domingo, 17 de outubro de 2010

ENGENHO VERDE NASCE

Cerca de ferro fabricada na Inglaterra
O ENGENHO VERDE NASCE E A CASA GRANDE

O Engenho Verde Nasce foi fundado em pleno período da aristocracia canavieira, pelo Dr. Victor José de Castro Barroca, primeiro juiz municipal de Ceará-Mirim, nascido aos 15 de junho de 1820, o Dr. Victor era filho de José Joaquim de Castro Barroca e de D. Joaquina Maria do Sacramento. Bacharelou-se pela Faculdade de Direito de Olinda, turma de 1844. Além de juiz municipal de Ceará-Mirim, foi ele deputado provincial, no período de 1846 à 1851. Seus filhos estudaram na Inglaterra e na França, como era comum aos aristocratas da época, que mandavam os filhos estudar na Europa. Dr. Barroca faleceu em Ceará-Mirim, no dia 29 de outubro de 1881.
Nilo Pereira, neto materno do Dr. Victor José de Castro Barroca, é outro ilustre norte-rio-grandense que nasceu na casa grande do engenho Verde Nasce. No seu livro “Imagens do Ceará-Mirim”, Nilo Pereira descreve: “Do Verde Nasce, cuja casa-grande está longe de ter grandeza e a significação de outras... saí nos braços de minha mãe, aos três meses de idade. O engenho já não era mais nosso”.

Victor Jose de Castro Barroca


O Verde Nasce era o refúgio do Dr. Barroca e o local onde ele costumara receber os seus amigos, entre eles o deputado Tarquínio Bráulio de Souza Amarantho, professor da Faculdade de Direito do Recife, jornalista e jurista, que em várias oportunidades visitou o Verde Nasce.
Marcelo de Castro Barroca, filho de Victor José, estudou na Inglaterra. Lá, apaixonou-se por Emma, moça da religião Anglicana. Casaram-se, vindo residir no Verde Nasce. Uma fatalidade afastou o casal: Emma Barroca, acometida de uma febre, faleceu ainda jovem, em 1881, antes mesmo de completar 30 anos de vida.
Em se tratando de uma moça protestante, Emma Barroca foi impedida de ter sepultura eclesiástica. Em face desse impedimento, Marcelo sepultou a esposa na colina do Verde Nasce.
Sua lapide encontra-se até hoje guardada com Herbert Júnior, no engenho.
O Engenho Verde Nasce continua de fogo aceso, produzindo açúcar bruto e mel. Apresenta uma particularidade que o classifica como representante, no vale do Ceará-Mirim, dos benefícios oferecidos pela revolução industrial: é a cerca que limita a propriedade, toda ela confeccionada de ferro fundido, com um portão de acesso peculiar, que evitar a passagem de animais.

A casa-grande do engenho, edificada no século passado, foi demolida. Como afirma Nilo Pereira, está longe da grandeza de outras congêneres, porém, possui ela um significado valor histórico: foi ali que muito se batalhou pela economia canavieira do vale, em época de crise e nos momentos de desespero, quando a seca desafiava a população e a integridade do vale.
A Casa-Grande apresentava partido de planta retangular desenvolvido em um único pavimento. As técnicas utilizadas na sua edificação foram bastante primitivas. A casa é desprovida de ornatos e de requintes comuns às casas-grandes dos Senhores-de-Engenho. Aquela casa apresenta características similares às edificações da região do Seridó: possuía alpendre frontal e sistema de cobertura, em telhado de duas águas, que dispensa consequentemente o emprego de calhas e de qualquer outro sistema de captação e condução das águas pluviais.
A cobertura da casa apóia-se no alpendre, em colunas de alvenaria, provavelmente substituindo as colunas originais, que geralmente eram confeccionadas de madeira. A fachada principal apresenta, além do alpendre, uma porta central de aceso ladeada por seis janelas, todas elas em vãos de vergas retas.
A casa-grande do engenho Verde Nasce, apesar de implantada na zona rural, possuía uma forte vinculação com a cidade de Ceará-Mirim, devido à pequena distância existente e, sobretudo, pelo fato de desenvolver uma atividade econômica que a caracteriza como participante da vida urbana.
Atualmente o Engenho Verde Nasce pertence aos herdeiros de Herbert Dantas. Apesar da casa-grande ter sido tombada a nível estadual desde 22 de dezembro de 1989, foi demolida.

CASA GRANDE DO BARÃO DE CEARÁ-MIRIM

A CASA GRANDE DO BARÃO DO CEARÁ-MIRIM
A antiga casa-grande do barão o Ceará-Mirim está localizada em terras da Usina S. Francisco ex-engenho do mesmo nome, nas proximidades da cidade do Ceará-Mirim atualmente, pertence a Companhia Açucareira Vale do Ceará-Mirim. Residência senhorial, edificada em meados do século passado, conforme indica a inscrição existente na sua fachada: 1857. Seu primeiro proprietário foi o Senhor-de-Engenho Manoel Varela do Nascimento, Barão do Ceará-Mirim.

Fachada do prédio - data de 1857 - e na varanda observa-se a inscrição MV

Manoel Varela do Nascimento, filho de Filipe Varela do Nascimento e de D. Teresa Duarte, nasceu aos 25 de Dezembro de 1802, no sítio “Veríssimo”, arredores da cidade de Ceará-Mirim. Sua esposa D. Bernarda Varela Dantas, veio ao mundo aos 17 de junho de 1821.

Manoel Varella do Nascimento - Barão de Ceará-Mirim

Bernarda Varella - Baronesa de Ceará-Mirim
O Futuro barão começou a sua vida econômica como pequeno plantador, com um engenho movido por bestas. Adquiriu de um chefe índio de nome Saquete, uma terra pertencentes aos índios, denominada ilha dos cavalos (hoje ilha bela), na qual instalou o seu engenho São Francisco. O Barão de Ceará-Mirim foi um dos primeiros proprietários de engenho da região a utilizar os cilindros horizontais, na moagem das canas, em substituição aos cilindros verticais, tradicionalmente utilizados, também foi o divulgador da cana “Cayenne” (caiana), logo predominante no vale do Ceará-Mirim. Em sua vida pública, Manuel Varela do Nascimento aparece como alferes de 2ª linha, em 24.4.1828; presidente da Câmara Municipal de Extremoz, nos períodos de 1829/32 e 1837/40; 16.07.1852, coronel comandante superior da Guarda Nacional, dos municípios de Natal, São Gonçalo, Extremoz e Touros; deputado provincial, período de 1868; 3º vice-presidente da província em 1868. Foi o primeiro norte-rio-grandense agraciado com o titulo de barão – Barão do Ceará-Mirim. Por decreto imperial de 22.06.1874, assinado a 8 do mês seguinte. A benemerência deveu-se “aos relevantes serviços prestados à instrução pública da província do Rio Grande Norte”. O Barão do Ceará-Mirim dedicou grande devotamento à causa da instrução pública, chegando mesmo a construir uma escola, doada por ele ao município em 05.11.1878. A tradição recorda as duas carruagens do barão (1877), “muito asseadas, com boas parelhas e seus escravos decentemente vestidos”. Antes do decreto da abolição da escravatura, todos os escravos pertencentes à baronesa do Ceará-Mirim, já haviam sido alforriados, por ato de 01.03.1888, em honra à memória do Barão...

A Casa-Grande do antigo Engenho São Francisco é ainda uma da melhores edificações do Município. Desenvolvida em dois pavimentos, a casa apresenta partido de planta quadrangular, com cobertura de quatro águas, beiral corrido com extremidades em “cauda de andorinha”, arrematado por cimalha. A fachada principal da casa possui uma porta de acesso, ladeada por seis janelas, superpostas por sete janelas, rasgadas, guarnecidas por uma única grade de ferro. Todos os vãos são de arcos abatidos, com cercaduras de massa. O prédio sofreu algumas alterações. Assim, as suas paredes externas perderam o belo revestimento de cerâmica do porto, da época de sua construção. O seu interior, onde atualmente funciona a administração da usina São Francisco, sofreu pequenas modificações para adaptá-lo ao novo uso. A casa possui piso cimentado no térreo, ainda conservando o assoalho de tabuado corrido, no pavimento superior. Mantém o forro de tabuado, no térreo, e no pavimento superior foi colocado gesso. Antigamente, na sala de honra de casa-grande encontravam-se os retratos a óleo de barão e da baronesa. O tradicional edifício foi despojado de seus antigos moveis. O portão nobre, de ferro fundido em Portugal, foi transferido para uma construção ao lado da casa-grande. Nas proximidades daquela residência existe um pequeno cemitério e uma Capelinha, dedicada a N.S. da Conceição, onde se encontram duas imagens antigas, de madeira, e um crucifixo de marfim. O barão faleceu a 1º de março de 1881 e a baronesa aos 16 de julho de 1890, conforme indicações constantes das lousas mortuárias existentes naquele pequeno cemitério, onde também acham-se sepultados outros familiares.

Cemitério da Usina São Francisco

A Casa-Grande encontra-se bem conservada o mesmo não podendo dizer do cemitério e da capelinha, que se encontram em péssimo estado de conservação no mais profundo abandono. Esperamos uma maior atenção por parte dos atuais proprietários, no sentido de ser recuperado aquele conjunto arquitetônico de relevante importância histórica, de modo a valorizá-lo como patrimônio artístico e sentimental do verde vale dos canaviais.

Fonte: Jeanne Fonseca Leite Nesi - Jornal O Poti de 04 de agosto de 1991
Assim como lutamos pela restauração do velho solar do Guaporé - é necessário iniciarmos, também, a luta pela restauração do velho casarão do Barão de Ceará-Mirim. Essa edificação é muito importante para a memória do município. Certamente foi a primeira grande construção da cidade. A Ecoenergia (antiga Usina São Francisco) poderia fazer uma avaliação e ver como restaurar o casarão fazendo pacerias. Nós estamos à disposição da usina para o que for preciso. A memória de nossa cidade está plantada naquele solar e no cemitério que guarda os restos mortais dos patriarcas da família Varella pioneiros na construção de Ceará-Mirim.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

ACADEMIA CEARAMIRINENSE DE LETRAS E ARTES

Prof. Francisco Assis, Dr. Pedro Simões, Prof. Gibson Machado, Historiador Franklin Matinho e Dra. Leonor Soares - membros da comissão organizadora da ACLA.

Prezados amigos:

Reunimo-nos ontem à noite, pelas vinte horas, numa das salas do CAIC, em Ceará-Mirim e formamos uma comissão de constituição da nossa Academia Cearamirinense de Letras e Artes (ACLA) formada por Franlin Marinho, Gibson Machado, Leonor Soares, o professor Assis Rodrigues e eu.
A comissão examinará, preliminarmente, a sugestão de Patronos, a proposição de acadêmicos e a minuta do Estatuto, com vistas à convocação de uma assembléia para criação da instituição, do final deste mês para início do próximo.
Alguns nomes que ressaltam como óbvio, dado o seu valor intelectual, foram sondados e escusaram-se de participar por questões de foro íntimo.
Faremos, antes mesmo da assembléia, uma segunda reunião para ajustar as proposições e sugestões consensuais que serão levadas à discussão por todo o grupo de fundadores.
Grande abaço
Pedro Simões

PROJETO PAPEL ARTESANAL

Equipamento para oficina de papel reciclado

Desde 2004 quando cursava Educação Artística na UFRN que venho tentando implantar uma oficina de papel reciclado em Ceará-Mirim/RN. Em 2007 fui convocado, através de concurso público, para assumir a disciplina de Artes, pela Secretaria de Educação e Cultura do RN, acreditei que aquele seria o momento de lutar pelo projeto do papel. Foram quatro anos de tentativas, insistências e sempre havia obstáculos, falta de condições físicas e, principalmente, financeiras para implantá-lo.
Em Maio de 2010 o apresentei para Dr. Antonio Siqueira, representante do Ministério Público, e o mesmo acreditou que seria possível sua implantação. A partir de julho os equipamentos começaram a serem entregues na Escola.
Solicitei à Direção da Escola Estadual Otto de Brito Guerra, através das gestoras Sonia e Fatima, que fizessem o investimento para a implantação do laboratório de Artes a fim de iniciarmos a tão sonhada oficina de papel artesanal.
Os investimentos foram feitos e o laboratório de Artes está pronto, provavelmente, seja o primeiro implantado em uma escola pública estadual. Sua instalação contribuirá para que possamos realizar e criar muitas situações de aprendizagens com nossos alunos e, também, com a comunidade escolar, através de oficinas de artes visuais, artes cênicas, musica e dança, principalmente populares.
O próximo desafio é encontrar parceiros que façam a coleta seletiva do papel, principalmente nas escolas de nosso município. Faremos uma campanha em busca dessas parcerias e esperamos que nossa luta tenha o respaldo da comunidade.
O beneficiamento do papel terá uma importância fundamental na formação de nossos docentes, principalmente, na conscientização sobre a preservação do meio ambiente e na reutilização do papel como fonte de renda, agregando valores aos produtos artesanais que serão produzidos nas oficinas, como: envelopes, caixas para presente, sacolas, porta joias, blocos de anotações, etc.

Alunos picotando o papel - primeiro processo

Orientações do professor Gibson Machado

terça-feira, 12 de outubro de 2010

CONCURSO FOTOGRÁFICO

Dia 06 de outubro de 2010 o Centro Esportivo e Cultural, através da diretoria de cultura, divulgou o resultado do I Concurso de Fotografias Dr. Julio Gomes de Senna.

Professor Gibson Machado - abertura para a entrega da premiação


O concurso fotográfico teve como tema: “Olhares sobre o patrimônio histórico e cultural de Ceará-Mirim” e foi aberto às escolas do município. A premiação foi dividida em duas categorias: ensino fundamental e ensino médio.
Todas as escolas foram convidadas, no entanto, três escolas aderiram ao projeto. Pelo ensino fundamental, as escolas Sociedade Casa da Titia e Escola Municipal Dr. Julio Gomes de Senna e no ensino médio a Escola Estadual Professor Otto de Brito Guerra.
Durante a programação pela entrega das premiações, os fotógrafos que participaram da comissão julgadora fizeram algumas exposições falando sobre a importância da fotografia no mundo atual. Os professores que orientaram os alunos falaram a respeito da contribuição da fotografia enquanto leitura de imagens e sua importância na aquisição de novos conhecimentos, principalmente da troca de experiências com seus alunos.
O objetivo do concurso foi despertar na comunidade escolar o interesse pela história de Ceará-Mirim e a valorização de seus patrimônios históricos e culturais.
Foi uma oportunidade em que a comunidade escolar se envolveu e, professores e alunos, buscaram selecionar os patrimônios, refletindo sobre sua importância na construção do município e na preservação da memória e das tradições.
As imagens, no mundo contemporâneo, mais especificamente as fotografias, estão por toda parte registrando fatos, acontecimentos, momentos. A exposição de imagens em excesso no cotidiano, por meio da presença de outdoors, da televisão e do cinema, das revistas, entre outros meios de comunicação, contribui para a banalização de seu uso. Mesmo em materiais didáticos, muitas vezes, encontramos o uso da iconografia como mera ilustração. Raras vezes nos deparamos com o uso da imagem, ou da iconografia, como um objeto de investigação que desperte no interlocutor a reflexão sobre a mesma, percebendo sua riqueza e sua devida importância nas reflexões sobre o ensino de história e memória.
A fotografia deve ser vista como mais um instrumento da compreensão histórica e como qualquer outra fonte ela deve ser questionada, analisada e confrontada com outras fontes. Ela em si não é neutra: a fotografia fala, tem um discurso que deve ser visto e revisto dentro de um contexto em que ela foi produzida. É, portanto necessário termos essa clareza ao utilizar a fotografia como fonte histórica.

Comissão julgadora e professores responsáveis pelos alunos

Ao empregar a fotografia como documento para contar a história de um município e consequentemente da região na qual ele está inserido é importante não perdermos de vista a intencionalidade com que a fotografia foi produzida. A análise de tal documento poderá contribuir no enriquecimento do trabalho com história local, pois a imagem tem a capacidade de instigar, desafiar, de despertar a curiosidade do público para o qual se propõe este trabalho.

O trabalho com história local faz com que ele desenvolva o sentimento de pertença, lança um novo olhar sobre a sua localidade, ao compreendê-la como um lugar de memórias e mesmo de contradições. Pode produzir a inserção do aluno na comunidade da qual faz parte, criar suas próprias historicidade e identidade.
Esperamos que o I concurso de fotografias Dr. Julio Gomes de Senna tenha continuidade no próximo ano e que outras escolas possam participar ajudando a plantar a semente do conhecimento em nossos jovens, de modo que compreendam a iconografia como fonte documental e não como mera ilustração.
Perceber a história ou várias histórias impressas em uma fotografia e interpretar os seus discursos e os seus silêncios é dar um passo importante na compreensão da formação e da transformação dos processos históricos que se desenrolam até a presente época.

Resultado do concurso:

ENSINO FUNDAMENTAL:
1º lugar: Mestre Birico


Fotógrafa: Hillary da Silva Oliveira – aluna do 8º ano da SECAT – Sociedade casa da Titia.
2º lugar: Museu: patrimônio histórico
Fotógrafo: Paulo Henrique de Paulo Nicácio – aluno do 8º ano do SECAT – Sociedade casa da Titia.
3º lugar: Bueiro e tachos
Fotógrafo: Francisco de Assis R. Junior – alunos do 7º ano da Escola Municipal Dr. Julio Gomes de Senna.

ENSINO MÉDIO
1º lugar: Kasarão
Fotógrafo: José Raimundo da Silva Souza – aluno do 3º ano da Escola Estadual Professor Otto de Brito Guerra.
2º lugar: Diamante
Fotógrafo: Gleydson de Brito Moura – Aluno do 1º ano da Escola Estadual Professor Otto de Brito Guerra.
3º lugar: Nascença
Fotógrafo: Francisco Silva de Souza – Aluno do 3º ano da Escola Estadual Professor Otto de Brito Guerra.
Nossos agradecimentos:
Ao presidente do Centro Esportivo e Cultural, Ubiratan Severo pela parceria e por ter confiado no projeto.
Dr. José Fernandes Senna (filho de Dr. Julio Senna), por ter dado a ideia do concurso, pelo apoio e por ter patrocinado a premiação.
Diretores, professores e alunos das escolas que participaram do projeto por ajudarem na realização e execução.
Aos músicos Joaozinho e Danilo da banda Kairus pela participação especial.
Aos fotógrafos José Maria, Everaldo Leocádio, Idiana Rodrigues e Valdec Moura pela participação no julgamento das fotografias.
Ao amigo Valdec Moura por participar do evento expondo seu material e equipamentos cinematográficos, o que enriqueceu a exposição.
Aos amigos Dr. Pedro Simões (coordenador da comissão para criação da Academia Cearamirinense de Letras e Artes), Jansem Leiros – presidente da Academia Macaibense de Letras e Artes e esposas pela visita ao nosso evento.

domingo, 10 de outubro de 2010

PROJETO DESPERTAR


Em 06 de outubro de 2010 o Projeto Desperar proporcionou aos cursandos a oportunidade de ouvir o depoimento da empreendedora do ramo de confecções a Sra. Lila.
A empresária iniciou sua palestra falando sobre a importância de ser empreendedor e suas principais características, enfatizando, principalmente, como vencer as dificuldades com determinação e atitudes.
Ela expôs sua história de vida e relatou detalhadamente como conseguiu superar as dificuldades, sendo criativa e aproveitando todas as oportunidades que o mercado lhe ofereceu.
Atualmente Lila é empresária do ramo de confecções e farmácia e procura estar sempre se atualizando para aperfeiçoar seus projetos, inovando e influenciando seus clientes, às novas tendências da moda.
Após a palestra os alunos elaboraram várias perguntas e iniciaram a entrevista com a empresária que respondeu a todas esclarecendo os detalhes questionados pelos cursando. Foi muito importante seu depoimento para a formação dos jovens empreendedores, pois, muitas dúvidas foram esclarecidas e, também, suas palavras serviram de incentivo para que eles pudessem refletir e, quem sabe, entrar para o mundo do negócio.
Queremos agradecer a empresária Lila e a direção da Escola por nos ceder o espaço e estar presente em todas as vezes que foram solicitados.
Para reforçar a importância do trabalho em equipe fizemos uma dinâmica com balões que nos fez refletir muito a respeito da importância do outro para mantermos todas as atividades funcionando devidamente bem. Nossos alunos iniciaram a atividade muito descontraídos, no entanto, a medida que alguns foram sendo retirados e solicitei para que mantivessem os balões suspensos, as dificuldades apareceram, e eles ficaram totalmente desnorteados e preocupados em não deixar os balões cair, o que aconteceu inevitavelmente.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

ADELE DE OLIVEIRA

Natal, domingo, 13 de março de 1983

TRIBUNA DO NORTE Colaboração- 13

TENDÊNCIAS

ADELE DE OLIVEIRA, FEMINISTA QUASE INÉDITA.
Gumercindo Saraiva

Quando em 1974 escrevemos em T.N. uma série de quase cinqüenta crônicas intituladas – CEARÁ-MIRIM – TERRA DE NOSSA INFÂNCIA – recebemos cartas elogiosas de Nilo Pereira, Edgar Barbosa, Rui Pereira, Meira Pires, Oliveira Júnior, Clodomil Cabral de Trindade, Luiz Alves Correia, Franklin Jorge, a maioria, poetas, reconhecendo a pesquisa publicada acerca dos costumes, tradições e crendices, durante o tempo em que residimos naquela cidade, ocasião em que nos deram o título de “Cidadão Cearamirinense”, como fizeram outras cidades, inclusive “Cidadão Natalense”.
Interessados na complementação de biografias de seus ilustres filhos, voltamos várias vezes à Ceará-Mirim, o mais se distanciavam de nós, os informantes, nada sabendo sobre os assuntos palpitantes, isto, com relação aos poetas do vale, esquecidos, e alguns residindo no Rio, São Paulo e Rio G. do Sul. Contudo, atingimos o alvo de nossos desejos conseguindo “um punhado” de poemas da poetisa da terra, que fora nossa professora – Adele de Oliveira – nome consagrado no movimento feminista do Rio G. do Norte, quando em 1928 iniciava-se em Natal os primeiros passos, com a presença da escritora e socióloga Ioga Berta Luztz.

MODÉSTIA DA POETISA PREJUDICOU SUA VIDA

Em 1928, Adele de Oliveira estava com seus 45 anos, pois, há dúvida quanto á época do seu nascimento. Ezequiel Wanderley (1872-1933), em “Poetas do Rio Grande do Norte” (1922) registra a data de 1885, ano em que nasceu a poetisa mas, é sabido que houve um equívoco e por isso Rômulo Wanderley,”Panorama da Poesia Norte-Rio-Grandense”, 1967, biografando a poeta não menciona a data. E, de uma simplicidade fora do comum, podemos afirmar que Adele de Oliveira viva escondida para a cultura potiguar. Não publicava seus poemas, não dava entrevistas, trocava de assunto quando alguém perguntava-lhe acerca de correspondência mantida na juventude, com intelectuais paraenses onde seu nome era muito conhecido. Da cultura norte-rio-grandense, salientava o nome de alguns poetas de sua terra, dando destaque a Juvenal Antunes com quem mantinha uma amizade partida da infância. Mas, na intimidade, não aceitava o humor da poesia do amigo, abusando, como todos sabem, da riqueza possuída em sua cultura poética.
Duvido que tenha havido no Rio G do Norte outro poeta do timbre de Juvenal Antunes, escrevendo prosa e verso, com uma linguagem cristalina, pura, sem mancha. Como é sabido, somente com o movimento modernista de 1922, houve uma ligação entre a poesia e o humor, cuja separação e rompimento, vieram com o advento do romantismo, parnasianismo e simbolismo, proibindo terminantemente resquícios de ironia na estrutura de seus estilos.
Adele de Oliveira, vivendo intelectualmente na fase do modernismo, jamais aceitou essa doutrina, como diziam, nascida para acabar com o academicismo e com os poderes para a criatividade brasileira.

A MAIOR POETISA CEARAMIRINENSE

Maior no sentido estético, na filosofia das belas artes, Adele de Oliveira viveu princesa em Ceará-Mirim, sua terra, fazendo crescer ali um magistério. Um mundo de inteligência, por onde passaram vultos que hoje engrandecem a cultura potiguar. Mais tarde, morreu rainha, sentada num trono de glória, após ter cumprido sua missão no professorado da terra.
O ineditismo na vida intelectual de Adele de Oliveira é um fato que deveria ser estudado separadamente, visto que há muita versão e mesmo depois de muitas entrevistas com a poetisa jamais ela revelou, aquela simplicidade quase irritante. E, como dissemos-lhe certa vez, na residência do dr. José Tavares, presente sua digna esposa Juracy Tavares, jamais compreendíamos a sua vida enclausurada, isto é, afastando-se voluntariamente do grupo de intelectuais de sua época, oportunidade em que era sempre visitada por Otoniel Menezes, João Estevão Gomes da Silva, dr. Abner de Britto, Marcos falcão, Nascimento Fernandes e tantos admiradores que visitavam a terra de Edgar Barbosa e Nilo Pereira.
No início da década de 30, residindo de vez em Natal, quando viajávamos à Ceará-Mirim, sempre procurava nossa professora, a fim de ser obsequiado com seus poemas e ela, dando um “não”. Mas o “não” da poetisa era pronunciado com meiguice, carinho e afago, não sabendo ela que, após sua morte, fomos premiados com uma coleção de versos da melhor qualidade, oferta espontânea do dr.Ciro Tavares, aumentando, assim, material pertencente ao seu livro “Retalhos de Sonhos” que ainda havemos de publicar para melhor ser conhecida na nova geração.
Ás pessoas mais íntimas, Adele de Oliveira revelava que seu maior desejo era ver seu livro editado, fato que não aconteceu em vida. Caso isso não fosse realizado, ordenou aos familiares que “tocassem fogo em tudo que escrevera”.
Hoje possuímos seus versos, mas, gostaríamos de conseguir um “Diário” que se encontra em poder de uma amiga, em cujo documentário encontramos reminiscência valiosa para complemento de sua biografia.
O primeiro poema Adele compôs aos quinze anos de idade, quando falecia seu pai, viajando de Belém para Natal. Vejamos parte desse primor de poesia que a poetisa intitulou A BORDO.
“Mar e céu. Mar e céu, no convés do navio eu contemplava o mar soluçante e bravio. As ondas majestosas vinham, se espraiavam em rugidos de dor que nunca se acabavam. Na linha do horizonte o céu se unia às águas e Tudo tinha tom de tristeza e mágoa Chamei-o em vão, em vão beijei-lhe a face fria sempre o mesmo silêncio e a mesma agonia. Que martírio, meu Deus. Que horror, que desconforto, cruel desilusão, meu pai jazia Morto.”

NEM UMA NUVEM PELO ESPAÇO HAVIA...

Trata-se de um clássico da poesia norte-rio-grandense, Adele de Oliveira compôs o soneto, com um pouco de mágoa, pois desejava que o amigo demorasse mais em sua presença. Diziam até que era um amor incubado, sem jamais efetivá-lo, visto que, apenas por correspondência, trocavam beijos e abraços. É que o personagem residia bem ao norte do Brasil e, quando retornava à terra, emaranhava-se na boemia, juntamente com Prisco Rocha, Macuca, Gabriel Saraiva,Chico de Lima, dr. Oscar Brandão e alguns notívagos, cantando modinhas, acompanhadas por violões dolentes e flautas de sons aveludados. O enamorado, não resistindo à tentação dos amigos que o esperavam no pátio da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, teria dito – a Adele – começa o soneto.
Eu vou embora, antes que chova. E ela, que de perto dele sempre estar queria, o espaço olhou com perplexão singela, nem uma nuvem no espaço havia.
Segundo Adele de Oliveira, o seu amigo morreu solteiro, no ano de 1941, em Manaus, sem poder publicar o seu último livro “Cartas a Laura...”

ADELE DE OLIVEIRA PRÉ PRESA EM SUA TERRA

Em 1935, Adele de Oliveira, inconformada com os desmandos políticos existentes em Ceará-Mirim, foi presa e levada pelas ruas da cidade, até ao presídio, onde passou quase um dia, juntamente com ladrões, assassinos e marginais, aguardando que um tenente comissionado, por sinal, vindo da Paraíba, ouvisse depoimento forçado, declarações, daquela figura tão querida em sua terra.
Contudo, com mais algumas horas, eis que o prefeito, o usineiro Luiz Lopes Varela, mandou libertá-la, para a alegria de todos. Qual o crime praticado pela poetisa? Apenas, certa vez, numa roda de amigos, comentou as arbitrariedades do interventor Mário Câmara, governando o Estado numa fase das mais difíceis em sua política partidária. Lamentamos que este fato não tenha sido registrado para a nossa história, juntamente com o famigerado King-Kong, o terror do “Grande Ponto”, no início da década de 30.

MUSEU NILO PEREIRA


ORMUZ BARBALHO SIMONETTI (Presidente do Instituto Norte-Rio-Grandense de Genealogia, membro do IHGRN e da UBE-RN)
AINDA SOBRE O MUSEU NILO PEREIRA – ENGENHO GUAPORÉ

Felizmente nosso grito de alerta teve ouvidos lá fora. Os dois artigos publicados neste periódico, “Vergonha” e “Grito de Alerta- Ainda sobre o Museu Nilo Pereira”, alcançaram o confrade Carlos Barata, Presidente do CBG - Colégio Brasileiro de Genealogia, com sede no Rio de Janeiro, Instituição a qual pertencemos desde 2008. O professor Carlos Barata ficou chocado com a atual situação do museu e principalmente com as imagens do vídeo que lhe enviei, onde vândalos aparece apedrejando o Museu Nilo Pereira.
Segue o desdobramento a partir das matérias publicadas.
Carlos Barata escreveu: Prezados amigos museólogos e estudantes de Museologia, segue mensagem que foi enviada, por e-mail, pelo amigo Ormuz Barbalho Simonetti, Presidente do Instituto Norte-Rio-Grandense de Genealogia. Matéria será publicada em O JORNAL DE HOJE edição de sexta-feira dia 24/09/2010.
E-mail enviado a Carlos Costa, Presidente de COREM 4° Região (Conselho Regional de Museologia) por Magda Beatriz Vilela,Presidente COREM 2ª Região-RJ, ES e MG, Museóloga responsável do Museu do IHGB - Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro
Telefax:(21)2233-2357 Tel cel.: (21) 8182-7810

Prezado Carlos,
Encaminho o email que recebi a fim de que você possa tomar conhecimento do alerta/denúncia lançado pelo Sr. Ormuz Barbalho Simonetti, o qual me fora encaminhado pelo Prof. Carlos Barata. Não sei se terás como agir nesse caso em especial, pois me parece tratar-se de um caso onde há, nitidamente, a influência da política imunda de nosso país que tem força maior do que qualquer lei. Me senti na obrigação de repassar para você.
Desde já agradeço sua atenção.
De: Conselho Regional de Museologia
Data: 27 de setembro de 2010 20:31
Assunto: Re: URGENTE AO IBRAM: Grito de alerta - Ainda sobre o museu Nilo Pereira
http://www.youtube.com/watch?v=lE5lMb7DvNc
O VÍDEO ANEXO É UM ABSURDO (Carlos Barata)

Para: Conselho Regional de Museologia COREM
Cc: Mario Chagas, nascimento@iphan.gov.br, Julio Chaves , Olímpia , Raimundo Cova Figueiredo, Raimundo Cova Figueiredo, Raimundo Figueiredo, Ana Claudia dos Santos, Rafaela Caroline Noronha Almeida, caubarat@globo.com

Carlos,
Agradeço sua pronta resposta e também devido ao encaminhamento a quem possa, talvez, agir da melhor forma para salvaguardar esse patrimônio.

Att.
Magda Beatriz Vilela
Presidente COREM 2ªRegião-RJ, ES e MG
Telefax:(21)2233-2357
Em 26 de setembro de 2010 23:05, Carlos Costa, Presidente do Conselho Regional de Museologia COREM escreveu:

Prezada colega Magda Vilela,

De fato, trata-se de uma situação lamentável. Como bem observa, não sei se teremos como agir, frente aos parcos recursos que dispomos e as forças políticas que existem por trás da situação. Por outro lado, não nos parece que seja atribuição legal do sistema COFEM/COREMs, frente ao que versa os Arts. 7º e 8º da Lei nº 7.287/84. Tendo em vista dispormos de um instituto federal que trata de museus, encaminharei a situação ao IBRAM, através deste e-mail, especialmente ao Mário Chagas e ao Nascimento Júnior, para avaliarem a questão e indicarem um encaminhamento.
Cordialmente,

Carlos Costa.
Museólogo - COREM 1R 0211-I
Presidente do COREM 1R

Hoje quarta feira, estive no Solar João Galvão de Medeiros onde funciona o CEDOC, Centro de Documentação Cultural do Estado, órgão da Fundação José Augusto, mas infelizmente não fui autorizado a ter acesso ao acervo do Museu Nilo Pereira, que se encontra sob responsabilidade daquela Fundação. Fui informado que as peças estão bastante deterioradas e por isso, impedidas de serem vistas mesmo por pesquisadores, como no meu caso. Este acervo que até 2006 era guardado no Palácio da Cultura, hoje se encontra “armazenado” em precárias condições no Papódromo – Centro Administrativo, que funciona como depósito de coisas velhas e quebradas descartadas das diversas Secretarias do Estado do RN. Não tive acesso nem mesmo ao inventário das peças que lá se encontram, mas consegui a informação de que pelo menos o piano de calda, principal peça do acervo, com certeza não se encontra dentre as peças amontoadas naquele depósito. Sumiu, ninguém sabe, ninguém viu.

Faço aqui um apelo à Assembléia Legislativa para que abrace essa luta em favor do Museu Nilo Pereira, instaurando uma CPI - Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar devidamente o que vem realmente acontecendo, ao longo desses últimos anos com aquele patrimônio histórico e cultual. Temos conhecimento de que os recursos que são conseguidos com tantas dificuldades, terminam retornando às suas origens pela incompetência das autoridades responsáveis, que numa clara demonstração de descaso e falta de compromisso com a cultura de nosso Estado, passivamente, permitem que tais recursos retornem, por falta de utilização.
Apelamos para a Ordem dos Advogados do RN, a Academia de Letras do RN, a UFRN como também a Associação dos Jornalistas do RN, enfim a Sociedade Civil organizada, para se engajarem nessa luta e numa ação conjunta, possamos devolver ao povo do Rio Grande do Norte, o museu Nilo Pereira totalmente restaurado juntamente com o que ainda resta do seu antigo acervo, antes que o tempo e o descaso dessas autoridades se encarreguem de tornar impossível, o sonho de sua restauração.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

CONCURSO FOTOGRÁFICO

COMISSÃO JULGADORA DO I CONCURSO DE FOTOGRAFIA DR. JULIO GOMES DE SENNA


Quarta-feira dia 22/09/2010 convidamos os fotógrafos José Maria, Idiana Rorigues, Everaldo Leocadio e o Diretor de fotografia de cinema Valdec Moura para julgarem as fotografias do I Concurso fotográfico Dr. Julio Gomes de Senna.
O concurso fotográfico foi realizado pelos alunos das escolas do município de Ceará-Mirim e o tema foi olhares bre o patrimônio histórico e cultural de Ceará-Mirim". A premiação foi distribuída em duas categorias: Ensino Fundamental (6º ao 9º anos) e Ensino Médio.
Quando fizemos os convites aos fotógrafos, a fim de participarem do concurso, não imaginávamos que fosse um momento tão rico em informações. Foi impressionante como eles ficaram empolgados e conversavam sobre o ato fotográfico, suas emoções, técnicas e, a arte enquanto registro fotográfico.
O que ficou daquele encontro foi a certeza que devemos promover fóruns para os amantes da fotografia. Assim esses profissionais poderão discutir novas técnicas, promover ensaios fotográficos, exposições de suas obras e trocar experiências.
Vamos conversar com a Fundação Nilo Pereira e sugerir uma parceria com o Centro Esportivo e Cultural para realizarmos o I Forum de Arte Fotográfica de Ceará-Mirim. Temos muitos talentos e precisamos reunir todos os amantes da grafia da luz.
Agradecemos a Direção da Escola Estadual Prof. Otto de Brito Guerra por ceder a sala de vídeo para que pudéssemos avaliar as fotografias.
CONVITE
Convidamos aos nossos leitores a comparecer ao Centro Esportivo e Cultural dia 29/09/2010 (quarta-feira) às 20 horas para a Exposição das fotografias do concurso e a entrega das premiações.
Gibson Machado

LEITOR Nº 25 000

Queremos agradecer ao leitor Joymax Nascimento por ser o leitor nº. 25000.
Temos grande satisfação em presenteá-lo com nosso livro Ceará-Mirim memória iconográfica.
Tenha uma ótima leitura e nos ajude a lutar pela preservação de nosso patrimônio histórico e cultural.

domingo, 19 de setembro de 2010

PARABÉNS RUY LIMA

Conheci Ruy já fazem uns vinte anos e sempre o admirei pelo seu jeito de ser, apesar de que, às vezes, não concordo com algumas atitudes, mas, é o jeito irreverente de ser dele e não devemos julgá-lo por isso. O importante é apoiá-lo e reconhece-lo pelo seu talento e pela sua forma de realizar seus sonhos. O que me impressiona e, ao mesmo tempo, me faz respeitá-lo como homem, artista, produtor cultural, é a força com que conquista suas metas. Ruy é um desses caras raros, que sabem colocar sua inteligência acima de seu talento, por isso, seus trabalhos estão sempre se destacando entre as realizações provincianas... Parabéns!! E que esse novo trabalho sirva de inspiração para outros. Precisamos fazer uma revolução na arte e cultura de nossa terra. Para isso devemos lutar pelo talento em detrimento do “ego” narcisista que tanto tem prejudicado as produções locais.

Vou aproveitar a carona e publicar o texto sobre Ruy Lima escrito pelo também talentoso Eliel em seu blog Retratos e Canções:


Sábado, 18 de setembro de 2010
Ontem... Hoje... Amanhã...
Ontem...

Rebelde com causa

Sua rebeldia só não é maior que o seu talento e amor pelas artes. Ruy Lima, natural de Mineiro, um cearamirinense apaixonado pelo torrão natal, pode-se dizer que já fez de tudo um pouco, ou muito, se levarmos em conta que, de artista plástico a escritor, de cantor de rock a ator, e agora cineasta, essa figura irrequieta não tem dado chance ao desânimo. As dificuldades do caminho ele enfrenta com garra, é aí que entra sua rebeldia, chega a ser um mal necessário. Nessa noite de sexta-feira, 17 de setembro, Ruy conseguiu mais uma proeza: praticamente lotar a sala da Estação Cultural Prefeito Roberto Varela (antiga estação ferroviária), e olha que o espaço é bastante grande, para a estréia do seu filme Motociclistas Rebeldes.



E todos estavam lá, ou quase todos. Mas muito me admirou ver pessoas de vários segmentos da nossa sociedade prestigiando aquele acontecimento inédito. Os presentes: o roqueiro, o executivo, o motociclista, o educador, o blogueiro mais atento, o estudante e, por incrível que pareça, nenhum político (parece que o cara também é milagreiro!). Ruy Lima era só emoção. Depois de quinze anos de afastamento do mundo dos espetáculos, para sua surpresa, consegue juntar tanta gente distinta em torno de um evento seu que na verdade foi idealizado por uma boa causa. Com o objetivo de contar um pouco sobre essa sua mais nova paixão, o motociclismo, incluindo cenas em que estão sempre presentes os monumentos históricos de Ceará-Mirim, uma oportunidade de mostrar essas belezas, apesar de alguns deles hoje encontrarem-se em ruínas, mesmo assim divulgar esse nosso patrimônio em todo o Brasil e quem sabe, no mundo. Depois de conferir mais essa façanha do Ruy cheguei a conclusão de que, seja a pé, num velho fusca ou montado em sua moto, esse cara vai longe... Parabéns Ruy Lima!


COMENTÁRIO DE GERALDO PEREIRA

Geraldo Pereira - filho de Nilo Pereira
Meu Caro Gibson Machado

Belo texto o seu, enaltecendo a rosa amarela vista assim, de relance, numa hora de seu passeio em torno do rio d'Água Azul, tão enaltecido por Nilo Pereira, vezes e vezes.

Achei que o velho Guaporé estaria em processo já de restauração, haja vista a informação que tive e passei a Lúcia Pereira, minha prima, de que pelo menos R$300.000 tinham sido autorizados. Chequei a suspender um artigo que novamente fiz e até enviei a um jornal natalense, indicado pela mesma Lúcia, considerando que a casa-grande estaria livre agora do desgaste. Será que não?

SOLAR GUAPORÉ

Fonte:http://www.outraseoutras.blogspot.com/
Roberto Pereira - filho de Nilo Pereira
AINDA COM VISTAS À ESPERANÇA DE RESTAURAÇÃO DO SOLAR GUAPORÉ - MUSEU NILO PEREIRA - VEJAMOS A POSIÇÃO DO PRIMO ROBERTO PEREIRA (RECIFE/PE).

Lúcia Helena:

Eu, como você bem sabe, militei por muitos anos na seara da cultura, onde ainda permaneço pelo viés desta com o turismo. Assim, à Camões, acolhi e recolhi o “saber de experiência feito”. Sem jactância, arrisco-me, à condição de filho do meu saudoso Nilo Pereira, a emitir o seguinte parecer (parecer não é para ser, mas, ...!!!), sem antes lhe abrir os seguintes parênteses:

PRIMEIRO PARÊNTESE:

(Há mais ou menos 3 anos consegui do Ministério do Turismo, que tem uma rubrica para restauração de monumentos que tenham atratividades turísticas, um convênio no valor, à época, coincidentemente de R$ 300.000,00, para obras de restauro do Guaporé. Todavia, reunidos com técnicos da Prefeitura do Ceará Mirim, gestão da Prefeita Edinólia Melo, esposa do ex-governador e ex-senador Geraldo Melo, casal que depois recebi aqui no Recife, no meu gabinete na CTI Nordeste, vimos, eu e os técnicos, por opinião minha que era melhor devolvermos os recursos. Por que? Porque o valor liberado, apesar da contrapartida da Prefeitura à base de 10%, era insuficiente para o restauro completo. Com esse montante, far-se-ia apenas a instalação hidráulica. Perguntei: e depois? Depois, eis a fatídica resposta: “a casa continuará desabitada”).

SEGUNDO PARÊNTESE:

(Geraldo Melo, foi quem repassou à Fundação José Augusto, por comodato, o engenho pelo período de 99 anos, tempo máximo legalmente permitido. O meu pai, quando da entrega do Guaporé, após a restauração concluída, no seu discurso, vaticinou: “se a casa não tiver uso, voltará à ruína.”)

TERCEIRO UM PARÊNTESE:

(A preservação de um monumento, Lúcia Helena, você sabe bem, enfrenta dois inimigos avassaladores e acachapantes: o mau uso, um; o desuso, outro. No caso do Guaporé impera o desuso e, quando da moradia do vigilante/caseiro e, depois, das invasões, o mau uso. O Guaporé está entregue à própria sorte, malsinado o seu desuso. Então, ou o engenho é restaurado por completo e a ele é dado um uso, ou o dinheiro sai pelo ralo, como se diz no jargão popular).

O MEU PARECER À SUA CONSIDERAÇÃO:

Os R$ 300 mil agora disponibilizados, uma surpresa agradável porque sei, por fonte governamental, que o estado do RN passa por séria dificuldade de fluxo de caixa. Idem, as prefeituras. Idem, idem, a prefeitura do Ceará Mirim. O Governo Federal, de onde se poderia alocar recursos – e são muitas as fontes, a exemplo do Ministério da Cultura, o do Turismo, as Leis de Incentivo à Cultura, os patrocínios, a exemplo da Petrobras, da CEF, da Chesf, do Banco do Brasil, do Banco do Nordeste (Prodetur), do Projeto Monumenta (Min. Da Cultura), o Sebrae. Só que o Governo Federal está impedido, neste período eleitoral, de conveniar com os estados, embora liberado para as Prefeituras, todavia, no ocaso de gestão implica em recolhimento para um final que se deseja de boa saúde financeira. A mesma coisa ocorre com os organismos aqui citados para um possível patrocínio. Assim, entendo que os R$ 300 mil aqui anunciados são muito bem recebidos considerando a justeza da causa em tela. Entrementes, somente aconselho o uso dessa verba se a ela for agregado um outro montante que encete a conclusão das obras de restauro, sob pena de se gastar em vão. Depois, uma restauração deve ser muito bem feita, nela não cabendo as chamadas “gambiarras”, tampouco as “maquiagens” do gosto de alguns sabidos. Uma coisa boa era se fosse viável se aproveitar o momento político para se assegurar emendas parlamentares junto aos deputados federais, incluindo-se os senadores. Ou emenda de bancada. Ou emenda regional, neste caso se impõe uma ação conjunta com os deputados do NE brasileiro, uma iniciativa fácil se levada em conta a importância da obra para a Região. Outra medida seria colocar o montante necessário no OGU (Orçamento Geral da União), iniciativa não muito difícil. Para o convênio – vale lembrar – a Prefeitura ou órgão conveniado teria que alocar, a título de CONTRAPARTIDA, 10% sobre o montante a ser alocado, contanto que os recursos liberados correspondam a 90% sobre o total. Essa injunção, recentemente aprovada através de IN 107, por se tratar de juros compostos, faz crescer a CONTRAPARTIDA que ficaria próxima a 11% do valor conveniado. Assim, os R$ 300 mil agora anunciados, podem servir – e muito – para a CONTRAPARTIDA. Portanto, precisamos de políticas públicas no trato dos fazeres e saberes culturais, coisa pouco usual.
Enfim, louvo muito - e agradecido fico, enquanto filho de NP, pelo que deixo aqui registrado o meu pendor de gratidão, também em nome de minha mãe, Lila, - com o aceno dos R$ 300 mil. Apenas, sugiro que essa verba somente seja usada quando a ela se agregar, repito, um montante suficiente à restauração completa. O uso já se tem: a Fundação Nilo Pereira, o suficiente para que o monumento se conserve na sua inteireza.
Por fim, mais um detalhe: após as minhas últimas reuniões, há 3 anos, viu-se que a Prefeitura não estava com o projeto do restauro pronto. Pior: não dispunha das previsões dos custos. Isto é, do orçamento à consecução da obra. Assim, qualquer dinheiro fica à mercê do total, sem que se saiba se é suficiente ou não. Atualmente, sinto que esse óbice já deve estar superado.
Essas ações, prezada prima e amiga - Lúcia Helena - você, árdua defensora do Guaporé e do Ceará Mirim como um todo, de Nilo Pereira, a quem os Pereira tanto devem nessa sua preservação à memória de NP, parecendo mantê-lo vivo ou redivivo a cada iniciativa sua, o meu muito, muitíssimo obrigado por este gesto seu de me enviar este e-mail tão pródigo nos passos que se deve dar rumo à restauração do Guaporé, além de sua “eterna vigilância”.

Peço-lhe, Lúcia, que transmita ao Pedro Vicente essas minhas ponderações, todas no melhor espírito de bem servir à causa em questão, e que, filho de NP, somente posso ter para com ele o melhor sentimento de reconhecimento e gratidão. Se nada for feito, o gesto dele ficará nos corações de todos os Pereira.

Espero, na culminância, repetir os franceses: “Tout est bien qui finit bien” (“Tudo vai bem quando acaba bem”.) Desculpe-me a petulância
da tentativa de tradução, quando, você, Lúcia, é mestra no assunto

Afetuoso abraço

Roberto Pereira

sábado, 18 de setembro de 2010

A ROSA AMARELA


A Rosa Verde existe, diz Nilo Pereira, filho do Verde Nasce e neto do Guaporé: “É preciso ter olhos de infância para encontrá-la. No meio do canavial, escondida, tímida, ela floresce. Perde-se no colorido denso do vale. Só uma criança pode vê-la."

Sábado, 18 de setembro de 2010 fui com um amigo de São João do Seridó - o artista plástico Wandemberg, sua esposa Jaci e filha - conhecer o velho Guaporé. Durante a visita percebi que a Rosa Verde existe...não era bem uma rosa verde, mas, uma linda e frágil, rosa amarela...simbolicamente, uma Rosa Verde... a minha Rosa Verde.
Foi assim que eu a encontrei, entre plantas aquáticas, flutuando no heroico Rio Água Azul. Haviam feito uma limpeza na área, onde seriam plantadas mudas de cana, para a nova safra da usina.
O som da água corrente me chamou a atenção e, logo atrás da casa de banho do engenho Guaporé, descia majestoso, o resistente rio Água Azul, cortando o vale e deixando suas marcas milenares no canavial.
Observei que a terra estava removida e a margem esquerda do rio parecia ter sido totalmente revirada. Nada o protege das intempéries naturais, podendo ser soterrado pela argila depositada às margens de todo o seu curso. Demorei alguns minutos olhando aquela paisagem sem vida.
Rio Água Azul - onde a mata ciliar para protegê-lo???
Uma bomba retirava a água do rio para irrigar a plantação de cana e muitos gaviões e carcarás sobrevoavam o vale em busca de comida... faziam uma festa!!!
Desci um pouco para me aproximar da bomba e fiquei surpreso quando vi a rosa amarela, tão frágil, tão bela, estava lá, banhada pelos raios luminosos de um sol ardente que ao refletirem nas pétalas, pareciam uma luz divinal...
Sua luminosidade me fez recordar o grande neto daquela casa senhorial, Nilo Pereira, e um filme foi passando e repentinamente via aquele lugar cheio de gente, cambiteiros, meninos correndo e sinhás sendo levadas para o banho matinal na secular casa de banho em frente ao velho solar.


CASA DE BANHO DO ENGENHO GUAPORÉ

Não pude me conter e uma tristeza imensa envolveu todo meu ser... Como poderemos salvar o centenário casarão??? Como é possível pessoas inteligentes deixarem que um marco histórico e cultural como o guaporé agonize e seja engolido pela estupidez e insensatez das autoridades (IN)competentes???
É preciso enfrentar os infortúnios suscitados pelos responsáveis diretos daquele patrimônio com determinação e exigir que a justiça faça seu papel e determine a imediata restauração do casarão e de toda a área em volta do mesmo.



Os filhos de Ceará-Mirim não devem deixar que a memória da cidade seja roubada pela ganância, ignorância, insensibilidade de alienígenas que borboleteiam no vale em busca no próprio sucesso, esquecendo que, aqui, existiram pessoas e famílias inteiras que construíram uma história às custas de muito suor e sangue!!!
Não merecemos continuar derramando o mesmo suor e sangue... parece que a larva continua viva, devorando o consciente dos inconsequentes... Preciso confiar na tenacidade de minha rosa amarela... firme, viva, solitária, porém, sonhadora, acreditando que uma catarse poderá revigorar nossas quimeras seculares!!! Ave, ave, minha rosa amarela!!!



Corrimão da escada interna da casa do Guaporé em julho/2010



Roubaram o corrimão e as tábuas do assoalho do casarão - setembro/2010

Começaram a roubar as janelas... quando tomarão alguma providência??

domingo, 12 de setembro de 2010

É ASSIM QUE A GENTE FALA

Seu menino, essa menina! e num é que é assim mesmo...

NO NORDESTE SE FALA ASSIM....

O nome do cordelista é Ismael Gaião da Costa, nasceu em Recife-PE.
Engenheiro Agrônomo, Funcionário Público Federal, lotado na UFRPE - Estação Experimental de Cana-de-açúcar de Carpina.
Publicou 20 (vinte) "Cordéis" e diversas poesias (sonetos, matutas, sociais).

E o endereço para o cordel é: http://recantodasletras.uol.com.br/cordel/1496943


No Brasil pra se expressar

Há diferenciação
Porque cada região
Tem seu jeito de falar
O Nordeste é excelente
Tem um jeito diferente
Que a outro não se iguala
Alguém chato é Abusado
Se quebrou, Tá Enguiçado
É assim que a gente fala

Uma ferida é Pereba
Homem alto é Galalau
Ou então é Varapau
E coisa ruim é Peba
Cisco no olho é Argueiro
O sovina é Pirangueiro

Enguiçar é Dar o Prego
Fofoca aqui é Fuxico
Desistir, Pedir Penico
Lugar longe é Caxaprego
Ladainha é Lengalenga
E um estouro é Pipoco
Qualquer botão é Pitoco
E confusão é Arenga

Fantasma é Alma Penada
Uma conversa fiada
Por aqui é Leriado
Palavrão é Nome Feio
Agonia é Aperreio
E metido é Amostrado
O nosso palavreado
Não se pode ignorar
Pois ele é peculiar
É bonito, é Arretado
E é nosso dialeto
Sendo assim, está correto

Dizer que esperma é Gala
É feio pra muita gente
Mas não é incoerente
É assim que a gente fala

Você pode estranhar
Mas ele não tem defeito
Aqui bala é Confeito
Rir de alguém é Mangar

Mexer em algo é Bulir
Paquerar é Se Inxirir
E correr é Dar Carreira
Qualquer coisa torta é Troncha
Marca de pancada é Roncha
E a caxumba é Papeira

Longe é o Fim do Mundo
E garganta aqui é Goela
Veja que a língua é bela
E nessa língua eu vou fundo
Tentar muito é Pelejar
Apertar é Acochar

Homem rico é Estribado
Se for muito parecido
Diz-se Cagado e Cuspido
E uma fofoca é Babado
Desconfiado é Cabreiro
Travessura é Presepada
Uma cuspida é Goipada
Frente de casa é Terreiro

Dar volta é Arrudiar
Confessar, Desembuchar
Quem trai alguém, Apunhala
Distraído é Aluado
Quem está mal, Tá Lascado
É assim que a gente fala

Aqui valer é Vogar
E quem não paga é Xexeiro
Quem dá furo é Fuleiro
E parir é Descansar
Um rastro é Pisunhada
A buchuda é Amojada
E pão-duro é Amarrado

Verme no bucho é Lombriga
Com raiva Tá Com a Bixiga
E com medo é Acuado
Tocar em algo é Triscar
O último é Derradeiro
E para trocar dinheiro
Nós falamos Destrocar

Tudo que é bom é Massa
O Policial é Praça
Pessoa esperta é Danada
Vitamina dá Sustança
A barriga aqui é Pança
E porrada é Cipoada

Alguém sortudo é Cagado
Capotagem é Cangapé
O mendigo é Esmolé
Quem tem pressa é Avexado
A sandália é Percata
Uma correia, Arriata
Sem ter filho é Gala Rala
O cascudo é Cocorote
E o folgado é Folote
É assim que a gente fala

Perdeu a cor é Bufento
Se alguém dá liberdade
Pra entrar na intimidade
Dizemos Dar Cabimento
Varrer aqui é Barrer
Se a calcinha aparecer
Mostra a Polpa da Bunda
Mulher feia é Canhão
Neco é pra negação
Nas costas, é na Cacunda

Palhaçada é Marmota
Tá doido é Tá Variando
Mas a gente conversando
Fala assim e nem nota
Cabra chato é Cabuloso
Insistente é Pegajoso
Remédio aqui é Meisinha
Chateado é Emburrado
E quando tá Invocado
Dizemos Tá Com a Murrinha

Não concordo, é Pois Sim
Tô às ordens é Pois Não
Beco ao lado é Oitão
A corrente é Trancilim
Ou Volta, sem o pingente
Uma surpresa é, Oxente!
Quem abre o olho Arregala
Vou Chegando, é pra sair
Torcer o pé, Desmintir
É assim que a gente fala

A cachaça é Meropéia
Tá triste é Acabrunhado
O bobo é Apombalhado
Sem qualidade é Borréia
A árvore é Pé de Pau
Caprichar é Dar o Grau
Mercado é Venda ou Bodega
Quem olha tá Espiando
Ou então, Tá Curiando
E quem namora Chumbrega

Coceira na pele é Xanha
E molho de carne é Graxa
Uma pelada é um Racha
Onde se perde ou se ganha
Defecar se chama Obrar
Ou simplesmente Cagar
Sem juízo é Abilolado
Ou tem o Miolo Mole
Sanfona também é Fole
E com raiva é Infezado

Estilingue é Balieira
Uma prostituta é Quenga
Cabra medroso é Molenga
Um baba ovo é Chaleira
Opinar é Dar Pitaco
Axilas é Suvaco
E cabra ruim é Mala
Atrás da nuca é Cangote
Adolescente é Frangote
É assim que a gente fala

Lugar longe aqui é Brenha
Conversa besta, Arisia
Venha, ande, é Avia
Fofoca é também Resenha
O dado aqui é Bozó
Um grande amor é Xodó
Demorar muito é Custar
De pernas tortas é Zambeta
Morre, Bate a Caçuleta
Ficar cheirando é Fungar

A clavícula aqui é Pá
Um mal-estar é Gastura
Um vento bom é Frescura
Ali, se diz, Acolá
Um sujeito inteligente
Muito feio ou valente
É o Cão Chupando Manga
Um companheiro é Pareia
Depende é Aí Vareia
Tic nervoso é Munganga

Colar prova é Filar
Brigar é Sair no Braço
Nosso lombo é Ispinhaço
Faltar aula é Gazear
Quem fala alto ou grita
Pra gente aqui é Gasguita
Quem faz pacote, Embala
Enrugado é Ingilhado
Com dor no corpo, Ingembrado
É assim que a gente fala

Um afago é Alisado
Um monte de gente é Ruma
Pra perguntar como, é Cuma
E bicho gordo é Cevado
A calça curta é Coronha
Um cabra leso é Pamonha
E manha aqui é Pantim
Coisa velha é Cacareco
O copo aqui é Caneco
E coisa pouca é Tiquim

Mulher desqualificada
Chamamos de Lambisgóia
Tudo que sobra, é Bóia
E muita gente é Cambada
O nariz aqui é Venta
A polenta é Quarenta
Mandar correr é Acunha
Ter um azar é Quizila
A bola de gude é Bila
Sofrer de amor, Roer Unha

Aprendi desde pivete
Que homem franzino é Xôxo
Quem é medroso é um Frouxo
E comprimido é Cachete
Sujeira em olho é Remela
Quem não tem dente é Banguela
Quem fala muito e não cala
Aqui se chama Matraca
Cheiro de suor, Inhaca
É assim que a gente fala

Pra dizer ponto final
A gente só diz: E Priu
Pra chamar é Dando Siu
Sem falar, Fica de Mal
Separar é Apartá
Desviar é Ataiá
E pra desmentir é Nego
Quem está desnorteado
Aqui se diz Ariado
E complicado é Nó Cego
Coisa fácil é Fichinha
Dose de cana é Lapada
Empurrão é Dá Peitada
E o banheiro é Casinha

Tudo pequeno é Cotoco
Vigi! Quer dizer, por pouco
Desde o tempo da senzala
Nessa terra nordestina
Seu menino, essa menina!
É assim que a gente fala

sábado, 11 de setembro de 2010

GANHEI CORAGEM

GANHEI CORAGEM

Rubem Alves

"Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente tem coragem para aquilo que ele realmente conhece",
observou Nietzsche.
É o meu caso.
Muitos pensamentos meus, eu guardei em segredo.
Por medo.
Alberto Camus, leitor de Nietzsche, acrescentou um detalhe
acerca da hora em que a coragem chega:
"Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos".
Tardiamente.
Na velhice.
Como estou velho, ganhei coragem.

Vou dizer aquilo sobre o que me calei:
"O povo unido jamais será vencido", é disso que eu tenho medo.

Em tempos passados, invocava-se o nome de Deus
como fundamento da ordem política.
Mas Deus foi exilado e o "povo" tomou o seu lugar: a democracia é o governo do povo.
Não sei se foi bom negócio;
o fato é que a vontade do povo, além de não ser confiável,
é de uma imensa mediocridade.
Basta ver os programas de TV que o povo prefere.

A Teologia da Libertação sacralizou o povo
como instrumento de libertação histórica.
Nada mais distante dos textos bíblicos.
Na Bíblia, o povo e Deus andam sempre em direções opostas.
Bastou que Moisés, líder, se distraísse na montanha
para que o povo, na planície,
se entregasse à adoração de um bezerro de ouro.
Voltando das alturas, Moisés ficou tão furioso
que quebrou as tábuas com os Dez Mandamentos.

E a história do profeta Oséias, homem apaixonado!
Seu coração se derretia ao contemplar o rosto da mulher que amava!
Mas ela tinha outras idéias.
Amava a prostituição.
Pulava de amante e amante enquanto o amor de Oséias
pulava de perdão a perdão.
Até que ela o abandonou.
Passado muito tempo, Oséias perambulava solitário
pelo mercado de escravos.
E o que foi que viu?
Viu a sua amada sendo vendida como escrava.
Oséias não teve dúvidas.
Comprou-a e disse:
"Agora você será minha para sempre.".
Pois o profeta transformou a sua desdita amorosa
numa parábola do amor de Deus.

Deus era o amante apaixonado.
O povo era a prostituta.
Ele amava a prostituta, mas sabia que ela não era confiável.
O povo preferia os falsos profetas aos verdadeiros,
porque os falsos profetas lhe contavam mentiras.
As mentiras são doces;
a verdade é amarga.

Os políticos romanos sabiam que o povo se enrola
com pão e circo.
No tempo dos romanos, o circo eram os cristãos
sendo devorados pelos leões.
E como o povo gostava de ver o sangue e ouvir os gritos!
As coisas mudaram.
Os cristãos, de comida para os leões,
se transformaram em donos do circo.

O circo cristão era diferente:
judeus, bruxas e hereges sendo queimados em praças públicas.
As praças ficavam apinhadas com o povo em festa,
se alegrando com o cheiro de churrasco e os gritos.
Reinhold Niebuhr, teólogo moral protestante, no seu livro
"O Homem Moral e a Sociedade Imoral"
observa que os indivíduos, isolados, têm consciência.
São seres morais.
Sentem-se "responsáveis" por aquilo que fazem.
Mas quando passam a pertencer a um grupo,
a razão é silenciada pelas emoções coletivas.

Indivíduos que, isoladamente,
são incapazes de fazer mal a uma borboleta,
se incorporados a um grupo tornam-se capazes
dos atos mais cruéis.
Participam de linchamentos,
são capazes de pôr fogo num índio adormecido
e de jogar uma bomba no meio da torcida do time rival.
Indivíduos são seres morais.
Mas o povo não é moral.
O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo.

Seria maravilhoso se o povo agisse de forma racional,
segundo a verdade e segundo os interesses da coletividade.
É sobre esse pressuposto que se constrói a democracia.

Mas uma das características do povo
é a facilidade com que ele é enganado.
O povo é movido pelo poder das imagens
e não pelo poder da razão.
Quem decide as eleições e a democracia são os produtores de imagens.
Os votos, nas eleições, dizem quem é o artista
que produz as imagens mais sedutoras.
O povo não pensa.
Somente os indivíduos pensam.
Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam
a ser assimilados à coletividade.
Uma coisa é a massa de manobra sobre a qual os espertos trabalham.

Nem Freud, nem Nietzsche e nem Jesus Cristo confiavam no povo.
Jesus foi crucificado pelo voto popular, que elegeu Barrabás.
Durante a revolução cultural, na China de Mao-Tse-Tung,
o povo queimava violinos em nome da verdade proletária.
Não sei que outras coisas o povo é capaz de queimar.

O nazismo era um movimento popular.
O povo alemão amava o Führer.

O povo, unido, jamais será vencido!

Tenho vários gostos que não são populares.
Alguns já me acusaram de gostos aristocráticos.
Mas, que posso fazer?
Gosto de Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche,
de Saramago, de silêncio;
não gosto de churrasco, não gosto de rock,
não gosto de música sertaneja, de telenovela,
de não gosto de futebol.
Tenho medo de que, num eventual triunfo do gosto do povo,
eu venha a ser obrigado a queimar os meus gostos
e a engolir sapos e a brincar de "boca-de-forno",
à semelhança do que aconteceu na China.

De vez em quando, raramente, o povo fica bonito.
Mas, para que esse acontecimento raro aconteça,
é preciso que um poeta entoe uma canção e o povo escute:
"Caminhando e cantando e seguindo a canção.",
Isso é tarefa para os artistas e educadores.
O povo que amo não é uma realidade, é uma vaga esperança.

Rubem Alves

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

PRÁ REFLETIR: O QUE MAIS DÓI.


O Que Mais Dói


O que mais dói não é sofrer saudade
Do amor querido que se encontra ausente
Nem a lembrança que o coração sente
Dos belos sonhos da primeira idade.

Não é também a dura crueldade
Do falso amigo, quando engana a gente,
Nem os martírios de uma dor latente,
Quando a moléstia o nosso corpo invade.

O que mais dói e o peito nos oprime,
E nos revolta mais que o próprio crime,
Não é perder da posição um grau.

É ver os votos de um país inteiro,
Desde o praciano ao camponês roceiro,
Pra eleger um presidente mau.


Patativa do Assaré

SARAU BAQUIPEANO VIRTUAL

ETELVINA ANTUNES

Etelvina Antunes de Lemos nasceu no Engenho Oiteiro, município de Ceará-Mirim, a 17 de maio de 1885. É filha do Coronel José Antunes de Oliveira e Joana Antunes de Oliveira. Irmã do admirável poeta Juvenal Antunes.
Estudou no Colégio São José, de Recife, e colaborou em jornais e revistas da sua terra e da capital pernambucana, usando o pseudônimo de Hortência Flores. Possui um livro de versos intitulados Violetas.

TUA CARTA (à minha filha Etelvina Dulce)

Espero ansiosa a tua carta amiga,
Portadora de afeto e de carinho.
Vale pra mim como uma jóia antiga,
Tem o calor de um rico pergaminho.

Escuto ao longe uma infernal cantiga,
Um resfôlego, um silvo, um burburinho...
É o trem que rola pela estrada antiga,
Pondo nuvens de fumo no caminho.

Ei-lo que entra altivo e triunfante,
Na pequena cidade silenciosa...
Ai como sofre quem do amor se aparta!

Pego a missiva e trêmula, hesitante,
Rasgo o envelope e rápida, nervosa,
Beijo o teu nome e leio a tua carta.

Fonte: Panorama da Poesia Norte-Rio-Grandense - Romulo C. Wanderley - 1965

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

PARABÉNS ALICE BRANDÃO

Parabéns a minha querida amiga e artista favorita: Alice Brandão. Pela conquista do catálogo da ABLA (Academia Boituvense de Letras e Artes).

Mensagem enviada por Alice Brandão em 02/09/2010:

Este evento foi a publicação do meu livro que agora sou cadastrada e catalogada como membro da ABLA (Associação Boituvense de Letras e Artes)ligada a Galeria de Arte rede social p artista plásticos a Cultural Flumisense de Belas Artes/RJe ao Salão de Artes Plásticas da Liga de Defesa Nacional Espaço Cultural da Justiça do Trabalho/RJ .
Adalgisa Cuam Comendadora de Artes pela Câmara Brasileira de Arte e Cultura fez esse projeto de lançar este livro de Poesias e Arte e fui convidada (por fazer parte do Site do Saber Cultural) p expor aquele Cristo q foi o escolhido pela comissão julgadora entre tantos p ser lançado . Fiquei muito honrada c isso acho q passará minha entrevista da tvCultura SP. (n sei a data)
E qto aos "boys ao meu lado" são fãs primeiramente, meus alunos catalogados,chama-se Névio (Italiano)e o outro Jaime Colom Espanhol, q me deram a honra de acompanhar e levar até o Museu Salão da Rosas, onde foi o lançamento ontem .

Bjks mil. Sua artista Licinha

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

MADALENA ANTUNES PEREIRA

MADALENA ANTUNES PEREIRA Madalena Antunes Pereira e Olympio Varella - foto datada de 28/05/1900

A Ata Diurna da Sexta-feira, 12 de junho de 1959, de Luiz Câmara Cascudo, publicada no Jornal da República transmite preciosos dados da vida e morte da eterna Sinhá - moça do Ceará-Mirim.

Maria Madalena Antunes Pereira nasceu à 25 de maio de 1880 e faleceu aos 11 de junho de 1959. Sinhá moça do oiteiro, menina de engenho sonoro, coméia de escravos sem troncos e sem chibata, labuta dos citos sem lágrimas. Última sobrevivente da aristocracia rural de Ceará-Mirim sempre demonstrou um espírito fidalgo, irmã das escravas e senhora das amigas. Para todos nós, era uma valorização feminina, valorizava o sexo pela graça, pela malícia, pela finura, pela elevação da conduta vivida, em linha reta erguendo a mão para abençoar e baixando-a para escrever. Escreveu o primeiro livro de memória feminina do norte brasileiro “Oiteiro”, onde reviveu o passado trazendo-o a fixação presente pelo irreversível impulso de alegria sonora e rica como um guiso de ouro cristal. Não envelheceu para entristecer-se para anoitecer os dias contemporâneos, apenas a vida, tornou-se a mais experiente, mas vibrante, recobrindo de intenção notiva as causas que tinham desaparecido. Deus lhe deu a varinha de condão de “Maria Borralheira”, transformava em música cantigas, festas coloridas de crepúsculo e reais e noites de luar sideral as paisagens sumidas e pobres. Tudo era possível voltar a viver quando ela queria evocar.
Quando não podia mais andar, sentou-se na cadeira como uma rainha no trono para aceitar a servidão jubilosa de todos os seus, a família e os amigos que era todos a sua família também.
Ficou como uma roseira, flor de todo ano, não precisando mover-se para frutificar e deslocar-se para o milagre do perfume e da compreensão total.
Madalena lia muito, mas a sua cultura era uma soma de intuições surpreendentes. O livro pouco trazia de ensino, era sua vida interior que a iluminava toda, como uma lâmpada de prata derrama a transparência clareada pela amplidão informe. Morreu aos 79 anos ainda moça, muito mais moça do que suas trisnetas. Conservava a força exultante de um júbilo espontâneo e poderoso que se derramava ao derredor como uma luz cheia de benção.
Morreu pensando em escrever, escrever para perpetuar sua terra e sua gente num ambiente de ternura, de bondade, de cores leves e românticas do amanhecer de noivado.
A vida não conseguiu decepcioná-la, torturou-a, mas não a venceu. Madalena estava por cima do tempo, da vida, das tempestades que sacodem aqueles que andam arrastados nos caminhos do mundo. Ela voava livre de todas as leis da gravidade, no tapete mágico dos sonhos tendo na mão fina e nobre, a lâmpada de Aladim.
Só sabia escrever evocando, matando a morte pela saudade, enchendo o horizonte de versos, de anseios, de lembranças, de pensamentos idos e vividos, bailantes, intermináveis, incessantes como pirilampos.
Cascudo afirmou: Não posso vê-la, pela primeira vez imóvel e silenciosa, os olhos claros apagados e a voz sem as águas vivas da comunidade criadora. Voltando para o céu, deixo-nos a última alegria viva, familiar e linda em sua legitima telúrica, da terra do vale do Ceará-Mirim.