era Coronel da Guarda Nacional, titulo dado pelo Imperador Pedro II.

Coronel João Xavier Pereira Sobral e familia

Casou em primeiras núpcias com Maria Amélia Fernandes Raposo de Melo, ficando viúvo, casou com a cunhada Maria Umbelina Fernandes Raposo de Melo. Os dois casamentos renderam-lhe vinte e dois filhos, sendo sete do primeiro casamento e quinze do segundo. Alguns filhos emigraram de sua cidade Natal para construir uma nova vida em outros lugares, como é o caso de Oscar Sobral que constituiu família em Mauriti no Ceará e Francisco Sobral em Juiz de Fora, MG. Muitos de seus descendentes estão disseminados por todo território nacional.
O velho Joca construiu seu patrimônio à custa de muito trabalho. Andava permanentemente de paletó com relógio de algibeira e nunca se separava de uma bengala, pois, mancava de uma perna, resultado de acidente com seu cavalo águas belas.
Levantava bem cedo para fiscalizar a lida do engenho. Costumava ir a Ceará-Mirim a cavalo, e sua montaria era exclusivamente montada por ele.
Apesar de sua situação econômica razoável não se envolvia na política, apenas torcia pelo seu partido. Fez parte do octonato que administrou a recém criada Ceará-Mirim em 1858.
Sua obrigação social era ir à missa todos os domingos, gostava de ler a Bíblia e era assinante do jornal A República, sua leitura predileta.
O encontro foi muito bem aceito, todos os presentes encontravam-se muito felizes, principalmente porque tudo estava muito bem organizado, a alimentação servida pelos fieis escudeiros de Carlinho Sobral e, não poderia deixar de citar, a grande performance do artista Joazinho Sobral – sem a banda Kairus – quem sabe no próximo a banda estará completa??.
A primeira experiência servirá para encaminhar novos encontros. Os filhos de Oscar Sobral, representados por Itapuan, estão se reunindo para que o próximo seja realizado na cidade de Mauriti no Ceará, como podemos ler no email enviado por ele a Paulo Sobral:
“Caro Primo Paulo e família
Em nome do Núcleo Oscar F. Sobral agradeço a acolhida que nos deram em Ceará-mirim. Foi uma festa grandiosa e maior ainda a nossa confraternização. O seu tio Oscar, numa carta a mim dirigida, dizia com todas as letras: "Precisamos unirmos para sermos fortes e respeitados". A nossa fortaleza vem, antes de tudo do Criador, e depois da nossa unidade. Gostamos demais. Tudo com fartura, até mesmo na nossa alegria e a nossa congregação, fato este que deveria ter-se realizado há anos. Estamos nos preparando para o II Encontro Sobral que, se Vocês ai concordarem, será realizado em Mauriti ou Barbalha.
Recomende-nos a todos. Um fraterno abraço..
Itapuan Sobral”.

Certamente iremos marcar presença e dar continuidade ao ciclo festivo.

Ana Lourdes Sobral, Gibson Machado, Flavia Sobral e Rafael Sobral

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

SARAU BAQUIPEANO VIRTUAL

Foto de minha filha Ana Lourdes


JORNADA

O sol passou
sobre dunas
e lagunas.
Pastoreou
nuvens e escunas,
tangendo o dia
na calmaria
no azul afora.
Na ave-maria,
espreguiçou
restos de hora...
E descambou,
ainda agora,
seus carmins
nos confins
onde mora.
Mas pincelou
cores de estio,
sobre as croas
e gamboas
do além-rio...

Bartolomeu
Correia de Melo

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A ESCRAVIDÃO NO VALE DO CEARÁ-MIRIM

A ESCRAVIDÃO NO VALE DO CEARÁ-MIRIM
Por Wellington Márcio Bezerra de Lima
CASA GRANDE DO ENGENHO TIMBÓ DE DENTRO (demolida)

A partir do século XV, na “Era dos Descobrimentos”, o conjunto territorial que futuramente formaria o Brasil foi transformado em colônia de Portugal. Tal empreendimento foi realizado através de uma política mercantilista, baseada no trabalho escravo, principalmente de negros africanos, traficados em navios tumbeiros que, pelos portos de Salvador, Recife e Rio de Janeiro, eram comercializados para o trabalho nos engenhos do Nordeste.
No Rio Grande do Norte, a vinda de escravos teve início no século XVI, porém foi somente durante o século XIX que houve o aumento de sua presença, em razão da ampliação da produção açucareira na Província. Os cativos, então provenientes do Maranhão, eram desembarcados em Mossoró, Areia Branca e Macau, e vendidos aos grandes centros produtores de açúcar, os municípios de Ceará-Mirim, São José de Mipibu, Goianinha e Canguaretama.
Em meados do século XIX, Ceará-Mirim despontou como um importante centro da monocultura canavieira. A fertilidade das terras do vale do Rio Ceará-Mirim proporcionou a instalação de mais de cinqüenta engenhos. Como conseqüência, a mão-de-obra escrava negra utilizada foi significativa, girando em torno de 3 mil escravos, sendo a maioria de origem angolana. Somente o Coronel Manuel Varela do Nascimento - Barão do Ceará-Mirim - proprietário do antigo Engenho São Francisco, fundado em 1857, chegou a possuir mais de 200 escravos, tratados com severidade.
A boa ou má fama do senhor era conferida aos senhores de engenho de acordo com os castigos aplicados à escravaria. As obras sobre a história de Ceará-Mirim, escritas com base em memórias, retratam a vida dos Engenhos Oitero, Verde Nasce e Timbó. O Tenente-coronel José Antunes de Oliveira e Victor de Castro Barroca, proprietários dos dois primeiros engenhos, ficaram conhecidos como senhores que mantinham relações amenas com os escravos, em especial os domésticos.
O Engenho Timbó, que pertenceu a Zumba, era visto como destino final de todo negro “ruim”, que porventura existisse nos demais engenhos do vale e redondezas. A ameaça de venda pelos senhores àquele local evidenciava o rigor indiscriminado no tratamento dispensado aos cativos da casa-grande e do eito. Tormentos e sofrimentos foram as características que marcaram o lugar e que repercutiram no imaginário popular, criando lendas e perpetuando ao longo do tempo a imagem negativa da crueldade de seus proprietários.
Durante a segunda metade do século XIX, o contingente de escravos negros foi declinando no município. Em 1855 eram apenas 1.126, pois com a Lei Eusébio de Queiroz, de 1850, proibiu-se o tráfico negreiro. Outro motivo foi a grande seca de 1877, que em todo o Rio Grande do Norte obrigou muitos senhores a venderem seus escravos para outras províncias. Por fim, com a campanha abolicionista, a partir da década de 1880, o número de negros em Ceará-Mirim, segundo dados da Sociedade Libertadora Norte Rio-Grandense de 30 de junho de 1884, era somente de 777, caindo para 201, às vésperas da abolição, de acordo com o boletim número 08, de 15 de abril de 1888.
Em Ceará-Mirim, a luta pelo fim da escravidão teve início em 05 de fevereiro de 1888, com a fundação da Sociedade Libertadora de Ceará-Mirim, por Francisco Sales de Meira e Sá. A propaganda em favor da abolição antecipou a libertação de alguns escravos, fato registrado na publicação quinzenal número 06, de 18 de março de 1888 da Sociedade Libertadora Norte Rio-Grandense, que noticiava a entrega da carta de liberdade, por Bernarda Varela Dantas – Baronesa do Ceará-Mirim – e por Alexandre Varela do Nascimento, seu filho, aos seus 18 últimos escravos.
O empenho das sociedades libertadoras apenas reforçou a longa resistência negra ao trabalho forçado. Em Ceará-Mirim isso aconteceu através das fugas dos escravos dos engenhos, que conquistaram a liberdade formando as comunidades de Coqueiros e Primeira Lagoa, antes de ocorrer a alforria geral de 13 de maio de 1888.

Fonte: Livro Ceará-Mirim Tradição, Engenho e Arte - 2005 - Sebrae - UFRN - Prefeitura de Ceará-Mirim.

sábado, 27 de novembro de 2010

O PARADIGMA MEIRA E SÁ

Professor Gibson Machado - abertura do evento cultural

Dia 25 de novembro de 2010 foi o lançamento do livro “O paradigma Meira e Sá do escritor Pedro Simões.
O lançamento aconteceu o Salão Roberto Varela, na Estação Cultural de Ceará-Mirim.

A abertura do evento foi abrilhantada pela participação dos alunos do Colégio de Santa Águeda, coordenados pelo professor Gerinaldo Moura. Eles recitaram algumas poesias de autores norte-riograndenses numa justa homenagem ao palestrante Dr. Pedro Simões.
Professor Gerinaldo MouraAlunos do Colegio de Santa Águeda

Fui designado para fazer a apresentação do palestrante. Foi uma emoção diferente porque não tenho o hábito de falar em público e, principalmente, apresentar figura tão ilustre de nosso estado. O desafio foi posto e tentei levar a missão até o fim, apesar de muito preocupado com a importância do evento.
Muitas pessoas foram prestigiar a palestra, principalmente professores e alunos das Escola Municipal Madalena Antunes, Colegio de Santa Águeda, Escola Municipal Dr. Julio Senna, Escola Estadual Professor Otto de Brito Guerra, além de familiares. amigos e convidados de Ceará-Mirim e Natal, como por exemplo, o presidente da Academia Macaibense de Letras e Artes Jasen Leiros, o presidente a Associação de Genealogia do RN Ozmuz Simonetti, dentre outros.
Apresentar o professor Pedro Simões foi uma honra e um grande privilégio, pois há muito tempo ouvia falar dele, no entanto, demorei a conhecê-lo. Nossa amizade tem pouco tempo, mas, é o suficiente para tê-lo como mestre e admirá-lo como grande professor, escritor, historiador, advogado e zeloso chefe de família.

Professor Pedro Simões

Numa de nossas correspondências eletrônicas ele me dizia que seu maior mérito foi ter passado, em Ceará-Mirim, os momentos mais felizes de sua vida e ter sido o “Pedrinho de Dr. Percílio” ter sido aluno de Dona Alta, mãe da saudosa Maria Xandú e de José Tito no internato São José.
No período em que viveu em Ceará-Mirim fez a primeira comunhão na matriz de Nossa Senhora da Conceição, em ofício realizado pelo Monsenhor Celso Cicco.
Foi atleta do Bacardi Futebol Club de Ceará-Mirim e jogou pela seleção de voleibol de Ceará-Mirim.
Aos dezenove anos entrou para o Rotary Clube de Ceará-Mirim sendo o mais novo rotariano do país e foi professor da Escola de Comércio, hoje Edgar Barbosa.
Realizou alguns eventos culturais na cidade como o pré-lançamento de seu livro “O homem que cortava árvores” no Centro Esportivo e Cultural e a Semana de Cultura Popular quando pró-reitor da URFN no Ginásio de Esportes.
No governo de Terezinha Melo foi procurador do município e Assessor Jurídico da Câmara Municipal na presidência de Raimundo Elias.
Recebeu o título de cidadão honorário de Ceará-Mirim, oficializando sua adoção, pois chegou aqui com quatro anos de idade.
Fora de Ceará-Mirim exerceu diversos e importantes cargos públicos como secretário de planejamento da Prefeitura de Natal, pró-reitor de extensão da UFRN, secretário de segurança pública do estado, secretário especial do governo, presidente do IPE, proprietário de uma editora (Nossa Editora), presidente do Instituto dos advogados do Brasil/RN, conselheiro federal e estadual da OAB.
Quatro ofícios monopolizaram sua vida intelectual: o magistério (foi professor mais de trinta anos, do segundo grau e depois universitário, do curso de Direito); a literatura e os ensaios políticos e jurídicos (com cerca de vinte livros publicados); o jornalismo, como editor e articulista de diversas publicações do estado (RN/Econômico, Exclusivo, Jornal de Natal Jornal Hoje, etc.; advocacia, especializada em contratos e direito imobiliário; e o gestão pública.
Atualmente, dirige uma universidade privada – INDEC – Instituto de Desenvolvimento da Educação do Comércio de bens e serviços do RN, mantida pela Federação do Comércio do RN e Câmara de Dirigentes Lojistas de Natal.
Na vida pessoal é um chefe de família exemplar. Tem uma maravilhosa companheira, sete filhos, nove netos e uma irmã que ama e como recompensa o presenteou com uma sobrinha e dois sobrinhos-netos.
Fez o livro O Paradigma Meira e Sá porque descobriu nele, além dos acentuados vínculos com Ceará-Mirim, um homem extraordinário: íntegro, dedicado à sua profissão, devotado às causas públicas, cordial e tolerante. Jurista, político, escritor, benemérito e publicista. Um exemplo, por isso o tomou como paradigma.

Assinando o livro para Carlos Crescêncio

Durante a palestra o professor Pedro Simões falou sobre a importância de Francisco de Sales Meira e Sá para o Rio Grande do Norte e, sobretudo, para Ceará-Mirim. Jurista dos mais notáveis de sua época. Republicano de primeira hora, abolicionista, animador cultural, um homem de conduta pessoal e profissional irrepreensível.
No final de sua fala Pedro fez uma homenagem – muito justa – ao contador de histórias e historiador Franklin Marinho, que emocionado, falou de sua trajetória estudantil e política enaltecendo, como sempre o faz, nossa querida Ceará-Mirim.

Franklin Marinho

O evento foi muito significativo para os espectadores, uma vez que abriu com poesias dos alunos do professor Gerinaldo, antecipando palestra do professor Pedro Simões e fechou com o discurso emotivo de Franklim Marinho.
Aguardaremos ansiosos pelos próximos encontros culturais que serão realizados pela ACLA – Academia Cearamirinense de Letras e Artes em 2011.
Fiquei muito feliz em ver meus alunos da Escola Estadual professor Otto de Brito Guerra prestigiando o evento. Momentos como esse são raríssimos em nossa província e, quando acontece, temos que participar, pois, estaremos crescendo intelectualmente. Quem não foi, infelizmente, perdeu uma grande oportunidade.

Alunos da Escola Estadual Prof. Otto de Brito Guerra

Eu e o parceiro Eliel fizemos as articulações e gostaríamos de destacar o apoio de Jaqueline, administradora da Estação Cultural, pois o espaço estava organizado e fomos muito bem recebidos.

Gibson Machado, Professor Pedro Simões e Eliel Silva

O evento teve como parceiros o INDEC, CDL/Ceará-Mirim e Centro Esportivo e Cultural. Agradecemos a presidente do CDL/Ceará-Mirim Maria de Lourdes (Lila) pelo apoio, demonstrando que sempre é possível fazer parcerias, basta acreditar em projetos “realizáveis”.

domingo, 21 de novembro de 2010

ANETE VARELA

Ruínas do engenho Diamante

DIAMANTE
Carro de boi, açúcar, rapadura,
Fazem lembrar o engenho Diamante;
Hoje a saudade dentro em mim perdura,
De minha infância que já vai distante!

Nunca existiu em mim dor, amargura,
Quando eu era criança – e, bem galante,
Ia correndo, cheio de ventura,
Pelo capim, macio e verdejante.

Na Casa-Grande, em cada canto, eu via
Um rosto amado cheio de ternura,
A me fitar com risos de alegria.

Já vai longe aquele tempo amigo!
Só me resta, de tudo, a noite escura
Desta saudade que ficou comigo!
Ana Augusta da Fonseca Cabral - ANETE VARELA
Conhecida como Anete Varela nasceu na cidade de Ceará-Mirim/RN era filha de Manoel Varela Buriti e de dona Elvira da Fonseca e Silva Buriti. Trabalhou como secretária no Hospital Maternidade de Ceará-Mirim e na Clínica 29 – BENFAN.
Participação em publicações e eventos:
Participou do 3º volume de “Trovadores do Brasil” de Aparício Fernandes em 1970.
4º Festival Brasileiros de Trovadores na cidade de Maringá no Paraná, onde recebeu menções honrosas em 1977.
Concurso de Poesias da Fundação José Augusto em Natal/RN em 1978.
2º Concurso de Trovas de Bandeirantes em 1978 em Maringa Paraá denominado II Jogos Florais.
Participou do Anuário de Poetas do Brasil em 1978 – 1º volume de Aparício Fernandes.
Participou do primeiro centenário de nascimento do Dr. José Pacheco Dantas em Ceará-Mirim/RN no mês de agosto de 1978.
Participou do Anuário dos Poetas do Brasil em 1979 – 1º volume de Aparicio Fernandes.

Em outubro de 1992 a Prefeitura Municipal de Ceará-Mirim na administração do prefeito Jorge Câmara publicou o livro “RETALHOS DE SONHOS” da Poetisa Ana Augusta, como diz o ex-prefeito Dr. Murilo Barros na apresentação do livro: É uma forma de homenagear uma artista pela modéstia e pelo amor à nossa terra.”
Em 24 de setembro de 1993 a prefeita Terezinha de Jesus da Câmara Melo, através do Decreto nº 709/93, cria a Sala Infantil do Estudo Poetisa Ana Augusta da Fonseca Cabral, na Biblioteca Publica Dr. José Pacheco Dantas.

SARAU BAQUIPEANO VIRTUAL

Ruínas do Engenho Oiteiro - Ceará-Mirim/RN

ALUMBRAMENTO


Seguindo a erma vereda do oiteiro,
surge a visagem dum tempo perdido.
Ossos de engenho brotam no aceiro
do canavial no vento retangido.

Na lua cheia, o vulto do bueiro,
a casa-grande, o pau d’arco florido...
Soa um carro-de-bois, triste e ronceiro,
trazendo malagouros no gemido.

Vozes sem corpo xingam a burrama,
vêm risadas de prosa no bagaço,
nas ruínas da capela, um sino chama...

Resta, num vago cheiro de melaço,
algum doce acalanto de mucama
ninando almas jazidas nesse espaço.


BARTOLOMEU CORREIA DE MELO
Natal / 2010

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

AULA PASSEIO

Igreja da cominidade de Capela

Dia 15 de novembro de 2010 fiz uma aula-passeio com alguns alunos do 1º ano III da Escola Estadual prof. Otto de Brito Guerra.
O objetivo da aula foi apresentar alguns patrimônios históricos e culturais de Ceará-Mirim, focando a importância de sua preservação para a memória do município e ao mesmo tempo, instigar os alunos à luta pela valorização desses patrimônios que se encontram em avançado estado de deterioração. O passeio também foi um incentivo à prática do ciclismo pelo nosso lindo vale do rio Ceará-Mirim.
A viagem transcorreu maravilhosamente bem. A paisagem ajudava a tornar o caminho e o cansaço amenos, principalmente, porque sabíamos que na primeira parada relaxaríamos na cristalina e mineral água do olheiro Diamante. Que maravilha!!!
Na fazendo Diamante (antigo engenho Diamante) os alunos foram informados da história do engenho e de seus antigos proprietários, principalmente, o Dr. José Augusto Meira, filho do Dr. Olinto Meira. Nasceu no engenho Diamante em 11/12/1873 e foi educado pelo pai que à época escreveu as cartilhas de gramática e aritmética para educar os filhos. Quando os filhos estavam preparados o velho Olinto os encaminhava para os exames em Natal. Graduou-se em Direito pela faculdade de Recife/PE e como premio, pelo bom desempenho no curso, ganhou uma viagem à Europa.
Dr. José Augusto Meira

Exerceu os cargos de Delegado de polícia (Rio de Janeiro) – promotor público (Santarém – Pará) professor de direito criminal (Belém – Pará). Advogado, deputado Estadual em seis legislaturas – diretor da faculdade de direito do Pará. Senador Federal da República e Deputado Federal, pelo Pará. Encerrou a carreira política em 1955, com 82 anos de idade. Foi ardoroso escritor, tendo combatido violentamente o presidente deposto João Goulart. Faleceu a 21 de março de 1964. Era poeta e publicou vários livros, sendo o mais importante Brasileis, poesia épica nacional.
Relógio de Sol
Olheiro cristalino e mineral do Diamante
Em 1973 o governo municipal na gestão de Ruy Pereira Junior homenageou Augusto Meira instalando um monumento na praça Barão de Ceará-Mirim (atualmente o monumento encontra-se na Esc, Municipal Dr. Augusto Meira). No mesmo dia, a família do homenageado instalou um relógio de sol no local onde ele nasceu no antigo engenho Diamante.
Em uma de minhas visitas ao local constatei que o relógio estava abandonado e encoberto pela vegetação. Preocupado, relatei a história do senador para um aluno meu que é morador da fazenda e sugeri que o mesmo fizesse uma limpeza na área porque aquele monumento era muito importante para a memória de nossa gente. Ele ficou impressionado com o que eu falei e fez toda a limpeza no local. Além disso, todas as pessoas que visitam fazenda têm por obrigação conhecer a história do famoso conterrâneo e de seu relógio esquecido.
Nossa próxima parada foi o Museu Nilo Pereira. Os alunos ficaram encantados com a beleza senhorial do velho solar. Questionaram o por quê de tanto abandono e desprezo pela memória da cidade. Fiquei sem saber responder aquelas indagações. Sabia que não adiantaria falar sobre a falta de interesse do poder público, o descaso, essas coisas, de qualquer forma, fiz um ligeiro resumo de como estava a situação do casarão do Guaporé, aproveitando para explicar quem foi Nilo Pereira, o maior guerreiro na batalha pela restauração daquele patrimônio arquitetônico.
Sótão do Casarão do Guaporé
Casa Grande do Engenho Guaporé - Museu Nilo Pereira

Restos da janela quebrada pelos vândalos
O retorno para casa me fez pensar que havia plantado algumas sementinhas naqueles jovens, pois, os entusiasmos gerados pelas informações, os levaram a questionar as administrações dos patrimônios e, também, sugerir novas visitas com vistas a debates a respeito da valorização e preservação de nossa memória.
Apesar de ter chegado em casa todo moído, causados pelos 50 anos de sedentarismo e pelos mais de três anos sem pedalar, fiquei muito satisfeito e feliz porque sabia que aqueles jovens nunca mais seriam os mesmos que começaram a viagem. A partir daquele dia eles provavelmente olharão nossos patrimônios de maneira diferenciada, enxergando por trás dos óculos. Estou feliz por isso!!!

PARA REFLETIR

terça-feira, 16 de novembro de 2010

FEIRA DO JOVEM EMPREENDEDOR

Quarta-feira dia 10/11/2010 os alunos do curso Despertar realizaram a Feira do Jovem Empreendedor. A feira é parte do curso e tem como objetivo finalizar as ações propostas pelo programa. Nela os grupos são formados e montam individualmente um empreendimento onde, prestaram serviços, comprando e vendendo materiais diversos ou serviços.Na feira os alunos tiveram oportunidade de colocar em prática as habilidades exercitadas durante o curso. As empresas criadas para o evento atingiram a meta do projeto. Os alunos se empolgaram e sairam à campo para buscar parceiros e patrocínios. O retorno para todas elas foi muito acima do esperado.
Parceria com Coronel Ananias - Grande artista popular
A reação dos alunos não poderia ter sido outra: querem continuar o curso e, provelmente, desejam montar um negócio.

Visita do Prof. Murilo Aguiar e alunos da Esc. Est. Unaldo Bezerra

Fiquei muito feliz em poder contribuir para o desenvolvimento intelectual e pessoal dos cursandos. Não é facil conduzir 30 jovens com pensamentos, atitudes e comportamentos variados.

O legal de tudo isso, é o aprendizado que ficou e a troca de conhecimentos entre nós, ajudou-nos a crescer pessoalmente. Muitas vezes precisei ser firme para conduzir as aulas com responsabilidade. Foi necessário eliminar àqueles que não cumpriram os combinados, mas, também, fui maleável em algumas ocasiões. Essas cobinações de atitudes enriqueceram a prática pedagógica do dia a dia e, certamente, servirão de linhas norteadoras do meu cotidiano escolar.

Elça Virginia - coordenadora do Ensino Médio e Prof. Gibson Machado

Parabéns a todos que conseguiram cumprir a meta do curso. Vamos para a fase final que é a redação. Espero voces!!!