domingo, 17 de outubro de 2010

ENGENHO VERDE NASCE

Cerca de ferro fabricada na Inglaterra
O ENGENHO VERDE NASCE E A CASA GRANDE

O Engenho Verde Nasce foi fundado em pleno período da aristocracia canavieira, pelo Dr. Victor José de Castro Barroca, primeiro juiz municipal de Ceará-Mirim, nascido aos 15 de junho de 1820, o Dr. Victor era filho de José Joaquim de Castro Barroca e de D. Joaquina Maria do Sacramento. Bacharelou-se pela Faculdade de Direito de Olinda, turma de 1844. Além de juiz municipal de Ceará-Mirim, foi ele deputado provincial, no período de 1846 à 1851. Seus filhos estudaram na Inglaterra e na França, como era comum aos aristocratas da época, que mandavam os filhos estudar na Europa. Dr. Barroca faleceu em Ceará-Mirim, no dia 29 de outubro de 1881.
Nilo Pereira, neto materno do Dr. Victor José de Castro Barroca, é outro ilustre norte-rio-grandense que nasceu na casa grande do engenho Verde Nasce. No seu livro “Imagens do Ceará-Mirim”, Nilo Pereira descreve: “Do Verde Nasce, cuja casa-grande está longe de ter grandeza e a significação de outras... saí nos braços de minha mãe, aos três meses de idade. O engenho já não era mais nosso”.

Victor Jose de Castro Barroca


O Verde Nasce era o refúgio do Dr. Barroca e o local onde ele costumara receber os seus amigos, entre eles o deputado Tarquínio Bráulio de Souza Amarantho, professor da Faculdade de Direito do Recife, jornalista e jurista, que em várias oportunidades visitou o Verde Nasce.
Marcelo de Castro Barroca, filho de Victor José, estudou na Inglaterra. Lá, apaixonou-se por Emma, moça da religião Anglicana. Casaram-se, vindo residir no Verde Nasce. Uma fatalidade afastou o casal: Emma Barroca, acometida de uma febre, faleceu ainda jovem, em 1881, antes mesmo de completar 30 anos de vida.
Em se tratando de uma moça protestante, Emma Barroca foi impedida de ter sepultura eclesiástica. Em face desse impedimento, Marcelo sepultou a esposa na colina do Verde Nasce.
Sua lapide encontra-se até hoje guardada com Herbert Júnior, no engenho.
O Engenho Verde Nasce continua de fogo aceso, produzindo açúcar bruto e mel. Apresenta uma particularidade que o classifica como representante, no vale do Ceará-Mirim, dos benefícios oferecidos pela revolução industrial: é a cerca que limita a propriedade, toda ela confeccionada de ferro fundido, com um portão de acesso peculiar, que evitar a passagem de animais.

A casa-grande do engenho, edificada no século passado, foi demolida. Como afirma Nilo Pereira, está longe da grandeza de outras congêneres, porém, possui ela um significado valor histórico: foi ali que muito se batalhou pela economia canavieira do vale, em época de crise e nos momentos de desespero, quando a seca desafiava a população e a integridade do vale.
A Casa-Grande apresentava partido de planta retangular desenvolvido em um único pavimento. As técnicas utilizadas na sua edificação foram bastante primitivas. A casa é desprovida de ornatos e de requintes comuns às casas-grandes dos Senhores-de-Engenho. Aquela casa apresenta características similares às edificações da região do Seridó: possuía alpendre frontal e sistema de cobertura, em telhado de duas águas, que dispensa consequentemente o emprego de calhas e de qualquer outro sistema de captação e condução das águas pluviais.
A cobertura da casa apóia-se no alpendre, em colunas de alvenaria, provavelmente substituindo as colunas originais, que geralmente eram confeccionadas de madeira. A fachada principal apresenta, além do alpendre, uma porta central de aceso ladeada por seis janelas, todas elas em vãos de vergas retas.
A casa-grande do engenho Verde Nasce, apesar de implantada na zona rural, possuía uma forte vinculação com a cidade de Ceará-Mirim, devido à pequena distância existente e, sobretudo, pelo fato de desenvolver uma atividade econômica que a caracteriza como participante da vida urbana.
Atualmente o Engenho Verde Nasce pertence aos herdeiros de Herbert Dantas. Apesar da casa-grande ter sido tombada a nível estadual desde 22 de dezembro de 1989, foi demolida.

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