sábado, 27 de novembro de 2010

O PARADIGMA MEIRA E SÁ

Professor Gibson Machado - abertura do evento cultural

Dia 25 de novembro de 2010 foi o lançamento do livro “O paradigma Meira e Sá do escritor Pedro Simões.
O lançamento aconteceu o Salão Roberto Varela, na Estação Cultural de Ceará-Mirim.

A abertura do evento foi abrilhantada pela participação dos alunos do Colégio de Santa Águeda, coordenados pelo professor Gerinaldo Moura. Eles recitaram algumas poesias de autores norte-riograndenses numa justa homenagem ao palestrante Dr. Pedro Simões.
Professor Gerinaldo MouraAlunos do Colegio de Santa Águeda

Fui designado para fazer a apresentação do palestrante. Foi uma emoção diferente porque não tenho o hábito de falar em público e, principalmente, apresentar figura tão ilustre de nosso estado. O desafio foi posto e tentei levar a missão até o fim, apesar de muito preocupado com a importância do evento.
Muitas pessoas foram prestigiar a palestra, principalmente professores e alunos das Escola Municipal Madalena Antunes, Colegio de Santa Águeda, Escola Municipal Dr. Julio Senna, Escola Estadual Professor Otto de Brito Guerra, além de familiares. amigos e convidados de Ceará-Mirim e Natal, como por exemplo, o presidente da Academia Macaibense de Letras e Artes Jasen Leiros, o presidente a Associação de Genealogia do RN Ozmuz Simonetti, dentre outros.
Apresentar o professor Pedro Simões foi uma honra e um grande privilégio, pois há muito tempo ouvia falar dele, no entanto, demorei a conhecê-lo. Nossa amizade tem pouco tempo, mas, é o suficiente para tê-lo como mestre e admirá-lo como grande professor, escritor, historiador, advogado e zeloso chefe de família.

Professor Pedro Simões

Numa de nossas correspondências eletrônicas ele me dizia que seu maior mérito foi ter passado, em Ceará-Mirim, os momentos mais felizes de sua vida e ter sido o “Pedrinho de Dr. Percílio” ter sido aluno de Dona Alta, mãe da saudosa Maria Xandú e de José Tito no internato São José.
No período em que viveu em Ceará-Mirim fez a primeira comunhão na matriz de Nossa Senhora da Conceição, em ofício realizado pelo Monsenhor Celso Cicco.
Foi atleta do Bacardi Futebol Club de Ceará-Mirim e jogou pela seleção de voleibol de Ceará-Mirim.
Aos dezenove anos entrou para o Rotary Clube de Ceará-Mirim sendo o mais novo rotariano do país e foi professor da Escola de Comércio, hoje Edgar Barbosa.
Realizou alguns eventos culturais na cidade como o pré-lançamento de seu livro “O homem que cortava árvores” no Centro Esportivo e Cultural e a Semana de Cultura Popular quando pró-reitor da URFN no Ginásio de Esportes.
No governo de Terezinha Melo foi procurador do município e Assessor Jurídico da Câmara Municipal na presidência de Raimundo Elias.
Recebeu o título de cidadão honorário de Ceará-Mirim, oficializando sua adoção, pois chegou aqui com quatro anos de idade.
Fora de Ceará-Mirim exerceu diversos e importantes cargos públicos como secretário de planejamento da Prefeitura de Natal, pró-reitor de extensão da UFRN, secretário de segurança pública do estado, secretário especial do governo, presidente do IPE, proprietário de uma editora (Nossa Editora), presidente do Instituto dos advogados do Brasil/RN, conselheiro federal e estadual da OAB.
Quatro ofícios monopolizaram sua vida intelectual: o magistério (foi professor mais de trinta anos, do segundo grau e depois universitário, do curso de Direito); a literatura e os ensaios políticos e jurídicos (com cerca de vinte livros publicados); o jornalismo, como editor e articulista de diversas publicações do estado (RN/Econômico, Exclusivo, Jornal de Natal Jornal Hoje, etc.; advocacia, especializada em contratos e direito imobiliário; e o gestão pública.
Atualmente, dirige uma universidade privada – INDEC – Instituto de Desenvolvimento da Educação do Comércio de bens e serviços do RN, mantida pela Federação do Comércio do RN e Câmara de Dirigentes Lojistas de Natal.
Na vida pessoal é um chefe de família exemplar. Tem uma maravilhosa companheira, sete filhos, nove netos e uma irmã que ama e como recompensa o presenteou com uma sobrinha e dois sobrinhos-netos.
Fez o livro O Paradigma Meira e Sá porque descobriu nele, além dos acentuados vínculos com Ceará-Mirim, um homem extraordinário: íntegro, dedicado à sua profissão, devotado às causas públicas, cordial e tolerante. Jurista, político, escritor, benemérito e publicista. Um exemplo, por isso o tomou como paradigma.

Assinando o livro para Carlos Crescêncio

Durante a palestra o professor Pedro Simões falou sobre a importância de Francisco de Sales Meira e Sá para o Rio Grande do Norte e, sobretudo, para Ceará-Mirim. Jurista dos mais notáveis de sua época. Republicano de primeira hora, abolicionista, animador cultural, um homem de conduta pessoal e profissional irrepreensível.
No final de sua fala Pedro fez uma homenagem – muito justa – ao contador de histórias e historiador Franklin Marinho, que emocionado, falou de sua trajetória estudantil e política enaltecendo, como sempre o faz, nossa querida Ceará-Mirim.

Franklin Marinho

O evento foi muito significativo para os espectadores, uma vez que abriu com poesias dos alunos do professor Gerinaldo, antecipando palestra do professor Pedro Simões e fechou com o discurso emotivo de Franklim Marinho.
Aguardaremos ansiosos pelos próximos encontros culturais que serão realizados pela ACLA – Academia Cearamirinense de Letras e Artes em 2011.
Fiquei muito feliz em ver meus alunos da Escola Estadual professor Otto de Brito Guerra prestigiando o evento. Momentos como esse são raríssimos em nossa província e, quando acontece, temos que participar, pois, estaremos crescendo intelectualmente. Quem não foi, infelizmente, perdeu uma grande oportunidade.

Alunos da Escola Estadual Prof. Otto de Brito Guerra

Eu e o parceiro Eliel fizemos as articulações e gostaríamos de destacar o apoio de Jaqueline, administradora da Estação Cultural, pois o espaço estava organizado e fomos muito bem recebidos.

Gibson Machado, Professor Pedro Simões e Eliel Silva

O evento teve como parceiros o INDEC, CDL/Ceará-Mirim e Centro Esportivo e Cultural. Agradecemos a presidente do CDL/Ceará-Mirim Maria de Lourdes (Lila) pelo apoio, demonstrando que sempre é possível fazer parcerias, basta acreditar em projetos “realizáveis”.

domingo, 21 de novembro de 2010

ANETE VARELA

Ruínas do engenho Diamante

DIAMANTE
Carro de boi, açúcar, rapadura,
Fazem lembrar o engenho Diamante;
Hoje a saudade dentro em mim perdura,
De minha infância que já vai distante!

Nunca existiu em mim dor, amargura,
Quando eu era criança – e, bem galante,
Ia correndo, cheio de ventura,
Pelo capim, macio e verdejante.

Na Casa-Grande, em cada canto, eu via
Um rosto amado cheio de ternura,
A me fitar com risos de alegria.

Já vai longe aquele tempo amigo!
Só me resta, de tudo, a noite escura
Desta saudade que ficou comigo!
Ana Augusta da Fonseca Cabral - ANETE VARELA
Conhecida como Anete Varela nasceu na cidade de Ceará-Mirim/RN era filha de Manoel Varela Buriti e de dona Elvira da Fonseca e Silva Buriti. Trabalhou como secretária no Hospital Maternidade de Ceará-Mirim e na Clínica 29 – BENFAN.
Participação em publicações e eventos:
Participou do 3º volume de “Trovadores do Brasil” de Aparício Fernandes em 1970.
4º Festival Brasileiros de Trovadores na cidade de Maringá no Paraná, onde recebeu menções honrosas em 1977.
Concurso de Poesias da Fundação José Augusto em Natal/RN em 1978.
2º Concurso de Trovas de Bandeirantes em 1978 em Maringa Paraá denominado II Jogos Florais.
Participou do Anuário de Poetas do Brasil em 1978 – 1º volume de Aparício Fernandes.
Participou do primeiro centenário de nascimento do Dr. José Pacheco Dantas em Ceará-Mirim/RN no mês de agosto de 1978.
Participou do Anuário dos Poetas do Brasil em 1979 – 1º volume de Aparicio Fernandes.

Em outubro de 1992 a Prefeitura Municipal de Ceará-Mirim na administração do prefeito Jorge Câmara publicou o livro “RETALHOS DE SONHOS” da Poetisa Ana Augusta, como diz o ex-prefeito Dr. Murilo Barros na apresentação do livro: É uma forma de homenagear uma artista pela modéstia e pelo amor à nossa terra.”
Em 24 de setembro de 1993 a prefeita Terezinha de Jesus da Câmara Melo, através do Decreto nº 709/93, cria a Sala Infantil do Estudo Poetisa Ana Augusta da Fonseca Cabral, na Biblioteca Publica Dr. José Pacheco Dantas.

SARAU BAQUIPEANO VIRTUAL

Ruínas do Engenho Oiteiro - Ceará-Mirim/RN

ALUMBRAMENTO


Seguindo a erma vereda do oiteiro,
surge a visagem dum tempo perdido.
Ossos de engenho brotam no aceiro
do canavial no vento retangido.

Na lua cheia, o vulto do bueiro,
a casa-grande, o pau d’arco florido...
Soa um carro-de-bois, triste e ronceiro,
trazendo malagouros no gemido.

Vozes sem corpo xingam a burrama,
vêm risadas de prosa no bagaço,
nas ruínas da capela, um sino chama...

Resta, num vago cheiro de melaço,
algum doce acalanto de mucama
ninando almas jazidas nesse espaço.


BARTOLOMEU CORREIA DE MELO
Natal / 2010

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

AULA PASSEIO

Igreja da cominidade de Capela

Dia 15 de novembro de 2010 fiz uma aula-passeio com alguns alunos do 1º ano III da Escola Estadual prof. Otto de Brito Guerra.
O objetivo da aula foi apresentar alguns patrimônios históricos e culturais de Ceará-Mirim, focando a importância de sua preservação para a memória do município e ao mesmo tempo, instigar os alunos à luta pela valorização desses patrimônios que se encontram em avançado estado de deterioração. O passeio também foi um incentivo à prática do ciclismo pelo nosso lindo vale do rio Ceará-Mirim.
A viagem transcorreu maravilhosamente bem. A paisagem ajudava a tornar o caminho e o cansaço amenos, principalmente, porque sabíamos que na primeira parada relaxaríamos na cristalina e mineral água do olheiro Diamante. Que maravilha!!!
Na fazendo Diamante (antigo engenho Diamante) os alunos foram informados da história do engenho e de seus antigos proprietários, principalmente, o Dr. José Augusto Meira, filho do Dr. Olinto Meira. Nasceu no engenho Diamante em 11/12/1873 e foi educado pelo pai que à época escreveu as cartilhas de gramática e aritmética para educar os filhos. Quando os filhos estavam preparados o velho Olinto os encaminhava para os exames em Natal. Graduou-se em Direito pela faculdade de Recife/PE e como premio, pelo bom desempenho no curso, ganhou uma viagem à Europa.
Dr. José Augusto Meira

Exerceu os cargos de Delegado de polícia (Rio de Janeiro) – promotor público (Santarém – Pará) professor de direito criminal (Belém – Pará). Advogado, deputado Estadual em seis legislaturas – diretor da faculdade de direito do Pará. Senador Federal da República e Deputado Federal, pelo Pará. Encerrou a carreira política em 1955, com 82 anos de idade. Foi ardoroso escritor, tendo combatido violentamente o presidente deposto João Goulart. Faleceu a 21 de março de 1964. Era poeta e publicou vários livros, sendo o mais importante Brasileis, poesia épica nacional.
Relógio de Sol
Olheiro cristalino e mineral do Diamante
Em 1973 o governo municipal na gestão de Ruy Pereira Junior homenageou Augusto Meira instalando um monumento na praça Barão de Ceará-Mirim (atualmente o monumento encontra-se na Esc, Municipal Dr. Augusto Meira). No mesmo dia, a família do homenageado instalou um relógio de sol no local onde ele nasceu no antigo engenho Diamante.
Em uma de minhas visitas ao local constatei que o relógio estava abandonado e encoberto pela vegetação. Preocupado, relatei a história do senador para um aluno meu que é morador da fazenda e sugeri que o mesmo fizesse uma limpeza na área porque aquele monumento era muito importante para a memória de nossa gente. Ele ficou impressionado com o que eu falei e fez toda a limpeza no local. Além disso, todas as pessoas que visitam fazenda têm por obrigação conhecer a história do famoso conterrâneo e de seu relógio esquecido.
Nossa próxima parada foi o Museu Nilo Pereira. Os alunos ficaram encantados com a beleza senhorial do velho solar. Questionaram o por quê de tanto abandono e desprezo pela memória da cidade. Fiquei sem saber responder aquelas indagações. Sabia que não adiantaria falar sobre a falta de interesse do poder público, o descaso, essas coisas, de qualquer forma, fiz um ligeiro resumo de como estava a situação do casarão do Guaporé, aproveitando para explicar quem foi Nilo Pereira, o maior guerreiro na batalha pela restauração daquele patrimônio arquitetônico.
Sótão do Casarão do Guaporé
Casa Grande do Engenho Guaporé - Museu Nilo Pereira

Restos da janela quebrada pelos vândalos
O retorno para casa me fez pensar que havia plantado algumas sementinhas naqueles jovens, pois, os entusiasmos gerados pelas informações, os levaram a questionar as administrações dos patrimônios e, também, sugerir novas visitas com vistas a debates a respeito da valorização e preservação de nossa memória.
Apesar de ter chegado em casa todo moído, causados pelos 50 anos de sedentarismo e pelos mais de três anos sem pedalar, fiquei muito satisfeito e feliz porque sabia que aqueles jovens nunca mais seriam os mesmos que começaram a viagem. A partir daquele dia eles provavelmente olharão nossos patrimônios de maneira diferenciada, enxergando por trás dos óculos. Estou feliz por isso!!!

PARA REFLETIR

terça-feira, 16 de novembro de 2010

FEIRA DO JOVEM EMPREENDEDOR

Quarta-feira dia 10/11/2010 os alunos do curso Despertar realizaram a Feira do Jovem Empreendedor. A feira é parte do curso e tem como objetivo finalizar as ações propostas pelo programa. Nela os grupos são formados e montam individualmente um empreendimento onde, prestaram serviços, comprando e vendendo materiais diversos ou serviços.Na feira os alunos tiveram oportunidade de colocar em prática as habilidades exercitadas durante o curso. As empresas criadas para o evento atingiram a meta do projeto. Os alunos se empolgaram e sairam à campo para buscar parceiros e patrocínios. O retorno para todas elas foi muito acima do esperado.
Parceria com Coronel Ananias - Grande artista popular
A reação dos alunos não poderia ter sido outra: querem continuar o curso e, provelmente, desejam montar um negócio.

Visita do Prof. Murilo Aguiar e alunos da Esc. Est. Unaldo Bezerra

Fiquei muito feliz em poder contribuir para o desenvolvimento intelectual e pessoal dos cursandos. Não é facil conduzir 30 jovens com pensamentos, atitudes e comportamentos variados.

O legal de tudo isso, é o aprendizado que ficou e a troca de conhecimentos entre nós, ajudou-nos a crescer pessoalmente. Muitas vezes precisei ser firme para conduzir as aulas com responsabilidade. Foi necessário eliminar àqueles que não cumpriram os combinados, mas, também, fui maleável em algumas ocasiões. Essas cobinações de atitudes enriqueceram a prática pedagógica do dia a dia e, certamente, servirão de linhas norteadoras do meu cotidiano escolar.

Elça Virginia - coordenadora do Ensino Médio e Prof. Gibson Machado

Parabéns a todos que conseguiram cumprir a meta do curso. Vamos para a fase final que é a redação. Espero voces!!!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

PAPEL RECICLADO - RECICLARTE


Em 28 de outubro de 2010 - iniciamos a experiência com reciclagem de papel na Escola Estadual Professor Otto de Brito Guerra, localizada no município de Ceará-Mirim/RN - O projeto foi idealizado pelo profesor de arte Gibson Machado em parceria com a Escola e o Ministério Público, através do promotor de justiça Dr. Antonio de Siqueira.

PROJETO RECICLARTE
O PAPEL ARTESANAL E SUA UTILIZAÇÃO SUSTENTÁVEL

O papel desempenha um fator chave na cultura e na difusão da informação. Produzido a partir de um recurso natural renovável, como é a madeira, que permite a sua reutilização, bastando para isso que se proceda á sua recolha seletiva.
O papel tem como matéria-prima principal a madeira. Esta é constituída principalmente por lenhina e por celulose e é a partir desta última que se faz a pasta que irá dar origem ao papel. As fibras de celulose para a fabricação de papel podem provir nomeadamente do algodão (90 % ou mais de celulose), da madeira (60%), de palhas de cereais (50%), sendo a seleção da matéria-prima função do produto final a obter. Na sua fabricação intervêm também outros produtos, como resinas e colas (aumentam a consistência, a resistência à umidade e às tintas0, sais de alumínio (fixam as resinas à celulose), cargas (inertes), como o carbono de sódio (aumentam o peso e dão mais consistência), e corantes.
A reciclagem do papel constitui atualmente um processo importante no quadro econômico da produção papeleira, permitindo a reutilização de papéis velhos através da sua incorporação como matéria-prima fibrosa na fabricação de papel, além da questão da educação ambiental.

A introdução de uma oficina permanente de reciclagem de papel na Escola Estadual Professor Otto de Brito Guerra no Ensino Médio é de vital importância uma vez que a mesma está inserida em uma área de vulnerabilidade social e, desta forma, a inclusão dos alunos no projeto proporcionará uma nova visão com relação à preservação do meio ambiente e, principalmente, com a produção do papel através do lixo e de fibras vegetais pesquisadas, oportunizando um novo campo de empreendedorismo uma vez que a produção poderá ser comercializada na comunidade através de exposições e feiras realizadas periodicamente na escola.
A preocupação em preservar o meio ambiente criou uma demanda por produtos renováveis e processos de reutilização de materiais descartáveis. A reciclagem do papel pode viabilizar a diminuição do lixo e, também, proporcionar novas formas de utilização de produtos descartáveis. Assim, os principais fatores de incentivar a reciclagem de papel, além de econômicos são:
- A preservação de recursos naturais (matéria-prima; energia; água);
- Minimização da poluição;
- Diminuição da quantidade de lixo que vai para os aterros.
- A educação ambiental nas séries do Ensino Básico.
O principal objetivo do projeto e transmitir aos educandos a técnica da reciclagem de papel favorecendo reflexões e discussões sobre temas da educação ambiental e o que a partir disso pode ser vivenciado no cotidiano das crianças, jovens e adultos, bem como utilizar o papel reciclado e outros materiais reutilizáveis como processo artístico e criativo.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

AULA DE CAMPO

Em 26 de outubro de 2010 a Escola Vovó Mulata, localizada na cidade de João Câmara, visitou Ceará-Mirim com uma turma do 9º ano. Fui solicitado pela coordenadora pedagógica da escola para recepcionar e acompanhar (voluntariamente) a turma durante a visita.
O objetivo da aula de campo era o desenvolvimento da economia canavieira no vale do Ceará-Mirim, que está sendo estudado na escola para a apresentação durante a feira de conhecimentos que se realizará em 12 de novembro próximo.
O percurso da viagem foi iniciado pelo primeiro engenho de Ceará-Mirim, o Carnaúbal, fundado por volta de 1840 pelo português Antonio Bento Viana.
A segunda parada foi nas ruínas da casa grande do Guaporé. Ali os alunos desceram e visitaram o velho casarão. É impressionante como o descaso com aquele solar chama a atenção de todos que o visitam. Os adolescentes ficaram indignados com o cenário tenebroso que viram: sujeira, destruição, indícios de magia negra, um verdadeiro abandono de um patrimônio tão importante para a memória de Ceará-Mirim.
Visitamos outros engenhos como o Verde Nasce e o Mucuripe e, infelizmente, não tivemos acesso às suas dependências.
Engenho Verde Nasce

Dentro de nossas limitações fizemos o máximo para proporcionar àqueles jovens um dia onde puderam conhecer novos fragmentos históricos que ajudaram na construção de nosso Estado e, também, de nossas cidades.
É muito triste fazermos uma viagem com estudantes ou visitantes pelos pontos históricos e não termos como recepcioná-los em equipamentos apropriados para isso.


É difícil contar a história de nossa cidade se o que temos para mostrar como testemunhos, são ruínas, sujeira, abandono, descaso, falta de estruturas, em fim, nada agradável aos olhos de quem nos visita.
Há prova mais concreta do abandono de nossa memória é o painel pintado por José Lemos que se encontra encostado à parede da antiga estação há um ano, exposto a todas as intempéries do tempo e, também, ao vandalismo.
Sei que é muito difícil recursos para esse “fim”, mas, o mínimo que poderíamos fazer, era acondicioná-lo num lugar protegido, na esperança de restaurá-lo no futuro, senão, terminará como o primeiro painel pintado pelo espanhol em 1904, que está “dobrado” e “jogado” ao ar livre, no dique onde lava os carros da igreja. Esse painel tinha sido coberto de jornais e guardado dentro da matriz!!! Esse painel teria 106 anos se tivesse sido conservado.
Meu amigo Waldec, diretor da Fundação Nilo Pereira, é um “exímio” restaurador de importantes obras em igrejas de todo o Nordeste, principalmente, na cidade de Salvador. Sua experiência e profissionalismo nessa área, o autoriza a iniciar uma mobilização para buscarmos meios para as restaurações dos três painéis do teto da igreja.

Painel do Coração de Jesus

Sei que a matriz passa por muitas dificuldades e o novo vigário não tem condições de manter todos os serviços de que o templo necessita (com muita urgência). Então, a sugestão é de que juntemos todos os artistas (que são muitos) e arregacemos as mangas para iniciarmos o processo de restauração daqueles painéis, inclusive, podemos contar, ainda, com o autor das obras, meu velho amigo, José Lemos.

Primeiro painel pintado pelo espanhol em 1904

Nosso grande problema é reclamar do que achamos que está errado, no entanto, ninguém se coloca à disposição para dar o primeiro passo em busca da salvação desses patrimônios culturais, ou sugerir soluções “viáveis” e “possíveis” para resolver a questão. Taí o mote: Quem dá o primeiro passo??? Eu dou: se cada um de nós levarmos o pincel e a tinta, acho que é possível fazer um grande “estrago”... Melhor que deixá-los abandonados no iminente estado de deterioração como estão atualmente.
É importante pensarmos em 2014, ano da Copa do Mundo. Ceará-Mirim é a cidade mais importante da Grande Natal. A única que tem todos os equipamentos turísticos para recepcionar aqueles que visitarão Natal: Litoral belíssimo e atraente pelos seus recursos naturais como olheiros, lagoas, praias, dunas, florestas. Turismo Cultural... somos a única cidade do Estado do RN que têm os quatro mais importantes autos populares: Boi de Reis, Pastoril, Cabobolinhos e Congada, todos fazendo referências à miscigenação pluriculturais de nossas raízes, ora fazendo louvações ao menino Deus (pastoril), ora fazendo bailados, danças e dramatizações referentes as tradições indígenas e encenações de lutas medievais entre mouros e cristãos através da congada do Congo de guerra, dança folclóricas de raízes europeias e africanas, principalmente, africana, quando fazem encenações de guerra entre a rainha jinga (soberana) africana contra seu irmão Henrique Cariongo e, finalmente o turismo histórico através dos casarios e engenhos.
Quando os paineis foram substituídos em 1956 Milton Varella - dono do engenho Igarapé - se ofereceu para trazer e patrocinar (como sempre fazia nas obras da matriz) um amigo do Rio de Janeiro para pintar os novos painéis. O vigário da época,Celso Cicco, valorizando o artista da terra, recusou a oferta e mandou Julio Lemos e seu filho Jose Lemos fazerem o serviço. O amigo de Milton Varella era artista Cândido Portinari!!! Eu pergunto: Se os painés fossem obra de Portinari será que estariam abandonados??? Bom pra refletir.

RUÍNAS DO ENGENHO CRUZEIRO

RUÍNAS DO ENGENHO CRUZEIRO, CASA GRANDE E A CAPELA

O Engenho Cruzeiro em Ceará-Mirim, foi fundado pelo inglês Samuel Bolshaw, natural de Manchester, onde nasceu em 1838. Em 1870, aquele súdito britânico já se encontrava na nossa Província, quando, a 19 de maio, contratou com o Presidente Silvino Elviro Carneiro da Cunha, o transporte de cargas e reboque de navios, a ser desenvolvidos no Rio Potengi mediante um barco a vapor, moderno e devidamente aparelhado. Mr. Bolshaw era sócio, no empreendimento, de Afonso de Paula Albuquerque Maranhão. À falta de capitais suficientes, o empreendimento não pôde ser devidamente concretizado. Em 1872, Samuel Bolshaw encontrava-se na vila do Ceará-Mirim, casando-se com D. Joaquina, filha de Victor José de Castro Barroca, senhor do tradicional Engenho “Verde Nasce”. Foi então que o britânico fundou o Engenho Cruzeiro, no vale do Ceará-Mirim, e hoje, foi demolido.
O mecanismo inteiramente novo implantado por Bolshaw no seu engenho, teve influência modificadora nos equipamentos açucareiros da fértil região. Mr. Bolshaw foi o responsável por grandes plantações canavieiras, nos vales do Maxaranguape, Punaú e Fonseca.
Do Ceará-Mirim, o dinâmico britânico transferiu-se para Goianinha e Arês, onde também criou centros de produção. Sua ação logo atingiu a ilha do Maranhão, no município de Canguaretama.
Bolshaw tornou-se um homem exclusivamente do campo, não tendo sido atraído pela vida mais fácil da capital. Sua descendência perpetuou-se no Brasil, através dos casamentos de suas filhas.
Samuel Bolshaw faleceu na então vila de Arês, aos 9 de julho de 1899. Com apenas 61 anos, achava-se esgotado pela batalha vital. Câmara Cascudo visitou, há muitos anos, o túmulo do dinâmico súdito de Sua Majestade Britânica, existente no cemitério de Arês.
Sintetizando a personalidade de Mr. Bolshaw, Câmara Cascudo assim o descreveu: “Era homem de imaginação prática, trabalhador inesgotável de planos, com iniciativas e esforços no terreno econômico, merecedor de recordação”.

A Casa-Grande do Engenho foi construída no final do século passado, concluída provavelmente em 1899, segundo a inscrição existente na fachada. Trata-se de um prédio de relevante interesse arquitetônico. Desenvolve-se sobre um porão alto, com forro de madeira, que constitui o piso do pavimento superior.
O prédio, de grandes proporções, apresenta uma fachada bastante vazada por portas e várias janelas, todas em vãos de vergas retas. As janelas são compostas de duas folhas de madeira pintada, com bastantes bandeiras de vidro.
A casa possui cobertura com duas águas, apresentando frontões triangulares e platibanda com ornamentos de massa, arrematada por cornija. O interior da casa conserva ainda o antigo piso de tijoleira, e tabuado corrido sobre o porão.
Apesar de manter a mesma grandiosidade de sua volumetria e a mesma distribuição interna, é bastante precário o seu estado de conservação. Apresenta-se a casa abandonada, praticamente em ruínas. Algumas de suas paredes já desmoronaram.

A Capela do engenho foi edificada ao lado da residência, em 1904, pelo então proprietário do engenho, o coronel Francisco José Soares. Trata-se de um sólido edifício, de relevante valor arquitetônico, desenvolvido em um único pavimento. O templo apresenta partido de planta cruciforme, em cujo trancepto foi construída uma cúpula. A nave principal da capela possui cobertura de duas águas, apresentando na fachada um frontão triangular ladeado por duas torres abertas para superior, por grandes arcadas com cercaduras e colunatas de massa. A cobertura dessas torres foi confeccionada em forma de pirâmide.
O acesso à capela é valorizado por uma escadaria, possuindo uma porta central em vão de verga reta, encimada por dois óculos, além de uma pequena janela e um ninho. As capelas laterais também apresentam cobertura de duas águas, com telhas de cerâmica.
O templo mantém as mesmas características de sua fábrica original, tanto em relação a sua volumetria, quanto à sua distribuição interna. Apenas uma modificação foi introduzida: a substituição de quatro vitrais nas fachadas laterais, por janelas de madeira.
O piso do templo é revestido de cimento e tijoleria, apenas na capela-mor. Possui colunas internas com acabamento esmerado. O madeiramento de estrutura da cobertura foi cuidadosamente selecionado, tendo sido utilizadas peças de madeiras, caprichosamente trabalhadas, na confecção das tesouras.
Ainda é realizada missa uma vez por mês, pelo vigário Cônego Rui Miranda e é regular o seu estado de conservação. A casa-grande e a capela do engenho cruzeiro em Ceará-Mirim formam um conjunto arquitetônico de expressivo valor, que merece ser contemplado com recursos suficientes para a sua estabilização, evitando-se assim um iminente desmoronamento, o que representaria uma lastimável perda, para a cultura e a memória do Vale dos Canaviais.

Fonte: O Poti - Jeanne Fonseca Leite Nesi - 07/08/1991

domingo, 24 de outubro de 2010

CAPELINHA DO CRUZEIRO

Quando voltava de minha visita à Aningas encontrei a capelinha do engenho Cruzeiro aberta. Fiquei curioso e parei para fotografar e entrar na mesma. O por do sol estava convidando para o registro e não podia deixá-lo na mão.

Na capela havia um casal que estava cuidando e limpando. O rapaz aproximou-se e disse que tinha pintado o predio há dois meses e faltava colocar energia elétrica para que a comunidade frequentasse o templo.
Solicitei que ele fizesse o orçamento que eu encamparia uma campanha para ajudá-lo a preservar aquele patrimônio cultural de nossa cidade que foi construído em 1904 pelo tenente coronel Onofre José Soares.
Fiquei impressionado com a determinação daquele rapaz e da senhora que o acompanhava. É preciso que nos empenhemos para ajudá-los na pequena reforma da igrejinha. Depois de pintada ela ficou ainda mais bonita. Parece aquelas capelinhas de novela.
Ele falou que estava formando um grupo de jovens da comunidade para envolvê-los nos eventos religiosos da igreja cujo padroeiro é São Francisco e, provavelmente, esses jovens possam lutar pela sobrevivência do templo que tem tanta história entre suas paredes, principalmente, na parte de trás onde existe um pequeno cemitério da família Soares.
Quem se interessar em ajudar a capelinha entre em contato comigo para podermos pensar numa forma de reerguer o templo centenário.

LAGOA DO CORAÇÃO

Há algum tempo venho planejando conhecer a Lagoa do Coração localizada no distrito de Aningas. Hoje foi o grande dia, resolvi ir de encontro à tão falada lagoa. Meus alunos residentes naquela comunidade falam constantemente de suas belezas naturais. Ao chegar em Aningas fiquei muito surpreso pelo abandono da comunidade. Dá a impressão que não é distrito de Ceará-Mirim.
Todos os vereadores de Ceará-Mirim têm voto naquele distrito, no entanto, não há um benefício que justifique os votos recebidos pelos edís. A BR 101 fica em torno de dois quilômetros da comunidade e a estrada é de terra, muito esburacada. No centro da comunidade as ruas são muito desiguais, e a água servida corre pela rua indo desaguar num pequeno riacho. Tá na hora da população se organizar e reivindicar melhorias para a comunidade, pois é dever da prefeitura proporcionar o mínimo necessário para uma vida digna daqueles cearamirinenses e brasileiros que vivem isolados e esquecidos pelos poderes legislativo e executivo.
Em contrapartida, a natureza, através do criador, proporciona uma das maiores belezas naturais do município: A Lagoa do Coração. Incrustada entre dunas e vegetação típica do litoral. Na mata é possível encontrar frutos nativos como Cambuim, Guabiraba, Massaranduba, Ubáia, Mangaba, Ameixa selvagem, Caju, além de flores belíssimas quase imperceptíveis.
De acordo com o IDEMA 1996, ela encontra-se sobre o aqüífero Barreiras que se apresenta confinado, semi-confinado e livre em algumas pontos. Esse aqüífero é constituído por sedimentos geralmente arenosos com alta permeabilidade, que possibilita armazenar água de boa qualidade.
O relevo da área em curso é formado por dunas vegetadas constituídas por Areias Quartzosas marinhas (Neossolos Quartzarênicos marinhos), originado pela ação dos ventos locais, que modelam a fisiografia daquelas lagoas naturais.
Há algumas lagunas em torno da lagoa maior e, todas, infelizmente, estão vazias devido a falta de chuva. A do Coração mantém um bom volume de água, mas, nota-se que seu volume hídrico está bem abaixo do crítico, pois a água é muito quente.
É importante registrar que aquela área é Reserva Florestal protegida pelo Exercito Brasileiro, talvez por isso, esteja ainda virgem e não tenha sido degradada e poluída por visitantes indesejados, embora haja pequenos vestígios da devastação humana com pequenas queimadas para fabricação de carvão.
A Lagoa do Coração tem uma beleza indescritível, é um paraíso incrustado no meio das dunas, lá, parece que o tempo não existe, ou desejamos que ele não passe e estacione para que nossa vivência se prolongue até o nunca... Minha visita também tinha o objetivo de entrevistar uma figura popular da comunidade, mas, permanecemos muito tempo a lagoa e ficou inviável a conversa. Vou voltar outro dia para continuar a pesquisa com alguns moradores antigos da comunidade e quem sabe, não contamos sua história e, a partir daí, as pessoas tenham um olhar diferenciado para aquele recanto de nossa terra.
A visita não seria possível se não fosse a recepção calorosa da família de minha aluna Andeirle, seu pai, sua mãe e irmão, que me receberam muito bem, me acompanharam até a lagoa e proporcionaram um bom e saboroso camarão que degustei acompanhado de suco de limão com cenoura, uma verdadeira delícia.
Ainda é possível encontrar meninos nativos caçando com baladeiras e armando arapuca para pegar passarinho, uma tradição indígena que está desapacendo.
As fotos da visita à Lagoa do Coração estão postadas no álbum do orkut:

http://www.orkut.com.br/Main#Album?uid=6407861483136005716&aid=1287942930

sábado, 23 de outubro de 2010

SEMINÁRIO DA UVA - CEARÁ-MIRIM

Professora Cidinha e Professor Gibson Machado - matando a saudade


À medida que ficamos mais experientes vamos abrindo a sensibilidade e as emoções fluem com mais facilidade e já não temos mais o controle de nossos sentimentos, basta algo provocante ou saudosista, para que travemos as palavras e fios de lágrimas teimem em escorrer pelos nossos rostos.
Convidado para falar sobre os grupos folclóricos de Ceará-Mirim em uma turma de Pedagogia da Universidade de Acaraú – UVA iniciei minha exposição falando sobre a apresentação anterior à minha, que tratava da importância dos movimentos sociais na administração de Djalma Maranhão, principalmente, o “De pé no chão também de aprende a ler”.
Relatei minha experiência no projeto Mova Brasil e na formação com professores do Instituto Paulo Freire. Foi um período em que tive acesso a leituras sobre os movimentos populares e, também, a obra freireana.

Quando falava da experiência citei uma aluna do Mova Brasil, Dona Zélia, senhora de seus 65 anos. No primeiro dia de aula ela disse que seu maior desejo e objetivo naquele curso era poder ler a Bíblia e escrever uma carta para uma filha que morava em São Paulo. No final do curso, sete meses depois, ela presenteou-me um cartão natalino com um salmo da Bíblia - o cartão foi todo confeccionado por ela – e uma carta que enviaria para a filha em São Paulo.
Nesse momento não me contive de e

moção e não pude continuar. A sensibilidade estava brotando do mais profundo e sincero sentimento de gratidão por ter participado daquele projeto e ajudado àqueles cidadãos e cidadãs a recuperar suas autoestimas e acreditar que era possível vencer os obstáculos. A vida é assim... Ficamos velhos e mais sensíveis!! Sou feliz por isso.
Muito interessante o seminário da disciplina Educação e movimentos sociais – Multiculturalismo, conduzida com muita sabedoria pela professora Aparecida Dantas – Cidinha, amiga e parceira de alguns projetos do Canal Futura em 2005 -. Os grupos foram instigados a pesquisar e, surpreendentemente, trouxeram informações muito importantes para a formação do grupo de estudo.
O primeiro grupo apresentou o tema: A campanha de pé no chão também de aprende a ler. Os componentes do grupo pesquisaram profundamente, inclusive focando a importância de Djalma Maranhão conduzindo todo o processo de transformação social daquele período. Fiquei bastante impressionado com o material de alto nível apresentado pelos alunos, principalmente o vídeo filmado nos anos 1960 – uma verdadeira relíquia.
O segundo grupo teve como temática os grupos culturais. Um dos membros do grupo era Mucio Vicente – ator e diretor de teatro – e responsável pelo convite para que eu falasse sobre a origem dos grupos folclóricos, suas manifestações e a sobrevivência desses grupos através de apoios institucionais.
Como não poderia ser diferente, Mucio Vicente abriu a apresentação com um de seus cordéis falando sobre Ceará-Mirim e, também, reproduziu um vídeo com imagens da cidade e trilha sonora do hino composto por José Luiz.
Após minha explanação sobre os grupos folclóricos e nossas tradições populares os alunos interagiram com perguntas e comentários a respeito da importância em preservá-los para poder garantir suas transmissões às futuras gerações.
O momento de maior emoção foi durante a performance da aluna Bárbara Nunes fazendo uma homenagem a poeta cearamirinense Ana Augusta da Fonseca Cabral através do poema Retalhos de sonhos. Quando concluiu sua brilhante e emocionante participação, muitos alunos estavam chorando em sua companhia.
Cultura é isso: está adormecida e, quando desperta, provoca muitos sentimentos, principalmente o de pertença... Aquele que todos devemos ter e nos orgulhar de fazê-lo surgir das cinzas para superar o esquecimento, o abandono e a falta de amor pela nossa terra tão querida.
Para muitos, é uma bobagem!!! Mas, para àqueles que amam Ceará-Mirim, o sentimento de pertença precisa está acima de cores, diferenças e de interesses estranhos a nossa realidade.
O quarto grupo apresentou a temática de Patrimônio Histórico e convidaram o professor Francisco Assis Rodrigues para falar sobre a importância dos patrimônios históricos na construção de Ceará-Mirim nos seus 152 anos de emancipação.

Professor Francisco Assis Rodrigues

O professor foi brilhante em suas colocações. Quando falava, fazia uma viagem sentimental, lembrando nossos grandes escritores Nilo Pereira e Edgar Barbosa. Falar sobre Ceará-Mirim é falar do sentimento, do amor à terra que nos viu nascer. É lutar para que nossa história não passe como as águas de seu rio, cortando o ubérrimo vale, hoje poluído e abandonado por aqueles que passaram a vida toda explorando suas riquezas naturais.
Encerrando aquela manhã especial, o último grupo apresentou o tema Sindicalismo Rural através do depoimento do sindicalista Francisco Rosemiro – atual presidente do STR de Ielmo Marinho e ex-militante e líder do MST.

Francisco Rosemiro - Presidente do STR de Ielmo Marinho

O depoimento do Sr. Rosemiro foi de uma riqueza ímpar. Ele falou sobre a origem do sindicalismo rural no Brasil, seus principais objetivos e sua contribuição para a formação dos movimentos sociais da categoria.
A vivência do palestrante nos movimentos sociais o credenciam na faculdade da vida. Poucos conhecem os meandros dos sindicatos como ele, principalmente sua luta em favor dos menos favorecidos e discriminados pela burguesia e pela burocracia manipulada pelos grandes representantes do capitalismo selvagem.

A professora Aparecida Dantas está de parabéns por proporcionar aos alunos do curso de Pedagogia da UVA em Ceará-Mirim a iniciação em pesquisas históricas, antropológicas e culturais. Tenho certeza que muitos daqueles acadêmicos olharão para nossos patrimônios e movimentos sociais de forma diferente, certamente, eles buscarão maiores informações e, quem sabe, surgirão novos pesquisadores de nossa memória.
Quero agradecer a todos pelo convite de participar com meus humildes conhecimentos e dizer que fiquei muito feliz em saber que a professora Aparecida está fazendo mestrado por uma Universidade portuguesa cuja pesquisa tem como tema a didática através dos griôs e um dos principais objetos de pesquisa é o mestre Tião Oleiro e minha pessoa como agente cultural de Ceará-Mirim. Fico muito agradecido por isso e estou a inteira disposição para contribuir naquilo que tiver dentro de minhas possibilidades e conhecimentos. Vamos vibrar pela defesa de professora em Portugal no próximo ano.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

DANÇA DO VENTRE


Gibson,

Gostaria que você publicasse no seu blog
a arte do cartaz do evento de dança do Ventre que
vai ocorrer no sábado dia 23 no Rotary!
Provavelmente vai vir a RedeTv cobrir( a confirmar)
Vai ser uma 1 de apresentações, com candelabros, espadas, petalas, véu
e etc!
Sorteio de Brindes e +
A parte dos produtos arrecadados vai ser revertido pro Abrigo São Vicente!
Conto com você lá!
Tem a arte do Cartaz no meu albúm!
Abraço
Daniel Torres