sexta-feira, 28 de março de 2014

CEARÁ-MIRIM MEU AMOR


Ceará-Mirim não é apenas uma cidade perdida no meio do canavial. Não, tem história, tem vida vivida no sentimento de seus filhos, legítimos e adotados. Que vivem aqui ou distante da "Pátria Minha Amada". E para justificar o que digo, esta bela homenagem à província baquipeana, obra poética da  amiga/poeta Mariza Roque. A autora é filha de Seu José Roque, antigo morador da rua da Estação, proprietário do Hotel Central, famoso por seus doces, tarecos, etc.

CEARA-MIRIM MEU AMOR
Mariza Roque da Fonseca*

Ceará-Mirim
tem "um que".
Um encantamento
que  traz os seus filhos
presos as suas raízes.

É o verde do vale,
o  doce da rapadura
ou  serão os seus poetas
que em Prosa e Verso
contam os seus lamentos?

A saudade dos seus lares,
os seus laços de família,
o cheiro da terra fértil,
o Rio Ceará-Mirim,
os olheiros borbulhantes?

O trem de ferro, os jasmins,
os Manacás da Sinhazinha,
o seu belo por do sol,
a rua Grande, os Engenhos?
Saudades que não tem fim!

O Colégio Santa Águeda
das freirinhas franciscanas
que ensinou suas filhas
com carinho e muito esmero
a ser mulheres do bem?

A linda igreja Matriz.
A Senhora padroeira,
da Conceição de outrora,
abençoa os seus filhos
do alto de sua glória.

Mesmo quem veio de fora
ama a cidade que mora
e lhe oferece seus filhos,
seu trabalho, sua vida.
Torna-se filho também!

Permanece para sempre
e ainda que vá embora,
não esquece os que ficaram,
leva consigo a lembrança
do tempo que aqui passou.

Sente falta da cidade,
dos amores que deixou,
chora a dor da saudade,
sente alhures seu perfume,
Ceará-Mirim meu amor!

Ceará-Mirim de hoje
é uma cidade moderna.
Encanta os visitantes,
com um jeito de província
que a torna mais charmosa.

Renovou-se o que era velho
e se fez obras modernas.
Os casarões do passado
e as casas novas de hoje
enfeitam Ceará-Mirim.

Dão-lhe ares de princesa.
É uma cidade mulher
que pariu filhos ilustres:              
artistas, poetas,  escritores.
professores e doutores.

Tem uma vida dinâmica
de trabalho e de lazer.
Na saúde e educação
atende bem os seus filhos,
os incentiva a crescer.

Os que quiseram estudar,
ter curso superior,
deslocando-se para Natal
conseguiram seus diplomas.
São bons profissionais.

Médicos, dentistas,
engenheiros, advogados,
e tantas mais profissões.
Músicos e artesãos
também na terra florescem.

Mãe de autores famosos
ela se orgulha de ser.             
Mesmo os que já se foram,
através dos seus escritos,
permanecem em seu viver.

Fazem parte da cidade,
são imortais literatos,
não nos deixam esquecer      
como é bom ser seu filho
e do seu ventre nascer.

Nascer em Ceará-Mirim
ou viver à sua sombra,
é honra que nos orgulha.
Em Ceará-Mirim morrer,
há de ser uma ventura!

* Professora e Pesquisadora de Botânica (AP) da UFRN.
Natal, 23 de Novembro de 2008.

domingo, 23 de março de 2014

POR AMOR A CEARÁ-MIRIM


Vejam e compartilhem!!

RELEMBRANÇA DOS ENGENHOS DO ANTIGO CEARÁ-MIRIM


Este lindo poema foi a mim dedicado pelo querido e saudoso amigo bartolomeu correia de melo

Relembrança dos Engenhos
do Antigo Ceará-Mirim.


Ao amigo Gibson Machado Alves.

Engenhos da minha terra,
nomes que fazem sonhar...

Ascenço Ferreira.

1
Engenhos da minha terra,
nomes que fazem sonhar
com canaviais sem fim...
Cada nome, uma estória
do velho Ceará-Mirim.
2

Carnaubal, Diamante,
Veadas, Paraguaçu,
Umburanas, Laranjeiras,
Santiago, Manibu...
Cana-Brava, Cajazeiras,
Jacoca de Baixo e Riba,
São Pedro, Bicas, Palmeiras.
3
Pau d’Arco, Engenho do Meio,
Mucuripe, Igarapé,
São Leopoldo, Porão,
Pedregulho, Guaporé...
Morrinhos e Conceição,
Alagoa, Guarani,
São Francisco e União.

4
Olho d’Água, Engenho Grande,
Guanabara, São José,
Santa Rita e Espinheiro,
Verde-Nasce, Itanajé...
Barra Levada, Trigueiro,
Várzea de Dentro e de Fora,
Capela, Torre e Coqueiros.
5
Engenho de Dona Elisa,
Ilha Bela, São Miguel,
Maxaranguape, Timbó,
Floresta, Santa Izabel...
Guaramiranga, Angicó,
Ilha Grande, Santa Cruz,
Paraíso e Jericó.
6
Belliphantes, Jaçanã,
Divisão, Paz e Paul,
Nascença, Cumbe, Cruzeiro,
Peixoto, Itapicuru...
Santa Maria e Oiteiro,
Alabama, Espírito Santo,
Matas, Saco e Limoeiro.
7
Engenhos da minha terra,
carros-de-boi a cantar
os lugares d’onde vim...
Cada nome uma saudade
com gosto de alfenim.

Bartolomeu Correia de Melo
À MESTRA DORINHA PARTEIRA, COM CARINHO
Por Gibson Machado

            Maria das Dores de Carvalho nasceu em 22 de março de 1914, numa linda aurora de domingo, pelas 6 horas da manhã. Os primeiros raios de sol clareavam o dia e eram acompanhados pelos sons matinais dos alegres passarinhos na saudosa fazenda Iandú, propriedade de seu avô Antonio Agostinho.
            Os pais de Dorinha se conheceram na comunidade de Capela. Sua mãe, Maria Bernardina de Lima, morava na localidade de Madeira Nova, ali perto, e lá, conheceu seu companheiro Manoel Antonio de Lima e algum tempo depois eles se casaram. Deste casamento tiveram dez filhos, porém, as constantes aventuras do companheiro abalou a estrutura da família e eles se separaram. Dona Bernardina, com seus filhos, tocou a vida com a ajuda dos parentes.
            Dorinha, muito criança, vivia com os avós e com os tios, algumas vezes na comunidade de Varzea de Dentro, outras em Manguari, com seu tio Papanta. Seu avô Antonio Agostinho era proprietário de um engenho de almanjarra em Capela e possuía em torno de oito fazendas e muitas cabeças de gado. Era homem abastado e de barriga cheia, como costumavam dizer naquele tempo.
            Sua infância foi entre Iandú, Manguari e Várzea de Dentro. As viagens para a fazenda Iandú se davam no período do veraneio, quando o velho Agostinho transferia seu gado para aquela região. Era um período de muita alegria, em que as crianças se divertiam muito na fazenda através de inesquecíveis brincadeiras de roda, tica, cabra cega, pedras e passa anel. Um tempo de inocência e muita diversão.
            Quando estava em Várzea de Dentro, na casa de uma tia, passeava muito na cidade de Ceará-Mirim e, na fazenda, frequentava as festas que a família promovia. Naquela época, a zona rural era encantada pelas noites dos lindos pastoris. Havia muitas festas de Pastoril e Boi de Reis.  Ficava maravilhada quando se vestia de pastora com seu lindo vestido vermelho e conduzia as belas pastorinhas com seu encanto de contramestra, ainda recorda com emoção as belas canções em louvor ao menino Jesus: “Boa noite a todos, a minha chegada, sou a contramestra e viva a sua entrada...”!
            O período que passou no interior recorda com muito carinho de como era a vida junto aos amigos e parentes. Os dias e noites em que faziam farinhadas, com suas cantorias e aquele monte de mulheres raspando a mandioca. Uma roda muito grande sendo movimentada por dois homens e sua mãe Bernardina trabalhando como “sevadeira”, cuja função era abastecer o rolo para que pudesse moer a mandioca que era raspada pelas mulheres. O cheiro da farinha torrada, do beiju, uma verdadeira viagem ao passado. A fabricação do queijo, aquela farofa de qualho para o requeijão, como tinha fartura àquele lugar distante.
Sua vida no interior não era somente viagens e brincadeiras, era também, conhecimento. Suas primeiras aulas foram na escola da comunidade de Capela. Uma escola muito rígida, cujas professoras, as irmãs Quininha e Janoca, faziam valer a fama de rigorosas, principalmente, quando fazia o tão temido argumento. Pela manhã as crianças estudavam a Carta do ABC ou a tabuada. O argumento era realizado uma vez por semana, no período da tarde. Tratava-se do exame oral com a turma. A criança que não respondia corretamente era punida com bolos de palmatória. Um tempo em se aprendia com a tabuada cantada. Assim, as crianças passavam pelo processo de ensino-aprendizagem, no fio da navalha, escapando e caindo no rigor da palmatória. Dorinha, como sempre foi uma criança ativa e inteligente, nunca precisou passar pela experiência da palmatória, pelo contrário, bateu em muitos de seus colegas, por ser uma aluna exemplar e estudiosa. Estudou até o quinto ano com muito sacrifício, porque, morava em Várzea de Dentro e se deslocava a pé até a comunidade de Capela.
Seu desempenho na escola contribuiu para que ajudasse as crianças de seu povoado a se alfabetizar. Muitas tinham dificuldades de aprendizagem e seus pais procuravam a menina Dorinha para ajuda-los. Essa experiência como professora lhe rendeu o convite para ensinar na comunidade de Nazaré, distrito de João Câmara, antiga Baixa Verde.
Em Nazaré trabalhou alguns anos. Morava com um tio e se deslocava para sua casa nos finais de semana. Tomava o trem em João Câmara e desembarcava na pequena estação de Itapassaroca, um pouco distante de sua Várzea de Dentro. Não importava o sacrifício, pois, nessa época, tinha um namorado e o mesmo aguardava ansiosamente a sua chegada. Era um grande romance e uma ansiedade recompensada pelo reencontro semanal. Um belo dia, voltando de Nazaré, resolveu casar de surpresa, nunca mais voltando aos pupilos para lecionar.
Decorria o ano de 1934 quando resolveu casar com Agenor Duarte de Carvalho, ele era da família de Virgílio Luiz e morava em Ceará-Mirim. O destino da menina estava traçado de forma diferente, e, dois anos depois do casamento, seu esposo veio a falecer deixando sua amada grávida. A gravidez não foi tranquila e a criança morreu antes de ver a luz da vida.
Agora viúva, Dorinha passava o tempo costurando e fazendo alguns trabalhos na cidade de Ceará-Mirim. Uma amiga a convidou para trabalhar com corte e costura na cidade de Natal. Marcaram o dia para a entrevista e apresentação, no entanto, mais uma vez, o seu destino foi  traçado de forma diferente, ela não compareceu à entrevista e perdeu o emprego de costureira.
Continuou sua vida fazendo os trabalhos com costura em Ceará-Mirim, até receber um convite para trabalhar como enfermeira no Hospital Miguel Couto, na cidade de Natal. Era um grande desafio, pois, não tinha nenhuma experiência com a nova profissão. Determinada como era, aceitou o convite, uma vez que achava muito bonito o trabalho como enfermeira, principalmente por cuidar dos mais indigentes e ajudar a salvar vidas.
Os primeiros dias como aprendiz de enfermagem foi surpreendente, seu desenvolvimento foi muito rápido, tanto, que depois da primeira aula sobre aplicação de injeções, colocou em prática sua aula, fazendo seis aplicações intramusculares. Estava apta para enfrentar aquela nova missão.
O hospital era coordenado pelas freiras e, as mesmas, eram subordinadas à madre superiora. Elas faziam todo o gerenciamento e supervisão das enfermeiras. O trabalho era de muita responsabilidade, pois, de madrugada começava a fazer a triagem dos pacientes e a troca dos curativos e, durante o dia, auxiliava a equipe médica como instrumentista no Centro de Cirurgia. Aprendeu muito com as situações de emergência no Hospital, principalmente por ter como médicos os doutores Onofre Lopes, Aderbal e Etelvino, profissionais de alta categoria, homens predestinados a salvar vidas.
Foram mais de três anos de experiência como enfermeira no Hospital Miguel Couto. Deixou aquele trabalho porque teve um aborrecimento com uma das freiras e resolveu que não deveria mais prestar seus serviços àquela instituição. A madre superior tentou convencê-la em ficar, mas, já tinha decidido partir e enfrentar um novo caminho.
Quando deixou o hospital, voltou para Ceará-Mirim e continuou fazendo alguns trabalhos com corte e costura. Foi em um desses trabalhos que conheceu a família de seu segundo esposo, Manoel de Araujo Sá. Era viúva e não queria mais casar, no entanto, a mãe e irmã do rapaz, depois de muita insistência, a convenceram realizar seu segundo matrimônio e, deste, nasceram Julvatene, Antonio, Canindé, Maria das Graças e José Wilson.
Nos idos de 1940, mas ou menos no ano de 1944, estava em sua residência quando recebeu um chamado de urgência para fazer um parto. Não pensou duas vezes, acompanhou o cliente, um senhor conhecido na cidade por Joaquim do Ouro, e foi enfrentar mais aquela batalha. Era o primeiro parto que realizava fora do hospital e sem acompanhamento médico. Ficou muito admirada e receosa quando encontrou a parturiente, estava sofrendo e para sua surpresa, eram duas crianças. Iniciou o trabalho de parto e solicitou que fossem chamar o médico para avaliar a paciente.
Naquela época, Ceará-Mirim não tinha hospital e estava sendo instalado aqui uma unidade do SESP e o médico responsável pela cidade era Dr. Percílio Alves, um dos grandes profissionais que conheceu. Dr. Percilio atendeu prontamente o chamado e quando chegou o parto estava chegando ao fim, ele avaliou os procedimentos e mandou que continuasse porque estava tudo normal. A partir daquele dia foi autorizada a continuar prestando seus serviços como parteira.
A nova profissão estava encaminhada e a cidade precisava de profissionais que fizessem esse serviço. Naquela época havia muitas dificuldades, principalmente com relação ao sistema de transporte, pois o deslocamento era feito através de animais, carroças, a pé e até nos troles pela linha do trem. Muitas vezes para chegar ao destino e não colocar a vida das pacientes em risco atravessava rios cheios, principalmente no tempo do inverno quando enfrentava relâmpagos, trovões, verdadeiras tempestades para ajudar as crianças que estavam prestes a nascerem.
Durante o período em que exerceu a função de parteira, construiu uma grande e sólida amizade com seus pacientes, pois, além de fazer o parto, dava assistência no período conhecido, naquela época, como resguardo. Só deixava de visitar suas pacientes quando estava liberada para suas atividades. Muitas vezes não recebia pelos seus serviços, pois parte da população não tinha condições de pagar pelo trabalho. Algumas vezes o pagamento era feito com alimentação e isso ajudava muito à sua dispensa, uma vez que sua residência se transformava em maternidade quando as pacientes eram da zona rural e não tinham para onde ir. Nessas ocasiões ela liberava seu quarto para a realização do parto e dormia com os filhos em outro cômodo da casa até que a mãe saísse do resguardo.
Trabalhou como parteira até o ano de 1977. Foram trinta e poucos anos prestando assistência às gravidas de Ceará-Mirim. Muitas crianças vieram ao mundo auxiliado pelas suas divinas mãos. Fazia uma média de três a cinco partos por dia. As gerações de 1940, 50 e 60, certamente, sua grande maioria, nasceu pelas mãos de Mãe Dorinha. Foram mais de 40 mil crianças vindas ao mundo pelas suas mãos. Praticamente todas as famílias de Ceará-Mirim, sejam urbanas ou rurais, tiveram o auxilio de nossa querida mestra parteira.
No ano de 1977, necessitando passar por um procedimento cirúrgico, conversou com os filhos e resolveram que deveria fazer o tratamento na cidade do Rio de Janeiro, além de ter uma medicina mais avançada, seus filhos estavam morando naquela cidade.
Viajou para o Rio de Janeiro e depois de fazer o tratamento, decidiu que ficaria, definitivamente, com os filhos. Lá, na cidade maravilhosa, passou a frequentar a Igreja da Santíssima Trindade, localizado na comunidade de Nilópolis, onde morava com os familiares.
Os anos se passaram e seu envolvimento com a igreja ficava cada dia mais forte. Inicialmente frequentava as missas, porem, logo acompanhou as atividades sociais realizadas pelas pastorais. Muitos anos teve como obra social, recolher alimentos para distribuir com os mais carentes da região. Além disso, visitava diariamente os indigentes e doentes que precisavam de orações e conforto espiritual. Sua missão no Rio de Janeiro foi ajudar o irmão mais necessitado. Frequentava o abrigo para levar mensagens de paz e conforto para os irmãos velhinhos, muitas vezes esquecidos pelos familiares.
Foi fervorosa lutadora pelas obras de restauração da igreja da santíssima Trindade, organizava bingos, almoços e festas a fim de angariar recursos e finalizar as obras. Seu trabalho e empenho foram reconhecidos pela comunidade quando decidiu voltar à sua terra natal. Os irmãos em Cristo a homenagearam com uma grande festa de despedida.
Em 2006 voltou à sua terra natal continuando a frequentar a igreja e participando das atividades sociais existentes na cidade. Participa ativamente do grupo Vida Nova em encontros e viagens. Recentemente foi homenageada pela Prefeitura de Ceará-Mirim e pela Funasa com menção honrosa pelos serviços prestados a Ceará-Mirim e Rio Grande do Norte.
Em 22 de março de 2014 a família da mestra em parceria com os membros do Projeto Vida Nova e amigos realizaram uma grande homenagem pelo seu centenário. A programação iniciou com missa em ação de graça celebrada pelo sacerdote Bianor Júnior, o qual fez uma leitura de sua trajetória de vida. A missa foi na Matriz de Nossa Senhora da Conceição, onde, parentes e amigos puderam celebrar juntos essa data tão marcantes na vida de todos, inclusive, contou com a presença de dois sacerdotes da igreja em que serviu voluntariamente no Rio de Janeiro. Na oportunidade, também, foi homenageada sua irmã Vina, que veio do Rio de Janeiro para, juntas, celebrarem este momento de muita felicidade, pois ambas nasceram no mesmo mês, Ela fazendo cem anos e a irmã, noventa.

A recepção foi no salão do Rotary Clube, tudo estava bem organizado e a ornamentação impecável. Não é frequente ver na cidade o encontro de grandes artistas, mestres da música, como os irmãos Tita e Damião, o musicista Fernando Campos e o saxofonista, filho da aniversariante, Caninde, conhecido carinhosamente por Craúna. Além destes, apresentaram-se, também, a nova geração de artistas, um grupo de pagode, que animou a festa por toda tarde.

A aniversariante estava radiante de alegria, primeiro, por juntar os familiares em confraternização, segundo, rever a família distante, do Rio de Janeiro, sua irmã Vina, ponto de apoio nos momentos delicados no passado, e, finalmente, ver a alegria dos amigos, a presença do médico Murilo Barros, parceiro em muitos de seus partos realizados quando seu ofício era ajudar as criancinhas virem ao mundo e, como é seu jeito de ser e de viver, convidou o amigo Ciro Pedrosa para seu parceiro na hora da valsa, já que é ouvinte de seu Café da Manhã e não poderia deixar de compartilhar aquele momento de  contentamento com um amigo que todos os dias entra em sua casa para deixa-la informada do cotidiano de sua cidade natal.


VIVA MESTRA DORINHA PARTEIRA!!!

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A OBRA E O ARTISTA

ENSAIO CONTEMPLATIVO

A OBRA E O ARTISTA

Momento ímpar para nosso dileto artista plástico Julio Siqueira, ver sua obra prima subir, como se fosse pro céu, e, lá de cima, um simulacro, protegendo toda Ceará-Mirim, sua gente...envolvendo o vale com seu manto azul celestial.... O menino que entrou para a história através de seu talento e da inspiração divina...Os artistas têm, felizmente, a inspiração da alma, que é uma ponte para o universo metafísico e o olho mágico a fim de criar o que não é possível ver com o olhar..Parabéns amigo, esta é a primeira de suas grandes conquistas!!


sábado, 20 de julho de 2013

ANDANÇAS


Conceição do Araguaia - Pará - 1984
No tempo que trabalhava com pesquisa de diamantes
Com ares de revolucionário

BAÚ DE MEMÓRIA


Guarda Municipal de Ceará-Mirim na década de 1960
administração Aderson Eloy de Almeida
Os guardas da esquerda para direita: 
Baião,Pernambuco, Monteiro e José.

ATIVIDADES PEDAGÓGICAS


Noção de fotografia com a turma da professora Denize Farias 
Escola Estadual Interventor Ubaldo Bezerra de Melo - Ceará-Mirim/RN

ENSAIO CONTEMPLATIVO


Luar de Ceará-Mirim no antigo Olheiro Pedro II

FOTOPOEMA


FotoPoema uma parceria com minha fotografia do Rio Ceará-Mirm e obra poética do amigo poeta Ciro José Tavares.

sexta-feira, 19 de julho de 2013


ANTIGA RUA DA AURORA

"O centro da vida da cidade, entretanto, era a Rua da Aurora, onde o café de Jorge Moura, o cinema Rialto e o Café Central se constituíam as atrações diárias de toda a gente.

A Rua da Aurora era o lugar de todas as concentrações, sobretudo as carnavalescas.

Não tendo ainda recebido o tratamento do progresso, a pavimentação não alcançara a Rua da Aurora e frondosos pés de fícus benjamim, imunes a quaisquer lacerdinhas, davam um verde colorido de esperança à festejada rua..."

(Vultos, fatos e saudades - Inácio Cavalcanti).

FOTOPOEMA


quinta-feira, 18 de julho de 2013

O GRANDE VAQUEIRO LUIZ DE AMÉRICO

Fiz esta entrevista em 29 de junho de 2009 - Infelizmente o Mestre Luiz já faleceu!

O VAQUEIRO LUIZ DE AMÉRICO - LUIZ CABRAL DE OLIVEIRA
 
                Em 29 de junho 2009, tive o prazer de conhecer o Mestre Luiz de Américo, tio do meu amigo Ionaldo Oliveira, que me apresentou ao grande vaqueiro. Homem de riso fácil, humilde e cativante... Fui conquistado pelo seu carinho! Esse dia ficará gravado para sempre.
                Em 08 de outubro de 1918 nascia em Ceará-Mirim Luiz Cabral de Oliveira, filho de João Maximiniano da Mota e Isabel Cabral de Oliveira. Dois dias após seu nascimento, sua mãe faleceu deixando nove filhos, sete homens e duas mulheres.
                Após a morte da mãe, o menino Luiz foi morar com um tio chamado Américo, irmão de Isabel, que tinha propriedade na localidade de Gravatá, no município de Ceará-Mirim. Além de criá-lo, Américo cuidou também de seus irmãos Orlando e Francisco. Em virtude de ter sido criado por esse tio o menino passou a ser conhecido por Luiz de Américo.
                Como não havia recém nascidos na região, ele foi amamentado por uma vaca muito mansa chamada Mimosa. Enquanto o animal era alimentado com capim, Luiz se deliciava em suas têtas. Tempos depois, a empregada que cuidava dele, a pedido de seu patrão, o ensinou a tirar o leite que colocava dentro de uma pequena cabaça, e misturava com farinha para se alimentar. Para seu grande amigo o ex-governador Cortêz Pereira aquele leite que bebera na infância tinha sido o “imã do gado” para Luiz de Américo.
                Cresceu nos arredores da Lagoa de Gravatá banhando-se e correndo atrás de gado, que era seu maior divertimento.
                Américo era homem de posses, além da propriedade, foi também proprietário – por arrendamento – do engenho Divisão que arrendou de Henrique Torres por um período de cinco anos. Luiz não se interessou pelas coisas do engenho porque o que ele queria mesmo era ser vaqueiro, campear o gado. Quando seu tio e pai Américo o mandava para a escola, no distrito de Capela, ele desviava o caminho e se embrenhava nas capoeiras em busca de gado para campear. Um dia seu pai descobriu a “mutreta” e deu-lhe uma boa sova, como ele mesmo descreve: “meu pai só dava duas braçadas, mais ninguém esquecia”.
                 Na era de 1920, quando tinha seis anos viu o ex-presidente da República Afonso Pena que veio para a inauguração de uma Estação Ferroviária entre Lages e Macau. Após as festividades Afonso Pena retornou e permaneceu em Ceará-Mirim onde teve uma grande festa em sua homenagem. Foi a primeira vez que Luiz assistiu uma vaquejada tão grande. O pátio foi montado em frente a igreja matriz, no centro do largo, que era limitado por duas fileiras de fícus benjamim. Ali nascia o vaqueiro que seria conhecido em todo o Rio Grande do Norte e Nordeste do Brasil.
                Quando seu pai faleceu, tinha 15 anos, então, sai da cidade e vai trabalhar em outros lugares. Ao regressar segue o conselho de Américo que um dia disse: “você comece a pensar na vida e se encoste numa pessoa que tenha nascido com posses, porque vão desaparecer seu pai, sua mãe e um grande amigo e você precisa vencer. Pensando nisso, procura trabalho com um grande fazendeiro da região conhecido como Major Vital Correia.
                Passou parte de sua vida trabalhando com o Major Vital Correia, que o considerava homem de confiança nas competições de vaquejada. Prova disso é que só quem montava o cavalo conhecido como “Patas Brancas” eram eles dois.
                No final dos anos 1940 Major Vital o mandou trabalhar em suas terras no sertão. Lá, conheceu Angelita e iniciou um romance através de olhares e conversas “relâmpagos”, pois flertavam em segredo. Desses olhares nascia uma paixão que levou Luiz a pedir a mão da donzela em casamento aos seus tutores. Não satisfeito veio à Ceará-Mirim falar com o pai da moça que era subdelegado na cidade de Pedro Avelino, para confirmar sua intenção e receber autorização deles para o matrimônio. Com o consentimento, regressou à fazenda e acertou com ela o contrato.
                O vaqueiro saiu do sertão deixando sua amada esperando por um bom tempo. Nesse período eles não se corresponderam e nem se viram, foi um afastamento de um ano. Quando resolveu que tinha chegado a hora, pediu permissão ao Major Vital para ir buscar sua amada. O Major prontamente o atendeu dando-lhe dinheiro e total apoio para a viagem. Casou-se em 1950 e permanecem juntos até os dias atuais.
                Esse grande vaqueiro representou o Estado do Rio Grande do Norte ajudando a divulgar o esporte de vaquejada em todo território nacional.
                Em 1942 o Major Vital Correia promoveu uma grande vaquejada para o General do Exercito Brasileiro Cordeiro de Farias, uma vez que o mesmo não conhecia o esporte. O evento aconteceu na fazenda Betânia e o maior destaque daquele dia foi o vaqueiro Luiz de Américo.
                Em 1953, no governo de Silvio Pedroza, foi realizada a primeira grande vaquejada em Natal, no Estádio Juvenal Lamartine. O evento foi organizado pelos esportistas Dr. Estelio Ferreira e José Ubarana. Foi uma disputa entre o Rio Grande do Norte e a Paraíba e Luiz de Américo deu o 1º lugar ao Estado do Rio Grande do Norte.
                Tem orgulho de ter sido convidado pelo então deputado Teodorico Bezerra para representar o Rio Grande do Norte, em 1955, na cidade de Santa Cruz do Inharé quando o presidente Juscelino Kubitschek visitou o estado. A festa foi muito concorrida, as pessoas vinham para conhecer o presidente. Nesse dia, o vaqueiro Dão João puxou um boi e partiu seu rabo, fato que o presidente viu e pediu o pedaço do rabo enrolando-o em jornal para levá-lo como lembrança.              
                Em seu tempo as vaquejadas eram organizadas de forma que os bois eram classificados em Gado Duro (de mais de 20 arrobas – acostumado a ser puxado); Gado Médio (de 15 a 19 arrobas – acostumado a ser puxado) e Gado mole (de 8 a 14 arrobas – que nunca tenha sido puxado) e cada rês só poderia correr uma única vez, conforme escrita no capítulo IV do Regulamento da Vaquejada “Jubileu de Ouro” realizada nos dias 28 e 29 de maio de 1955, na cidade de Natal/RN.
                Uma grande frustração aconteceu no ano de 1958 quando não terminou a competição entre os estados de Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas. Ele fazia dupla com o saudoso Roberto Varela e estavam em primeiro lugar quando, na penúltima disputa, foi acidentado e lamentavelmente não pôde continuar. Nesse dia os louros foram para os norte-rio-grandenses Estelio Ferreira e Pedro Bento.
                Esse grande mestre dedicou toda sua vida às vaquejadas, onde divulgou e deu glórias ao Estado do Rio Grande do Norte. Lamenta ter sido esquecido pelas autoridades do Estado. Foi lembrado durante o governo de Cortês Pereira, que o convidou para ser administrador do Parque 13 de Maio a principal praça esportiva de vaquejada.
                Hoje aos 90 anos o mestre vaqueiro olha para o horizonte e lembra um passado de vitórias e glórias que eram embaladas por aplausos e reconhecimentos de uma arte nascida no sertão do Seridó, onde os grandes protagonistas eram o valente peão, o cavalo e o boi.
                Considerado como PATRIMÔNIO VIVO, Seu Luiz reside, com sua eterna companheira,  em Igapó, e lamenta não ser reconhecido como um homem que passou toda sua vida trabalhando pela cultura de sua terra e levando a arte do vaqueiro a todos os recantos do Nordeste.
                Como cearamirinense que é, o mestre poderia ser homenageado em sua terra e, quem sabe, nossos representantes encontrem uma forma de gratificá-lo com uma aposentadoria reconhecendo seu valor como Patrimônio Cultural e, também, possam refletir em um projeto que beneficie todos os grandes mestres que estão no anonimato, esquecidos e que deveriam ter um salário vitalício como forma de incentivá-los a repassar seus conhecimentos às novas gerações contribuindo para o fortalecimento e preservação de nossas tradições.
                Nossos mestres estão à espera de uma política de cultura que os façam “existir” como representantes legais de nossa cultura e não simples brincantes que eventualmente aparecem fantasiados dançando ou correndo como meros “marionetes”. Vamos lutar em respeito a todos esses grandes filhos de Ceará-Mirim: Luiz de Américo, Tião Oleiro, Luiz Chico, Maria do Carmo, Birico, Belchior. Zé Rodrigues, Luiz de Julia e tantos outros que estão ofuscados pela luz da incompreensão e falta de conhecimento.

MARIA ANTONIETA VARELA


MARIA ANTONIETA PEREIRA VARELLA
Por Denise Gaspar

            Filha de Maria Madalena Antunes Pereira e Olímpio Varella Pereira, Maria Antonieta Pereira Varella nasceu em Ceará-Mirim no dia 09 de maio de 1906.
            Fez seus primeiros estudos com a professora Adele de Oliveira e depois na Escola Doméstica de Natal, tendo se destacado sempre pela sua inteligência, educação, discrição, beleza e simplicidade.
            Casou no dia 01 de maio de 1924 com Luiz Lopes Varella, primo, fidalgo de nascimento e logo usineiro de sucesso, prefeito de Ceará-Mirim, suplente do Senador Kerginaldo Cavalcanti, empresário, dono dos cinemas Nordeste e São Pedro, algumas sociedades com Luiz de Barros e outras com Jessé Pinto Freire.
            Do seu casamento com Luiz Varella nasceram 5 filhos: Marilda, Mariza, Manoel, Roberto e Ione.
1)   Marilda nasceu em 31/01/1925 e casou em 1946, na usina São Francisco em Ceará-Mirim, com o oficial de Marinha João Carlos de Freitas Raulino. Tiveram 5 filhos: Marildinha, Luiz Eduardo, Regina Laura, Carlos Eduardo e Branda Maria.
2)   Marilza faleceu com um ano e oito meses.
3)   Manoel faleceu com 8 meses.
4)   Roberto nasceu em 04 de novembro de 1928 e casou-se em Natal, no ano de 1951, com Maria Elenir Fonseca. Tiveram quatro filhos: Luiz Neto, Cinthia, Márcia e Sheila. Em  1985 uniu-se a Ana Anunciada Costa com quem viveu até o seu falecimento em 04 de outubro de 2006.
5)   Ione nasceu em 26 de janeiro de 1931 e casou em Natal em 1948, com o primo – agrônomo, depois usineiro e deputado federal Eider Freire Varela. Tiveram três filhos: Tânia, Euler e Eudes.
            Antonieta teve papel de grande destaque na vida do seu marido Luiz Lopes Varella. Quando da Intentona Comunista em 1935, Luiz Varella, usineiro, foi paradoxalmente acusado de comunista, tendo sido perseguido e forçado a viajar com toda a família, vivendo humildemente no bairro do Andaraí, costurando em sua residência para o sustento de todos, inclusive sua sogra, a fidalga Dona Etelvina de Paula Lopes Varella.
            Esta passagem enchia de orgulho o seu esposo, que costumava dizer à sua filha Marildinha: “Eu jamais seria o que sou sem Antonieta – ame-a muito e sempre”.
            Era excelente dona de casa, exímia na arte culinária e dotada de requinte ímpar nos menores detalhes. Como anfitriã, recebeu com perfeição as maiores autoridades do Estado e do País, tais como os governadores Aluizio Alves do Rio Grande do Norte, Ademar de Barros de São Paulo e o presidente da República João Café Filho que foi seu hóspede inúmeras vezes.
            Suas casas, quer na usina São Francisco em Ceará-Mirim, como em Natal, eram decoradas com  a mais requintada simplicidade, apesar das pratarias, cristais, porcelanas e quadros valiosos. Nelas, recebia não apenas autoridades e políticos, mas também os humildes, os funcionários, os moradores, familiares e todo aquele que precisasse de caridade ou do aconchego familiar. Suas casas eram abertas a todos, sem discriminação de estado social.
            Mas ela não era apenas uma excelente hostess. Eram inúmeras as qualidades dessa extraordinária mulher: Dona de uma personalidade invejável e possuidora de forte caráter, foi também uma das primeiras mulheres a dirigir automóvel no Rio Grande do Norte. Inteligente, altiva, porém, bastante sentimental e carinhosa, era excelente filha, irmã e esposa, mãe, tia, sogra, avó e bisavó. Acima de tudo, era amiga de seus amigos, e por isso muito bem relacionada em toda a sociedade.
Abel, Antonieta, Vicente e Ruy
            Amava seus irmãos: Ruy, Vicente, Abel e Darquinha, assim como todos os sobrinhos.
            Lembro-me do carinho que dedicou a minha família em 1947 quando meu pai Ruy Antunes Pereira,e minha mãe Odette, resolveram morar em Natal. Como nossa casa estava em construção, ficamos todos – meus pais, o afilhado Ruyzinho e eu – hospedados com os queridos tio Luiz e Antonieta. Época, em que tivemos a honra de privar da hospitalidade desse casal ímpar, que se tornou meus compadres, padrinhos de batismo de meu filho Sérgio Gaspar.
            Como o mesmo afeto e elegância cederam a mansão da Praça Pio X, para a recepção dos casamentos das sobrinhas Gipsy (com Dr. Antonio Montenegro) e Suely (com Dr. Emanoel Alves Afonso).
            Antonieta Varella também fazia filantropia, isolada ou em grupo, ia, por exemplo, sozinha em seu automóvel, para que ninguém soubesse, levar mantimentos aos detentos da penitenciária “João Chaves”, em Natal.
            Foi  uma das fundadoras da ACF (Associação Cristã Feminina) – entidade que recebia moças que vinham do interior para estudar em Natal. Atuou com destaque ao lado de Maria Alice Fernandes, Ivete Bezerra, Cindinha  Dumaresq e Lucia Viveiros, dentre outras. Segunda presidente, em sua gestão foi adquirida a casa onde a associação funciona até hoje – Avenida Prudente de Morais, nº. 300.
            Após perder seu marido, Luiz Varella em 15 de julho de 1976, residiu em seu apartamento no Rio de Janeiro e voltou a morar em Natal e posteriormente em Ceará-Mirim, onde faleceu em 20 de janeiro de 1990.
            Eleita por um jornal da Paraíba como “EXCELSA IMPERATRIZ DA FORMOSURA”, pode ser considerada, pelas suas atitudes e pelo seu caráter, a – “GRANDE DAMA DOS VERDES CANAVIAIS E DO RIO GRANDE DO NORTE”!

segunda-feira, 9 de julho de 2012

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PARQUE BOCA DA MATA. UMA TRISTEZA!



Hoje fiquei surpreso quando observei o estado em que se encontra o pouco que resta do “Parque Municipal Boca da Mata”. Esta área foi conquistada pelo Ministério Público, uma luta do promotor Antonio Siqueira para ser uma área de preservação que foi criada em 2008. No entanto, estão derrubando a mata e contrabandeando sua fauna e flora.
Torna-se visível o roubo e o desmatamento em toda sua extensão. É certo que o parque foi apenas criado e inaugurado, entretanto, efetivamente, nunca foi feito nada que o ajudasse a se recompor da degradação e do desmatamento.
Há LEI no município que orienta seja plantada uma árvore naquele local por cada recém-nascido na cidade. Não tenho conhecimento se isso está sendo cumprido. Na verdade há uma área de quase 100 hectares aparentemente abandonada e entregue aos ESPERTOS que, na calada da noite ou mesmo durante o dia, estão se apropriando desse PATRIMÔNIO MUNICIPAL.

A Lei Orgânica do Município no Capitulo IV do Meio Ambiente, Art. 98 diz que:
“Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem como de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Publico e à coletividade o dever de defendê-lo, e de harmonizá-lo, relacionalmente, com as necessidades do desenvolvimento socioeconômico, para as presentes e futuras gerações.
No Parágrafo Único do mesmo Art.98: Para assegurar a efetividade desse direito, incube ao Poder Público:
I – Preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistema;
II – Preservar e diversificar a integridade do Patrimônio genético do Município e fiscalizar, nos limites de sua competência, as entidades dedicadas à manipulação de material genético;
III – Definir, supletivamente à União e ao Estado, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através da lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção;
IV – proteger a FAUNA e a FLORA, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade;
V – Obrigar aquele que explora os recursos minerais a recuperar o maio ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei;
VI – Exigir o reflorestamento pela respectiva empresa de área de vegetação, de onde retirem matéria prima para combustão;


Diante do exposto, é necessário que a população cobre dos candidatos, nesta eleição, o cumprimento da Lei Orgânica que é dos anos 1990 – quem sabe até fazer as alterações necessárias às novas realidades. Por que, senão, o Parque e “Área Verde” do município terminarão sucumbindo às especulações imobiliárias.
Vamos observar, NAS PROPOSTAS DE GOVERNO, o que está sendo abordado para o meio ambiente, a cultura, educação, saúde, segurança, entre outros. É hora da juventude de nossa cidade lutar por uma terra com oportunidades e melhor qualidade de vida. É responsabilidade das novas gerações mudar o sistema político que foi instalado “culturalmente” durante décadas. Um processo falido e injusto, em que os poderes de barganha e econômico imperam nas escolhas, que deveriam ser feitas democraticamente, no entanto, ainda convivemos (infelizmente) com práticas centenárias, em que o “voto de cabresto” ainda roda nas eleições. É um fato, que mudou a forma de fazê-lo, porém, a essência é a mesma.
A degradação do meio ambiente não está sendo somente no Parque Municipal, ela ocorre drasticamente na bacia do rio Ceará-Mirim, principalmente na utilização da areia do rio para a construção civil e nos dejetos jogados no leito. As lagoas de decantação do município é um processo ultrapassado. É necessário que haja saneamento em toda cidade e seja instalada uma usina de tratamento. Além disso, fazer cumprir a lei e reflorestar todas as matas ciliares da bacia hidrográfica do rio Ceará-Mirim. Há exemplo de sucesso com relação ao reflorestamento e recuperação das fontes de água de nossos olheiros. Um exemplo real de reflorestamento no manancial é a recuperação de uma nascente no Rancho Boca da Mata, cuidada por Luiz Correia.
O povo tem o poder de escolher e não é possível que em pleno século XXI onde as tecnologias e a era da informação tornam as comunicações mais rápidas e visíveis, ainda tenhamos que nos curvar às práticas arcaicas de uma gestão pública falida em que os interesses do povo estejam sendo colocado (na prática) em segundo plano, sob uma injusta administração voltada apenas e simplesmente para projetos pessoais.
O ocupante da Cadeira do Solar Antunes deve ter em mente que a cidade e sua população são prioridades e que os projetos de governo apresentados sejam direcionados para o bem estar da população, gerando empregos e qualidade de vida.
Este singelo texto não é nenhum manifesto, nem protesto, apenas, chamo a atenção de nossos conterrâneos para analisar bem quem escolherão para governar a cidade e sua gente. O voto é um instrumento pessoal e uma arma que pode ser usada contra práticas de corrupção, maracutaia, prepotência, ganância, mentira, usura...O voto, neste período de campanha eleitoral, é muito valioso, mas, esse valor não é material, é um valor moral, um valor de cidadania...CEARÁ-MIRIM TEM JEITO!!!